Liderança: objetivo e propósito

Autor: Cel R1 Evangelista
Sexta, 19 Junho 2026
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Introdução

Liderar seu grupo, pelotão, subunidade e unidade é o grande objetivo de cada comandante, de forma a tornar a sua equipe capaz de cumprir todas as missões, mas no contexto atual, essa tarefa se torna ainda mais desafiadora. Mais do que chefiar a sua equipe, dominando a execução dos processos, o líder precisará fornecer direção à equipe para alcançar as metas preconizadas. No estudo do Manual de Desenvolvimento da Liderança do Exército dos Estados Unidos – FM 6-22, fica a orientação para a formação e desenvolvimento de líderes de forma a capacitá-los a integrar objetivo, propósito, motivação e visão (UNITED STATES, 2015).

A partir do estudo daquele manual, neste artigo, farei uma breve análise entre objetivo e propósito, articulando contribuições da literatura clássica sobre liderança com os princípios da doutrina militar brasileira.

Objetivo e propósito

Distinguir entre ser um chefe eficiente e um líder da equipe é o primeiro aspecto a ser considerado, de forma a criar na equipe a real disposição para a missão estabelecida e transformá-la em um grupo coeso. Peter Drucker, reconhecido por suas obras de administração, sintetiza essa diferença ao afirmar que a gestão se ocupa de “fazer as coisas bem”, ao passo que a liderança se orienta por “fazer as coisas certas” (DRUCKER, 1981). Tal afirmação exige que o comandante construa um desejo de cumprir a missão; isso se define pela delimitação clara do objetivo a ser atingido e pela demonstração de sua importância para a equipe, transformando-o em um propósito coletivo.

Nessa perspectiva, o comandante que não se limita a mostrar o objetivo a ser conquistado, mas demonstra sua importância para a equipe, criará um propósito e mostrará a direção a ser seguida. Isso fica bem claro, por exemplo, na fábula “Os Três Pedreiros”, em que um deles, ao ser questionado sobre o que está fazendo, responde que está com a tarefa de colocar um tijolo sobre o outro; o segundo responde que está construindo um muro, como forma de manter o seu sustento, mas não sabe a razão; e o terceiro, com o verdadeiro sentido de propósito, explica que está contribuindo para construir uma catedral (AUTOR DESCONHECIDO, s.d.). No exemplo apresentado, percebe-se que somente o terceiro pedreiro aprendeu o real significado do seu trabalho, ou seja, ele sabe o “porquê”. Essa é a grande tarefa que cabe ao comandante e ao líder: criar um propósito.

Objetivo e propósito apresentam naturezas distintas, porém atuam de forma articulada no processo de condução da equipe. Objetivo direciona o esforço sobre algo palpável, mensurável ou visualizado; já o propósito determina a vontade em atingir o objetivo, ou seja, ele motiva o subordinado a buscar aquela conquista. Drucker observa que a ação humana não se limita à adaptação ao futuro, mas envolve a capacidade de produzi-lo por meio de decisões orientadas (DRUCKER, 1981), indicando que o líder, por meio da sua capacidade de influência, pode criar mecanismos para fazer gerar o sentimento coletivo para atingir a meta estabelecida. Nesse contexto, o processo de influência a ser exercido pelo líder, que favorecerá a construção de um propósito compartilhado, capaz de estimular o engajamento e de fortalecer o compromisso dos liderados com a missão.

Tornando isso prático

Uma das formas de aprimorar a capacidade de liderança consiste em criar o hábito de não apenas definir a missão para os subordinados, isto é, o objetivo a ser alcançado, mas também atribuir sentido e relevância à tarefa dentro de um contexto mais amplo. Essa prática cotidiana tende a consolidar um padrão saudável de comando e a aproximar o comandante de seus subordinados, fortalecendo os vínculos da equipe.

Considerações finais

Quando o líder fornece à sua equipe a integração entre objetivo e propósito, ele amplia o espectro dos seus subordinados, criando condições de torná-los partícipes do ideário coletivo, que crescerá de importância quando a missão gerar forte tensão ou até mesmo o sacrifício extremo.

Essa construção da integração exigirá ao líder o exercício contínuo de influência sobre os seus liderados e mostrar a real finalidade de cada tarefa ou missão por meio de um ambiente saudável. Nesse sentido, o Manual de Campanha C20-10: Liderança Militar, esclarece: “Para que um grupo atinja determinado objetivo é necessário, portanto, que a resultante dessas forças, que partem do líder, dos liderados, da interação entre eles e da situação, aponte para esta direção” (BRASIL, 2011).


 

Referências Bibliográficas

AUTOR DESCONHECIDO. Os Três Pedreiros. Fábula tradicional sobre propósito no trabalho. s.l.: s.n., s.d.

BRASIL. Exército Brasileiro. Manual de Campanha C20-10: Liderança Militar. 2. ed. Brasília, DF: Estado-Maior do Exército, 2011.

DRUCKER, Peter F. A prática da administração de empresas. São Paulo: Pioneira, 1981.

UNITED STATES. Department of the Army. FM 6-22: Leader Development. Washington, DC: Headquarters, Department of the Army, 2015.

CATEGORIAS:
Recursos Humanos

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