8 de Março, Dia Internacional da Mulher: reconhecendo com orgulho e justiça a contribuição feminina no Exército Brasileiro

Autores: Gen Bda André Dias Srª Simone Leal Dias
Sexta, 06 Março 2026
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No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O Exército Brasileiro, em consonância com a sociedade da qual é parte indissociável, celebra a importância da data e reconhece o valor das mulheres em suas fileiras. Fardadas ou civis, o certo é que todas carregam a “pele verde-oliva” aderida à alma, como símbolo de desinteressado amor ao Brasil e de sincero compromisso com a Instituição.

Nesse contexto, como não lembrar da Soldado Maria Quitéria? Vestindo-se de homem, foi voluntária nas lutas de Independência do Brasil e entrou para a história como a primeira mulher a combater nas Forças Armadas brasileiras. Corajosa e resiliente, venceu barreiras e dificuldades de toda ordem. Seu desempenho heroico rendeu-lhe medalha e promoção. Mais do que isso, tornou-se símbolo de valentia e exemplo de mulher destemida. Hoje, é a Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército.

Durante a Segunda Guerra Mundial, mulheres brasileiras lutaram na Itália como enfermeiras, integrando a Força Expedicionária Brasileira (FEB) e a recém-criada Força Aérea Brasileira. Ao atuarem com abnegação e talento nos hospitais de campanha espalhados pelo Teatro de Operações Mediterrâneo, reafirmaram a relevância do trabalho feminino, em apoio às tropas que combatiam em situações extremas. Com o término do conflito, regressaram à Pátria, condecoradas e profundamente transformadas pelas agruras vividas, sendo definitivamente incorporadas ao serviço ativo em 1957.

O ingresso permanente de mulheres no Exército teve início em 1992, no Quadro Complementar de Oficiais, para o desempenho de funções administrativas e técnicas. A expansão se deu a partir de 1996, com a criação do Serviço Militar Feminino Voluntário para profissionais de saúde. Em 1997, formou-se a primeira turma com mulheres na Escola de Saúde do Exército (EsSEx). Naquele mesmo ano, o Instituto Militar de Engenharia abriu suas portas a elas. Em 1998, foi instituído o Estágio de Serviço Técnico para profissionais de nível superior (exceto saúde), com a admissão de mulheres em diferentes áreas.

Ainda em 1998, houve a convocação de 3º sargentos temporárias para claros técnicos, em organizações militares não operacionais. Em 2002, as primeiras sargentos se formaram na EsSEx e na Escola de Instrução Especializada1. No ano de 2009, as mulheres passaram a ocupar um ampliado universo de vagas, em áreas de interesse da Instituição. Em 2011, criou-se o Cabo Especialista Temporário, também franqueado às mulheres.

Em 2017, elas passaram a compor a Linha de Ensino Militar Bélico, com o ingresso de alunas na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Em 2021, foram declaradas as primeiras Aspirantes a Oficial do Serviço de Intendência e do Quadro de Material Bélico da Academia Militar das Agulhas Negras. No ano de 2025, as cadetes passaram a optar igualmente pela Arma de Comunicações. Em 2024, mais um importante feito se consubstanciou, com a criação do Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) nas Forças Armadas e a incorporação de mulheres voluntárias como soldados no Exército, em 2026.

A título de curiosidade, em 1989, o Sistema Colégio Militar do Brasil passou a contar com alunas em suas salas de aula, tornando ainda mais abrangente este consagrado modelo de excelência no ensino fundamental e médio no País. Em órgãos da alta administração do Exército, como no Departamento de Engenharia e Construção, militares mulheres e servidoras civis desempenham, em perfeita sinergia, funções nas áreas de engenharia e arquitetura, planejando, coordenando e fiscalizando obras de interesse estratégico para a Instituição. Participam, também, da execução de projetos de infraestrutura, que sustentam a sua capacidade logística e operacional.

É inegável que a presença feminina no Exército Brasileiro agrega singular valor à gestão pública e ao ambiente de trabalho. A sensibilidade, a capacidade de escutar e agir, aliadas à perspicácia na organização e ao compromisso com o coletivo, claramente aportados por elas a uma bem delineada cultura organizacional, fortalecem a tomada de decisões e somam esforços para uma atuação cada vez mais humanizada e eficiente da Instituição, em completo alinhamento às demandas contemporâneas da Defesa Nacional.

Mais recentemente, foi escolhida a primeira mulher do Exército Brasileiro para a promoção a General de Brigada. Trata-se de uma destacada oficial médica, com trajetória profissional impecável e ilibada conduta. Uma vez submetida a um exigente e criterioso processo de escolha, logrou êxito em razão de seus próprios méritos, em total igualdade de condições. Nessas oportunidades, a Instituição visa preencher seus mais elevados cargos com pessoas possuidoras de qualidades éticas e morais que verdadeiramente reflitam os valores e as tradições cultuados no Exército, independente do gênero.

Por fim, é mister salientar que o Exército Brasileiro muito se orgulha de suas oficiais, praças e servidoras civis, que distribuídas ao longo da escala hierárquica, desenvolvem um trabalho proficiente diuturno que contagia e agrega. Que a coragem de Maria Quitéria, a bravura das enfermeiras da FEB e o trabalho silente das soldados de Caxias de todos os tempos continuem a inspirar a busca permanente pela excelência nas mais diferentes missões. Viva o Dia Internacional da Mulher! A elas, que sempre fazem a diferença, um preito de gratidão e a mais vibrante continência!

1 A partir de 2018, a Escola de Sargentos de Logística passou a formar todas as sargentos de carreira.

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