DIA 8 DE MAIO: UMA VITÓRIA PARA O MUNDO E UM ORGULHO PARA O BRASIL

Autores: Gen Bda André Dias Cel Zary
Sexta, 08 Maio 2026
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O dia 8 de maio de 1945 marca um ponto de inflexão na história da humanidade: o Dia da Vitória das Forças Aliadas contra o Eixo Berlim-Roma-Tóquio, na Europa, na 2ª Guerra Mundial (Victory on Europe Day – VE Day, no idioma inglês). Por questões de fuso horário, a Rússia comemora a efeméride no dia 9 de maio.

Cabe salientar que a Guerra ainda prosseguia contra o Japão, de forma igualmente violenta, terminando somente em 2 de setembro de 1945. Em sua vertente no Pacífico, o conflito só teria fim em meio ao horror de explosões atômicas em Hiroshima, em 6 de agosto, e em Nagasaki, três dias depois. Como resultado direto do emprego destes artefatos, cerca de 150 mil pessoas morreram, assim como uma grande parcela da população acometida pelos mais variados efeitos da radiação.

No Teatro de Operações do Mediterrâneo, onde atuou a Força Expedicionária (FEB), sucessivas vitórias, a partir de fevereiro de 1945, culminaram com a rendição de Colecchio-Fornovo e deram mostras do iminente colapso ítalo-germânico. O rápido avanço para o nordeste da Itália contribuiu para livrar do julgo nazifascista as cidades de Piacenza, Cremona, Lodi, Alexandria, Milão e Turim, muitas delas com o auxílio dos partisans1. A libertação de Susa, em 2 de maio, caracterizou o encerramento da Ofensiva da Primavera.

Em Berlim, Adolf Hitler cometera suicídio em seu bunker, no dia 30 de abril, submerso em sua completa insanidade e na iminência de ser capturado por tropas soviéticas. O cargo de Chanceler do “Reich de mil anos” viu-se rifado de mão em mão. Primeiramente, ocupou-o Joseph Goebbels, o fiel escudeiro do “Führer”, mestre das falsas narrativas, fanático antissemita e adorador da delirante teoria da “super-raça ariana”. Posteriormente, coube ao Almirante Karl Dönitz a inglória missão de assumir o controle de uma nação à beira do abismo, por longos 23 dias.

Em solo italiano, a FEB cumpriu o seu dever. Com desprendimento e compromisso, auxiliou os aliados na etapa final do conflito que, negando aos 10° e 14° Exércitos alemães o acesso ao Passo de Brenner, impossibilitaram a sua fuga pela Áustria. Foi uma verdadeira corrida contra o tempo, quando ficaram evidentes a sagacidade e a resiliência do soldado brasileiro.

No mesmo dia em que houve a rendição de quase 15.000 mil inimigos aos pracinhas, em Colecchio-Fornovo, o Comandante do Grupo de Exércitos “C” alemão, General Heinrich von Vietinghoff, informou ao escalão superior nazista ser impossível prosseguir combatendo no norte da Itália. O elevado nível de deterioração e esgotamento da tropa, aliado à falta de munição e toda sorte de suprimentos, havia deixado as lideranças tedescas em xeque-mate.

Assim, às quatorze horas de 29 de abril, a rendição no Teatro de Operações do Mediterrâneo foi finalmente assinada, formalizando o encerramento das hostilidades, a partir das 12h (horário de Greenwich), do dia 2 de maio. Poucos dias depois, em 7 de maio, a rendição incondicional seria firmada, em Reims, na França, e em Caserta, na Itália.

 

Imagem 1 - Oficiais alemães, em trajes civis, na assinatura da rendição, no Palácio Real de Caserta.

Fonte: https://www.italystarassociation.org.uk/history/the-day-the-war-ended-in-italy/

Imagem 2 - Capa do Jornal “E a Cobra fumou!”, edição da Vitória, confeccionado pelo 1° Batalhão do 6° Regimento de Infantaria da FEB.

Fonte: Coleção do autor, Coronel Julio Cezar Fidalgo Zary.

A alegria contagiante da vitória e as saudades do lar fizeram com que o pracinha não visse a hora de retornar para casa. Infelizmente, nem todos fizeram isso: quase 500 febianos permaneceram sepultados em Pistóia, na Itália, até terem seus restos mortais transladados para o Brasil, no início da década de 1960. O local do descanso eterno foi o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, na Cidade do Rio de Janeiro. O espaço foi construído especificamente para servir de morada definitiva aos brasileiros que tombaram no cumprimento do dever, além de imortalizar os feitos de bravura e coragem empreendidos por todos os expedicionários. Cumpria-se, enfim, a promessa do Comandante da FEB, então General de Divisão Mascarenhas de Morais, de trazer todos de volta à Pátria.

Imagem 3 - Livreto “Notícia Histórica”, confeccionado a pedido do General Mascarenhas, ainda na Itália, para distribuição, em mãos, a todos os pracinhas, contendo um resumo didático de toda a campanha

Fonte: Coleção do autor, Coronel Julio Cezar Fidalgo Zary.

No retorno triunfal ao Brasil, uma comemoração jamais vista lotou as principais avenidas da antiga Capital Federal, Rio de Janeiro, selando o justo reconhecimento de um povo agradecido aos seus heróis. Do outro lado do Atlântico, o febiano havia superado todo o tipo de dificuldades. Adaptando-se com rapidez a uma nova realidade de guerra, suportou os rigores do combate e lutou com destemor contra um oponente experimentado, duro e competente.

Combatendo ombro a ombro com os exércitos aliados, os brasileiros paulatinamente conquistaram a confiança de superiores, pares e subordinados das nações amigas. Interagindo com a população local italiana, esbanjaram a habitual empatia e solidariedade que emolduram tão bem o caráter do soldado-cidadão do Brasil. Em resumo, foram homens e mulheres que, marcados para sempre pelos horrores da guerra, compreenderam com profundidade o significado de lutar pela liberdade e democracia.

Com o término da 2ª Guerra Mundial, o estado de tensão entre os povos se manteve vivo, sem solução de continuidade. Era a chamada Guerra Fria a apresentar sua sinistra credencial, pautada na intolerância, na sede de poder e na autodestruição nuclear do planeta. Quase 45 anos depois, os novos acontecimentos advindos da simbólica queda do Muro de Berlim, em 1989, dariam novo contorno à desgastada arquitetura global.

No Brasil, a participação na 2ª Guerra Mundial acendeu a centelha do desenvolvimento econômico, impulsionando os primeiros passos da gradual transição do campo para a cidade. Trouxe consigo, também, a semente de um inevitável amadurecimento sociopolítico, cujo resultado, oportuno e necessário, contribuiu para o progresso nacional.

Já no âmbito do Exército Brasileiro, houve a atualização doutrinária e a incorporação de modernos e diversificados materiais de emprego militar ao inventário da Força Terrestre. Mais importante, a Instituição passou a contar com um ponderável efetivo de militares experimentados em combate. Eram oficiais e praças prontos a galvanizar a cadeia de comando com novos ensinamentos, inspirando pelo exemplo e exercendo uma liderança calcada no comportamento ético, no desenvolvimento permanente das virtudes e orientada na retidão de propósitos. Uma nova e frutífera era se descortinava.

Imagem 4 - Desfile de parte da FEB, no dia 17 de setembro de 1945, no centro do Rio de Janeiro, então Capital Federal do País. Ao fundo, a Igreja da Candelária.

Fonte: https://testemunhaocular.ims.com.br/2023/08/08/os-80-anos-da-feb/

1 Italianos, membros da resistência, que operavam por meio de sabotagem, espionagem e ataques surpresa.

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História

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