EBGeo: Geoinformação digital no planejamento e condução de Operações Militares

Autor: Maj Luiz Claudio
Segunda, 10 Agosto 2026
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O EBGeo representa um marco na trajetória de inovação tecnológica da Diretoria de Serviço Geográfico (DSG) do Exército Brasileiro. Desenvolvido para entregar ao Exército um conjunto integrado de ferramentas de geoinformação, o sistema permite, por meio do suprimento e do uso de geoinformação digital, acelerar fases essenciais do trabalho de Estado-Maior, elevando o planejamento e a condução de operações militares ao patamar da era digital.

Fruto de uma longa evolução que tem seu início no desenvolvimento do autoestereógrafo, nas primeiras décadas do século XX e que permeia a criação do Banco de Dados Geográficos do Exército (BDGEx) no início dos anos 2000, sistema voltado para a disseminação de geoinformação, e do DSGTools em meados da década de 2010, sistema voltado para a produção de geoinformação, o sistema surge como plataforma web de Sistema de Informações Geográficas (SIG) de fácil acesso e manuseio. Sua interface intuitiva torna possível que militares acessem e analisem dados geoespaciais tridimensionais, panorâmicos e vetoriais em altíssima resolução fornecidos pela DSG.

As potencialidades do sistema são especialmente evidentes em três grandes domínios:

- Dados tridimensionais: análise de visibilidade, medição de distâncias e áreas, e locação de marcadores permitem simulações táticas precisas, identificação de pontos cegos e avaliação de vantagens operacionais em terrenos complexos.


 

Figura 1- Dados tridimensionais do Cólegio Militar de Porto Alegre

- Dados panorâmicos 360º: navegação foto a foto, giro do horizonte, mini mapa integrado e seleção direta de imagens criam uma experiência imersiva que substitui relatórios descritivos por visualização realista do terreno.


 

Figura 2 - Dados panorâmicos de Uruguaiana

- Dados topográficos: ferramentas de desenho, simbologia militar padrão, linha de visada, visualização de atributos e seleção de elementos facilitam a análise integrada e a produção de produtos gráficos operacionais.


 

Figura 3 - Dados topográficos de Porto Alegre e arredores

A capacidade de importação e exportação de geoinformação garante continuidade entre estações de trabalho, enquanto a futura interoperabilidade com o módulo de geoinformação da Família de Aplicativos de Comando e Controle da Força Terrestre (FAC2FTer) e com outros sistemas da DSG promoverá colaboração em escala institucional.

Além do uso militar imediato, o EBGeo já demonstra versatilidade em aplicações não operacionais. O mapeamento tridimensional de estruturas históricas do Exército, por exemplo, abre caminho para sua utilização em ações de preservação do patrimônio cultural.

Em adição, a infraestrutura do sistema visa limitar o acesso às informações operacionais. Seu uso por meio da intranet organizacional do Exército permite que somente militares, fisicamente presentes em Organizações Militares do Exército ou cadastrados em sua Virtual Private Network (VPN), possam acessar o sistema, o que contribui para a segurança das informações operadas no EBGeo.

Sua integração futura como software corporativo, por meio da Esteira de Desenvolvimento do Centro de Desenvolvimento de Sistemas (CDS), permitirá conexões ainda mais profundas com sistemas operativos do Exército e a criação de soluções específicas para outros fins institucionais.

Desenvolvido internamente pela DSG com o uso de softwares livres e de código aberto, o EBGeo reflete o esforço contínuo da Diretoria em atender à demanda crescente por geoinformação digital. Seu emprego em operações reais, como Atlas e Arandu em 2025, comprova o impacto prático: maior rapidez no planejamento, redução de riscos e melhor suporte à Força Terrestre.

O EBGeo não é apenas mais uma ferramenta. Trata-se de um multiplicador de capacidades que fortalece os intentos de busca de soberania tecnológica brasileira, reduz dependência de soluções proprietárias e posiciona o Exército Brasileiro na vanguarda das geociências aplicadas à defesa. Sua consolidação como plataforma corporativa representa um passo estratégico essencial para a modernização da Força no que diz respeito ao uso de geoinformação digital.

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