As histórias da Polícia do Exército Brasileiro e do Capitão Sabino mesclam-se de forma emblemática. “Descoberto” pelo General Mascarenhas de Morais, em demonstração de pista de combate, o então 1º Tenente foi convidado a compor a Força Expedicionária Brasileira, o que aceitou prontamente, tendo sido indicado como comandante, em solo europeu, da Military Police Platoon Febiana, criada em decorrência de exigência do Exército Americano para que o Brasil atuasse junto aos aliados. Transformada em Companhia de Polícia Militar, atuou brilhantemente com esta designação até o Dia da Vitória. Após, recebeu a denominação de Polícia do Grupamento Itália, permanecendo em solo italiano até outubro de 1945, como partícipe de operações pós-guerra.
De tropa expedicionária, a Companhia, quando de seu retorno da guerra, passou à tropa nacional. Em solo pátrio, ainda sob o comando do Capitão Sabino, manteve-se ativa como 1ª Cia de Polícia do Exército da 1ª Região Militar, e, subsequentemente, como 1º Btl de Polícia do Exército.
Tudo começou quando combatentes de três grandes Regimentos - do Rio (o Sampaio), de São Paulo (o Caçapava) e de São João Del Rey (o Tiradentes) - partiram para a Itália, visando auxiliar as tropas aliadas, capitaneadas por soviéticos, chineses, ingleses e norte-americanos, contra as forças do Eixo, lideradas por Itália, Japão e Alemanha.
Dentre os de São Paulo, destacava-se um jovem primeiro-tenente, que encarnava um tipo raro de troupier, admirado por suas qualidades, maxime por Mascarenhas de Morais, que o quis como Expedicionário e o integrou à Primeira Divisão de Infantaria Expedicionária, na condição de comandante de fração do 2º Regimento de Cavalaria Divisionário.
Para atender ao exército estadunidense, o Brasil criou, em 6/12/1943, um Pelotão de Polícia, composto por alguns integrantes do 3º Regimento de Infantaria e por 73 policiais da força pública do estado de São Paulo, o qual não se constituía como elemento da 1ª D.I.E, mas da Tropa Especial, subordinada diretamente ao comandante da 1ª D.I., o Cel Armando de Morais Ancora.
Entre 31 de janeiro e 27 de outubro de 1944, o Pelotão de Polícia foi comandado por três oficiais: os 1º Tenentes Waldir de Lima e Silva e Braz Teixeira Filho, e o 2º Tenente João Zambão, os quais não se desincumbiram satisfatoriamente de suas missões, até então não desempenhadas pela Força Terrestre Brasileira, como, por exemplo, as de controle de trânsito de veículos e de pessoal, de escoltas de comboios de viaturas, de perícia criminal, de policiamento em áreas militares, de guarda de presos militares, de guarda e interrogatório de prisioneiros de guerra e de investigação policial, haja vista a inexistência no Exército Brasileiro, organizado à época segundo a doutrina militar francesa, da previsão do elemento Polícia Militar.
Tais dificuldades foram ultrapassadas a partir da assunção do comando do Pelotão pelo 1º Tenente R/2 José Sabino Maciel Monteiro, filho e sobrinho de generais, e neto de militares do Exército, o que ocorreu em 27 de outubro de 1944.
Enviado no terceiro escalão de soldados à Itália (22/9/1944), Sabino, oriundo do DEOPS –Departamento Estadual de Ordem Pública e Social de São Paulo (uma delegacia de polícia), integrou-se ao IV Corpo do exército estadunidense, comandado pelo Gen Crittenberger - subordinado ao V Exército norte-americano, dirigido pelo Gen Mark Clark, inserido no XV Grupo de Exércitos Aliados. Patriota, valente e devotado, ele protagonizou história de grande valor, tendo ficado conhecido - pelos locais, pelos Aliados e pelos do Eixo - como comandante enérgico, porém, humano e respeitoso.
Em fevereiro de 1945, pouco mais de três meses depois de ter assumido o comando do Pelotão, foi promovido a Capitão, e, ato contínuo, - por determinação do Gen Willis Crittemberger - a comandante da recém-criada Companhia de Polícia Militar, vendo incluídas em suas missões originais, a de controlar diferentes tropas nas ultrapassagens e progressões e a de cuidar da disciplina e do interrogatório de prisioneiros que custodiava.
Sabino comandou a Cia de Polícia durante toda a guerra, tendo participado das tomadas de Montese, Monte Castelo, Porreta Terme, Zocca e, também, de Camaiore, com destaque para atuação nas cercanias de Alessandria, quando sua Companhia, com extrema perícia, prendeu integrantes das Divisões Italianas Bersaglieri e 90ª Panzer Granadier, e da 148ª D. I. Alemã.
Seus atos no teatro de guerra, de tão destacados, mereceram diversos elogios por parte de comandantes aliados e do General Mascarenhas de Morais, comandante da Força Expedicionária Brasileira, rompendo importante fronteira militar ao chegarem ao conhecimento do Major-General Willis D. Crittenberger, o qual não economizou palavras para descrever a atuação do soldado brasileiro como exemplo de “esplêndido desempenho”, motivador da outorga, a ele, da “Medalha Bronze Star”, a quarta em importância como condecoração de guerra daquele País. Tal distinção juntou-se às brasileiras “Medalha de Guerra”, “Cruz de Combate de 2ª Classe”, “Medalha de Campanha da FEB”, à italiana “Cruz de Guerra Por Valor Militar”, e, posteriormente, à “Medalha Marechal Mascarenhas de Morais”.
Os expedicionários combateram bravamente por sete meses e dezenove dias, sendo o dia 2 de maio o que marcou, para o Brasil, após “a cobra ter fumado”, o final da guerra.
Cerca de um mês depois, ainda realizando trabalhos pós-guerra nas províncias de Piacenza, Lodi e Alessandria, a FEB viu-se desmobilizada, com a dissolução do seu contingente, à exceção da Cia de Polícia Militar, que prosseguiu trabalhando até outubro de 1945, com a nova denominação de Polícia do Grupamento Itália.
Já no Brasil, a Cia de Polícia Militar Expedicionária manteve-se em funcionamento, subordinada à 1ª Região Militar, quando passou a ser denominada de 1ª Companhia de Polícia da 1ª RM (comandada por Sabino até dezembro de 1945), tendo, logo após, passado a 1º Batalhão de Polícia do Exército, hoje designado historicamente como Batalhão Marechal Zenóbio da Costa, nascedouro de todos os atuais pelotões, companhias e batalhões de polícia do Exército espalhados pelo Brasil.
Em abril de 1946, Sabino ingressou no Curso de Oficiais da Reserva-COR, dando início à nova e rica jornada em sua vida profissional. Em razão de sua conduta e do desempenho de inestimável valor nos campos de batalha, o Gen Mascarenhas de Morais o recomendou para o serviço militar da ativa, o que se implementou por meio de Decreto Presidencial de julho de 1949, tendo sido ele incorporado ao 11º Regimento de Cavalaria, a primeira, dentre diversas organizações militares às quais serviu. Manteve-se na Força Terrestre até 1973, passando à reforma como coronel.
Sua história de sucesso, honrada e precursora, aliada ao fato de ter sido ele o primeiro comandante da Polícia do Exército Brasileiro, concomitantemente em tempos de guerra e de paz, motivaram o Exército a criar a Praça Capitão Sabino, com escultura de seu busto, no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, e a conferir ao 6º Batalhão de Polícia do Exército de Salvador a denominação histórica de “Batalhão Capitão Sabino”.
FONTES DE CONSULTA
Entrevistas com familiares
Folha de alterações militar de Sabino
https://asegundaguerramundial.wordpress.com/tag/aliados-e-eixo/
Alterações militares do capitão sabino
https://www.sohistoria.com.br/resumos/oquefoisegundaguerra.php
https://worldoftanks.com/pt-br/news/general-news/como-feb-foi-formada/
http://www.portalfeb.com.br/longa-jornada-com-a-feb-na-italia-enfim-a-vitoria/
https://veteranopepelotas.blogspot.com/p/jose-sabino-maciel-monteiro-natural-de.html
http://www.bpeb.eb.mil.br/index.php/atividades-btl/231-praca-capitao-sabino
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