A criação do Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) representa um marco histórico na trajetória da participação feminina no Exército Brasileiro. Superada a fase de consolidação normativa, o desafio seguinte passa a ser a sua efetiva implementação, traduzida por procedimentos objetivos, transparentes e tecnicamente estruturados. Neste contexto, o voluntariado e os processos de seleção assumem papel central, assegurando um ingresso às fileiras da Instituição de forma planejada, isonômica e alinhada às suas necessidades.
O SMIF fundamenta-se no caráter voluntário do alistamento feminino, em consonância com a Lei do Serviço Militar, a qual isenta as mulheres do serviço militar obrigatório em tempo de paz, e com o decreto que instituiu este Serviço. O alistamento ocorre no ano em que a cidadã completa dezoito anos de idade, por meio do sistema eletrônico de alistamento ou presencialmente, nas Juntas de Serviço Militar, conforme estabelecido no Plano Geral de Convocação do Ministério da Defesa. Desta forma, fica reforçada a decisão consciente de servir e estabelecida, desde o início, uma relação clara de direitos, deveres e compromissos institucionais.
No ciclo de incorporação de 2026, o voluntariado feminino apresentou números bastante expressivos e promissores em todo o País, o que evidencia o elevado interesse das jovens pelo SMIF. Ao todo, 33.721 voluntárias registraram-se para concorrer a cerca de 1.400 vagas, distribuídas entre o Exército, a Marinha e a Aeronáutica1. Deste total, 1.010 foram destinadas ao Exército Brasileiro, com 39 para a Guarnição de Santa Maria.
A Seleção Geral tem início com o registro das candidatas como voluntárias. Esta etapa é conduzida pelas Comissões de Seleção, sob a coordenação das Regiões Militares. Sua finalidade é verificar o atendimento às condições mínimas exigidas para a prestação do SMIF, o que ocorre por meio da inspeção de saúde, de avaliações físicas, de uma análise documental e demais procedimentos previstos na legislação específica2. Esta seleção constitui, portanto, um importante filtro institucional, garantindo a higidez do processo e a preservação da capacidade operacional do Exército Brasileiro.
Em Santa Maria(RS), das 255 voluntárias, 140 foram consideradas aptas, que passaram a compor o contingente designado. Sua distribuição ocorreu conforme a capacidade das organizações militares de destino e a previsão de vagas para a guarnição, 39 no total, conforme segue: 10 para a Base Administrativa da Guarnição de Santa Maria; 7 para o Hospital Geral de Santa Maria; e 22 para o Colégio Militar de Santa Maria.
Superada a Seleção Geral, tem início a Seleção Complementar, etapa final do processo de recrutamento e seleção. Realizada nas organizações militares de destino, tem por propósito verificar, de forma mais específica, a adequação da voluntária ao perfil militar requerido para o SMIF e às atividades que desempenhará. Neste momento, podem ser realizados exames clínicos e laboratoriais complementares, entrevistas, testes físicos adicionais e avaliações específicas de interesse da organização militar incorporadora3.
Com o término da Seleção Complementar, fica estabelecida a definição final do contingente a ser incorporado. A partir de então, as voluntárias não aproveitadas e aptas passam a compor o excesso de contingente4. Esse mecanismo assegura o equilíbrio entre o interesse das candidatas, a capacidade das organizações militares e as necessidades do Exército.
Interessante destacar que, até o ato de incorporação, a ocorrer no dia 2 de março do corrente ano (2026), as voluntárias podem, conforme previsto na legislação, desistir da prestação do Serviço Militar Inicial Feminino. Entretanto, ao serem incorporadas, o serviço passa a ter caráter obrigatório, com as militares submetidas aos mesmos direitos, deveres, normas disciplinares e penalidades previstas na legislação, sem qualquer distinção5.
A conclusão das etapas anteriormente explicadas caracterizam o encerramento do ciclo inicial de ingresso no SMIF. Uma vez incorporadas, surge logo o primeiro grande desafio a ser superado: a conclusão do Período de Instrução Individual Básica que, na Guarnição de Santa Maria, será conduzido pela 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer, por intermédio do 4º Batalhão Logístico – Batalhão Capitão Cirilo Costabeber.
Essencial para a formação do caráter militar, o Período Básico se reveste de um valor todo especial. Nele, desde o primeiro dia, as soldados aprenderão a cultuar as tradições e os valores pétreos da caserna, com muita ética, profissionalismo e respeito à dignidade humana. A busca permanente pela excelência em todas as atividades é a marca registrada do Exército Brasileiro, uma Instituição de Estado totalmente integrada à sociedade, da qual é parte indivisível, e com elevados índices de aprovação.
Figura 1- Seleção Geral do SMIF na Guarnição de Santa Maria-RS: exames oftalmológicos. |
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Fonte: Comunicação Social da 3ª Divisão de Exército. |
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Figura 2 - Seleção Geral do SMIF na Guarnição de Santa Maria-RS: medidas antropométricas.
Fonte: Comunicação Social da 3ª Divisão de Exército.
Figura 3 - Seleção Complementar do SMIF no CMSM: entrevistas. |
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Fonte: Comunicação Social do Colégio Militar de Santa Maria. |
1 AGÊNCIA BRASIL. Forças Armadas: mais de 33 mil mulheres se alistaram voluntariamente. Radioagência Nacional, Brasília, 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/geral/audio/ 2025-07/forcas-armadas-mais-de-33-mil-mulheres-se-alistaram-voluntariamente. Acesso em: 29 jan. 2026.
2 Brasil. Plano Geral de Convocação para o Serviço Militar Inicial Feminino nas Forças Armadas em 2026.
3 Portaria C Ex 72, de 9 de dezembro de 2024.
4 Brasil. Diretriz EB10-D-01.082 – Implantação do Serviço Militar Inicial Feminino no Exército Brasileiro.
5 Brasil. Lei nº 4.375/1964 e Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980): Decreto nº 12.154, de 27 de agosto de 2024, que institui o Serviço Militar Inicial Feminino; e Plano Geral de Convocação do Ministério da Defesa.
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