O General Djalma Poli Coelho e sua contribuição para os estudos da nova capital

Autor: 2º Ten Rodrigo Silveira da Cruz
Quarta, 05 Agosto 2026
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 O presente trabalho destina-se a apresentar a ilustre figura do Gen Div Eng Cart Djalma Polli Coelho, e ressaltar seus excelentes serviços prestados em prol dos estudos para a delimitação e localização da nova capital da União, entre 1946 e 1948, quando também desempenhou o cargo de Diretor do Serviço Geográfico do Exército.

Ao presidir a Comissão responsável por realizar o estudo da localização da nova capital, no período de 1946-1948, prosseguiu debatendo sobre o tema, através de conferências, entrevistas e monografias, onde foram aprofundados os estudos do Quadrilátero Cruls, para a nova capital do Brasil, no Planalto Central, com sugestões de sua ampliação, após a promulgação de uma nova Constituição, na qual constava a transferência da Capital para o Planalto Central, conforme abaixo:

Art 4º - A Capital da União será transferida para o planalto central do País.

§ 1 º - Promulgado este Ato, o Presidente da República, dentro em sessenta dias, nomeará uma Comissão de técnicos de reconhecido valor para proceder ao estudo da localização da nova Capital.

§ 2 º - O estudo previsto no parágrafo antecedente será encaminhado ao Congresso Nacional, que deliberará a respeito, em lei especial, e estabelecerá o prazo para o início da delimitação da área a ser incorporada ao domínio da União.

§ 3 º - Findos os trabalhos demarcatórios, o Congresso Nacional resolverá sobre a data da mudança da Capital.

§ 4 º - Efetuada a transferência, o atual Distrito Federal passará a constituir o Estado da Guanabara.

Ainda em 1946, o Presidente Eurico Gaspar Dutra nomeou a "Comissão Técnica para o Estudo da Localização da Nova Capital da União" sendo presidida pelo Chefe do Serviço Geográfico do Exército, futuro Patrono do Serviço de Topografia. Esta Comissão ficou conhecida como “Missão Poli Coelho”. Em 1948, a Comissão entregou relatório confirmando a qualidade da área proposta pela Missão Cruls, sua antecessora, porém propôs uma área bem maior para o futuro Distrito Federal, de 77.254 km2.


 

 

O Relatório foi aprovado pelo Congresso Nacional em 1953, autorizando os estudos definitivos da nova capital, compreendida entre os paralelos 15° 30' e 17 Sul° e meridianos 46° 30 a 49° 30' Oeste, formando uma área de 52.000 km2.
 


 

Posteriormente, foi designada uma nova Comissão, que contratou a empresa Cruzeiro do Sul Aerofotogrametria e os estudos de foto análise e foto interpretação foram realizados pela norte- americana Donald J. Belcher And Associates. Cinco áreas foram selecionadas, para entre elas, ser construída a nova Capital. A área escolhida foi o “Sítio Castanho”, devido às condições naturais e ligação rodoviária com as cidades goianas de Formosa e Cristalina.


 


 

Fonte: Distrito Federal - paisagem, população e poder - M. Peluso e W. Candido

Poli Coelho justifica sua escolha pela região do Planalto Central, em seu relatório, em anexo à Resolução nº 388, de 21 de julho de 1948, da Assembleia Geral do Conselho Nacional de Estatística, conforme abaixo:
 

É deveras admirável a profunda visão dos homens do século passado, políticos ou cientistas, nacionais ou estrangeiros, ao indicarem para a instalação da capital da nação, numa época em que o interior do nosso País era dificilmente acessível, uma região como a do Planalto Central que pertence ao espigão mestre do Brasil, divisor das suas três principais bacias fluviais. Essa solução, sugerida por Hipólito José da Costa, preconizada por José Bonifácio, confirmada por Varnhagen e demarcada por Cruls, com a aprovação de todos os geógrafos, políticos e geopolíticos que cogitaram do problema até nossos dias, afirmou-se agora à maioria dos membros da Comissão pela sua nítida posição a cavaleiro de todos os imperativos deste momento de nossa civilização.

Conforme seus estudos e trabalhos de campo, confirmou excelentes condições para a instalação da nova Capital, pois a área, anteriormente demarcada pela Comissão Cruls, estava localizada no divisor das principais bacias hidrográficas do Brasil, com muitas quedas d’água, que seriam utilizadas para geração de energia elétrica e, desta forma, as condições para a agricultura estariam garantidas, mesmo durante a estiagem. Apontou também a existência de calcário para a fabricação de cimento e a existência de madeiras de construção, além das formações de gnaisse (rocha utilizada em construções e micachistos (rocha usada na agricultura).

O “espigão mestre”, segundo Poli Coelho, é a espinha dorsal do continente sul-americano e do ponto de vista militar, um caminho por onde se poderia invadir o país, devido à importância geopolítica desse acidente geográfico.

A respeito do planejamento da Nova Capital, Poli Coelho sugeriu a transferência de cerca de 200 mil pessoas para a nova Capital, entre eles, funcionários dos Três Poderes, profissionais liberais e trabalhadores domésticos e rurais, com previsão de crescimento para um período de 50 anos e a existência de cidades-satélites.

Por conta de sua notável contribuição para os estudos da Geografia do Distrito Federal, foi entronizado patrono da cadeira 22 do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (IHGDF).

Referências bibliográficas

 http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/185568

 http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/182975

https://www.amiranet.com.br/artigo/a-cartografia-avanca-pelo-planalto-central-a-partir-do-seculo-xix-nova-capital-da-republica-brasilia-70

Anuário Estatístico da DSG, 1953-1954  

 

CATEGORIAS:
História

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