No enorme terreno delimitado pela Avenida Ernani Cardoso e pelas ruas Domingos Lopes e Maria Lopes, abrangendo o Supermercado Guanabara, uma grande área verde e um conjunto habitacional com cerca de 30 prédios, esteve aquartelado por mais de meio século o tradicional e histórico R Rec Mec, a mais moderna unidade da arma blindada na época, equipada com os carros M-41 e M-59, do então Nu Div Bld, sucessor da Divisão Moto-Mecanizada. A denominação R Rec Mec foi adotada em 1952, passando em 1971 a 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado.
No final dos anos 1960, foram criadas as Divisões de Exército (DE), as 1ª, 2ª e 3ª Divisões de Cavalaria (DC) tornaram-se as Brigadas de Cavalaria Mecanizada (Bda C Mec), os Regimentos de Cavalaria (RC) e os Regimentos de Reconhecimento Mecanizados (R Rec Mec) foram transformados em Regimentos de Cavalaria Mecanizados (RC Mec) e Regimentos de Cavalaria Blindados (RCB), conforme relata o antigo Manual de Campanha C 2-1 – Emprego da Cavalaria.
Oriundo da Ala Motomecanizada do 7º Regimento de Cavalaria Divisionária do Recife, o Esquadrão de Reconhecimento surgiu em 1942, depois R Rec Mec, aquartelado na região do Campinho, próximos aos bairros de Madureira e Cascadura, com o Portão das Armas voltado para a Avenida Ernani Cardoso e fundos para a Rua Maria Lopes. O local guarda muita história, desde os tempos da Guerra do Paraguai, funcionando como laboratório pirotécnico e de balonismo, sediando depois grupos de artilharia de dorso, de montanha e de campanha (**).
Ali funcionava à noite a Escola-Quadros, uma espécie de Tiro de Guerra onde se formaram como reservistas muitos estudantes no tempo da 2ª GM, entre os quais o saudoso Veterano Dálvaro, duas vezes náufrago, o Cel Vannutteli, Ten R/2 Galper, Sgt Boris Schnaiderman e vários outros integrantes da FEB.
Em 2004, recebeu a Denominação Histórica (DH) "REGIMENTO GENERAL PITALUGA", em honra ao antigo Cmt no periodo 1964 a 1966, Cel Pitaluga, durante a gestão do Gen Costa e Silva à frente do Ministério da Guerra. O então Cap Pitaluga comandou o Esqd Rec da FEB. Em certa ocasião, o Ministro Gen Costa e Silva visitou a unidade, momentos em homenagem ao chefe militar que como coronel havia comandado o NuDB da Vila Militar na década de 50.
Em 2005, passa a denominar-se 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado (GLO) e, em 2007, o Regimento recebe sua atual denominação, 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado – 15º R C Mec (Es), Regimento General Pitaluga, baluarte da arma encouraçada, único regimento de cavalaria mecanizada do Comando Militar do Leste, sendo remanejado da 1ª Divisão de Exército para o Grupamento de Unidades-Escola/9ª Brigada de Infantaria Motorizada, onde permanece até hoje, na Avenida Duque de Caxias, Vila Militar, aquartelamento liberado pelo remanejamento do Regimento Floriano para Marabá (PA), atual 1° Grupo de Artilharia de Campanha de Selva, orgânico da 23ª Bda Inf Sl.
No ano de 2005, o terreno do quartel foi alienado, tendo a rede de Supermercados Guanabara construído no local um supermercado e enorme conjunto residencial. Ficaram para a história as imagens dos carros M-41 estacionados diante do Palácio Duque de Caxias, os quais operavam no entorno do Palácio Guanabara.
Consta que a hospedaria onde, reza a lenda urbana, Tiradentes ficava alojado quando vinha ao Rio, estava situada no Largo do Campinho - construída por volta de 1780. Toda a região do Largo do Campinho, com suas muitas lojas e casario foram demolidos, não restando mais nenhum vestígio. Como vemos na imagem, o BRT foi construído sobre os eixos da Rua Domingos Lopes e do prosseguimento pela Rua Cândido Benício. O Largo do Campinho ficava no cruzamento dessas ruas com a Avenida Ernani Cardoso, próximo ao atual Prezunic.
Na extremidade superior esquerda, situa-se o terreno delimitado pela Avenida Ernani Cardoso e rua João Romeiro, onde se situava o tradicional Colégio Arte e Instrução, alienado para a Construtora Tenda, que lá ergueu um enorme conjunto habitacional com cerca de 10 grandes edifícios. A construtora pelo menos deixou em pé o belíssimo prédio da Direção/Secretaria, que pode ser visto na imagem, com seu telhado alaranjado.
Entre os muitos antigos alunos do Colégio Arte e Instrução que seguiram a carreira militar, recordo os saudosos General Murilo Gomes Ferreira, da turma de 1937 do CAI, que como tenente comandou o campo de prisioneiros alemães da FEB, o Cel Farm Mauricio Zaykowaty, primeiro farmacêutico a dirigir o IBEx, e o Comandante Sergio Jamel. Lembro também os irmãos Maurício e Oscar Grubman. Oscar, formado pela Escola de Aeronáutica do Campo dos Afonsos, faleceu prematuramente como major, em acidente com um Bandeirante da FAB. Maurício foi Bombeiro Militar, e eles moravam em uma vila próximo ao quartel dos bombeiros na Domingos Lopes. Eram os tempos da farda caqui, utilizada pela FAB, Bombeiros e PM. Não existia o camuflado nem a boina. Muitos colegas se tornaram oficiais, sargentos, soldados PQD, nas FF AA e FF Aux. Havia vários cursos preparatórios para as escolas militares, como o Curso Soeiro.
Levam nomes de antigos professores várias ruas em Jacarepaguá e arredores, como o próprio endereço da escola, Avenida Ernani Cardoso, diretor e fundador.
Na Rua Domingos Lopes, havia um quartel de Bombeiros, existente até hoje, na divisa com o então R Rec Mec, cujo prédio de contornos vermelhos e galpão de viaturas aparece na imagem, na esquina das ruas Maria Lopes e Domingos Lopes.
Quem passa hoje pelo entorno do sítio onde outrora existiu em toda sua pujança o Largo do Campinho, mal se dá conta da grandiosa história que o local encerra, eis que inexistem testemunhos físicos em tijolos e concreto. O passante apenas poderá contemplar supermercados e conjuntos habitacionais.
(**) Ref.: Forte do Campinho: de baluarte da Independência a fábrica de foguetes, Prof. Dr. Adler Homero Fonseca de Castro, Revista DaCultura, ANO XXI / N° 41
Comentarios