Desde o seu surgimento, na 1ª Guerra Mundial, o carro de combate foi progressivamente aperfeiçoando-se e moldando-se às exigências tecnológicas da guerra de movimento, até culminar nas revolucionárias blitzkrieg germânicas da 2ª Guerra Mundial. A manutenção de grandes formações blindadas em ambos os lados da Cortina de Ferro, durante a Guerra Fria, bem como os ensinamentos colhidos das guerras árabe-israelenses, a partir da década de 1960, selaram, em definitivo, a imprescindibilidade das tropas blindadas nas batalhas e a sua inata vocação para a decisão dos combates.
As campanhas contra o Iraque, no alvorecer do mundo pós-Muro de Berlim, e do Afeganistão, na dita Guerra Contra o Terror, em coalizões lideradas pelos Estados Unidos da América, reafirmaram o papel proeminente dos blindados e o seu uso, por vezes maciço, para a consecução dos objetivos planejados. Mais recentemente, na Guerra da Ucrânia, sobretudo, e nos intermináveis conflitos no Oriente Médio, em alguma medida, tem sido destacado o conceito das tropas blindadas como a espinha dorsal de qualquer força terrestre.
Atualmente, o núcleo duro da Força Terrestre brasileira se compõe por brigadas mecanizadas e blindadas, com mobilidade estratégica e elevado alto poder de combate. Nelas, estão distribuídos todos os carros de combates do Exército: os Veículos Blindados de Combate - Carros de Combate Leopard 1 A5 BR (VBC CC Leopard 1 A5 BR) e os Veículos Blindados de Combate - Carros de Combate M60 TTS.
Neste contexto, a 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer (6ª Bda Inf Bld)1, subordinada à 3ª Divisão de Exército – Divisão Encouraçada, possui dois regimentos de cavalaria com a VBC CC Leopard 1 A5 BR: o 1º Regimento de Carros de Combate – Regimento Vanguardeiro (1º RCC) e o 4º Regimento de Carros de Combate – Regimento Passo do Rosário (4º RCC). Cada um deles possui três esquadrões de carros de combate, a 13 carros, que somados aos carros do comandante e do subcomandante do regimento, perfazem um total de 41 VBC CC Leopard 1 A5 BR.
Com o propósito de manter em elevados níveis a capacidade operacional do núcleo duro da Força Terrestre, coube ao Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (Pq R Mnt/3), localizado em Santa Maria (RS), a importante missão de executar as tarefas atinentes ao prolongamento da vida útil da frota de carros de combate do Exército, no escopo do Projeto de Revitalização das VBC CC Leopard 1 A5 BR (Programa Estratégico Forças Blindadas). Lançado no segundo semestre de 2025, o Projeto é gerenciado pelo Estado-Maior do Exército e coordenado pelo Comando Militar do Sul e pelo Comando Logístico.
A revitalização em questão permitirá o uso das VBC CC Leopard 1 A5 BR até 2040, assegurando a necessária projeção de poder do Exército, ao mesmo tempo que possibilitará a progressiva implementação das medidas relacionadas à substituição dos carros de combate atuais por outros mais modernos. Diferentemente das manutenções preventiva e corretiva, ressalta-se que a revitalização tem por propósito restaurar, em sua plenitude, as capacidades originais desse Material de Emprego Militar (MEM).
A atividade envolve a coordenação e a sincronização de uma quantidade considerável de equipes qualificadas e especializadas. Cada VBC CC Leopard 1 A5 BR passa por um diagnóstico completo, que direciona os trabalhos para duas grandes áreas: chassi e torre. Após a troca de peças e componentes eletrônicos, são feitos os testes finais, que incluem a verificação de arranque, a aceleração, a frenagem e a estabilização da torre e do armamento. Uma vez aprovados, os carros retornam às suas unidades de origem.
Para otimizar os processos e reduzir custos, o Pq R Mnt/3 conta com uma Seção de Estudos e Projetos, composta por engenheiros formados no Instituto Militar de Engenharia, que desenvolvem peças exclusivas a serem utilizadas e contribuem para o esforço de nacionalização de componentes, apresentando soluções às tarefas a serem executadas. De origem alemã, a VBC CC Leopard 1 A5 BR é empregada mundialmente, incluindo a recente Guerra da Ucrânia. No Exército Brasileiro, elas estão em operação desde 2009.
A previsão do Projeto é revitalizar cinco VBC CC Leopard 1A5 BR em 2026, até totalizar 52 unidades, no espaço temporal de dez anos. Cada revitalização leva, em média, dois meses de trabalho intenso. No dia 13 de março, os dois primeiros carros foram formalmente entregues: uma ao 1º RCC e o outro ao Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires2. Até o final deste ano, mais dois serão recebidos pelo 1º RCC, ao passo que outro será destinado ao 4º RCC, totalizando quatro veículos revitalizados na 6ª Bda Inf Bld.
O Pq R Mnt/3 possui tropa altamente especializada na manutenção de todos os blindados da família “A” Leopard3, que compõe a frota brasileira. Em específico, esta manutenção é aprofundada até o 4º Escalão, o que possibilita tanto a revitalização quanto uma eventual modernização de blindados. Soma-se a isso a realização de trabalhos de reparação de alta complexidade em equipamentos eletrônicos, essenciais ao combate moderno.
As brigadas blindadas são, enfim, tropas de grande mobilidade, poder de fogo e proteção blindada, compostas por MEM nobres e pessoal altamente especializado e adestrado, que executam operações continuadas com características preferencialmente ofensivas, assegurando a ação de choque necessária para a decisão do combate. A revitalização de parte da frota de VBC CC Leopard 1 A5 BR é, portanto, uma decisão bastante acertada e oportuna do Exército Brasileiro, que permitirá à Brigada Niederauer, em particular, manter à disposição do escalão decisor a totalidade de suas capacidades essenciais de emprego.
Imagem 1 – Desmontagem de chassi |
Imagem 2 – Manutenção de torre |
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Fonte: Comunicação Social do Pq R Mnt/3 |
Fonte: Comunicação Social do Pq R Mnt/3 |
Imagem 3 – Manutenção da eletrônica |
Imagem 4 – Manutenção do motor |
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Fonte: Comunicação Social do Pq R Mnt/3 |
Fonte: Comunicação Social do Pq R Mnt/3 |
Imagem 5 – Montagem da parte interna |
Imagem 6 – Teste de frenagem |
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Fonte: Comunicação Social do Pq R Mnt/3 |
Fonte: Comunicação Social do Pq R Mnt/3 |
Imagem 7 – Teste de estabilização da torre |
Imagem 8 – Recebimento da primeira VBC CC Leopard 1A5 BR revitalizada pelo Cmt 1º RCC |
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Fonte: Comunicação Social do Pq R Mnt/3 |
Fonte: Comunicação Social do Pq R Mnt/3 |
1 Em Santa Maria, além do seu Quartel-General, existem outras nove OM da 6ª Bda Inf Bld: o 29º Batalhão de Infantaria Blindado; o 1º RCC; o 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado; o 4º Batalhão Logístico; a Companhia de Comando da 6ª Bda Inf Bld; o 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado; a 6ª Bateria de Artilharia Antiaérea Autopropulsada; a 3ª Companhia de Comunicações Blindada; e o 26º Pelotão de Polícia do Exército Mecanizado. O 7º Batalhão de Infantaria Blindado está em Santa Cruz do Sul (RS), o 4º RCC, em Rosário do Sul(RS), e o 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, em Alegrete(RS).
2 Atualmente localizado em Santa Maria-RS, foi criado em 11 de outubro de 1996, no Rio de Janeiro- RJ, e tem por missão especializar militares das Forças Armadas brasileiras e de Nações Amigas na operação de meios blindados e mecanizados, no emprego tático de frações de mesma natureza, até o nível subunidade.
3 Em alusão à sua origem: Alemanha. A Brigada Niederauer possui as seguintes viaturas desta família: VBC CC Leopard 1 A5 BR (1º e 4º RCC); Viaturas Blindadas Especiais (VBE) de Engenharia (12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado); VBC Gepard 1A2 (6ª Bateria de Artilharia Antiaérea Autopropulsada); e VBE Socorro Leopard I BR (1º RCC, 4º RCC e 4º Batalhão Logístico).
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