160 anos da nomeação de Caxias para o comando das Forças Brasileiras no Paraguai

Autor: Coronel R1 Carlos Mário de Souza Santos Rosa
Segunda, 19 Outubro 2026
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As cinzas de Curupaiti ainda não haviam se apagado quando os aliados se reuniram em Conselho de Guerra em 25 de setembro de 1866 a bordo do Apa.

Para não acusar o golpe pela derrota, decidiu-se manter a posição de Curuzu. No mesmo dia, o Presidente Flores deixou a campanha, rumo ao seu país, colocando a testa do Exército Uruguaio, o general Henrique Castro.

Em 27 de setembro, o comandante das forças terrestres brasileiras, o General Polidoro1, dava ciência ao Governo Imperial da necessidade de um aumento do efetivo para a continuação das operações, bem como da melhoria do forrageamento de cavalos e muares.

Enquanto isso, o Barão de Porto Alegre, comandante do 2º Corpo de Exército Imperial e o Visconde de Tamandaré, Comandante da Esquadra Brasileira, criticavam publicamente as decisões do comandante em chefe aliado, o presidente Mitre, que segundo estes, eram as causas da derrota e do prolongamento da campanha.

A opinião pública argentina que, desde o início do conflito, se mostrara dividida e passou a apoiar abertamente um acordo com López.

O somatório de tudo isso teve como resultante um abalo na confiança no Gabinete Zacarias de Góis e Vasconcelos , então governante.

D. Pedro II insistiu que o Tratado da Tríplice Aliança fosse cumprido integralmente, ou seja, só se fizesse a paz com a saída do governante paraguaio do poder.

Diante disso, o nome de Caxias surgiu como o único capaz de debelar a crise e conduzir o Império à vitória.

Contudo, havia um senão: Caxias era conservador e o Gabinete, liberal.

Luis Alves de Lima e Silva, então Marquês de Caxias, a par de sua carreira militar, teve uma sólida e invejável trajetória política, presidindo o Conselho de Ministros em 3 (três) oportunidades, duas delas até então, as províncias do Maranhão e Rio Grande do Sul, por onde foi eleito senador e chefiado Ministério da Guerra por duas vezes, se constituindo em uma referência no Partido Conservador.

Para piorar, o Ministro da Guerra, Angelo Moniz da Silva Ferraz, Barão de Uruguaiana, tinha uma desavença pessoal com o Caxias, nascida da rendição paraguaia em 18 de setembro de 1865, oportunidade em que Ferraz conduziu as negociações com o inimigo:

"Para o reconhecimento de Uruguaiana, foram convidados generais estrangeiros que jamais haviam pisado aquele solo e alguns generais brasileiros. Mas eu fui excluído do reconhecimento. Logo eu senhores senadores, que havia presidido duas vezes a Província do Rio Grande e que outras tantas havia feito a guerra naquelas regiões e, portanto, acampado neste mesmo lugar e, como Presidente da Província, mandado traçar o plano da povoação! Doeu-me sobremaneira tal procedimento. Mas resignei-me!”2

O patriotismo falou mais alto que as diferenças partidárias.

O Barão de Uruguaiana se demitiu da pasta da guerra e o próprio Presidente do Conselho de Ministros, cargo equivalente ao de Primeiro Ministro, Zacarias de Góis e Vasconcelos se dirigiu a Caxias e formalizou o convite.

Caxias aceitou com uma única condição: “Sou, sobretudo, militar, só ponho ao Governo uma cláusula, a da mais inteira confiança.”3

Góis e Vasconcelos a garantiu.

Consciente da complexidade existente na aliança, Caxias submeteu ao Governo Imperial nove quesitos acerca da maneira de proceder em seu comando.

As respostas constituem as diretrizes de sua atuação.

Além do comando das forças terrestres, a Caxias coube o comando da Esquadra Imperial, fator diferenciador do Brasil em face dos seus aliados.

A Esquadra era até então comandada por Tamandaré e se encontrava entre as cinco maiores armadas do mundo.

O distinto nauta, Patrono da Força Co-irmã, havia feito toda a campanha, desde a intervenção no Uruguai em 1864, dando provas de sua competência e amor ao Brasil, mas encontrava-se desgastado junto aos chefes aliados.

Nomeado no dia 10 de outubro, Caxias saiu do Rio de Janeiro em 29 de outubro, no vapor Arinos. Em 2 de novembro, aportou em Montevidéu. No dia 6, desembarcou em Buenos Aires, onde permaneceu por 2 (dois) dias. Em 9 de novembro, atingiu Rosário e no dia 14 desembarcou em Corrientes.

Caxias permaneceu naquela cidade por 3 (três) dias, oportunidade em que se encontrou com Tamandaré e teve com este longa entrevista.

Na tarde do dia 17, embarcou para Itapiru, onde chegou ao anoitecer, só desembarcando no dia seguinte, quando foi recebido por Polidoro e seu estado-maior.

Às 16 horas do dia 18 de novembro de 1866, escoltado por dois esquadrões de cavalaria, o novo comandante das forças brasileiras no Paraguai, o Marquês de Caxias chegou ao acampamento de Tuiuti.

A tropa em forma, imbuída de esperança e entusiasmo, o aguardava.

A campanha ganhava um novo e decisivo ator.


 

REFERÊNCIAS

CAXIAS O COMANDANTE - EM - CHEFE NA GUERRA DO PARAGUAI - e os problemas políticos. AHIMTB. Disponível em: http://www.ahimtb.org.br/c2d.htm. Acesso em: 8 de agosto de 2026.

FRAGOSO, Augusto Tasso. História da guerra entre a Tríplice Aliança e o Paraguai. Rio de Janeiro. BIBLIEx,2011.v 3.

JACEGUAI, Artur. Reminiscências da Guerra do Paraguai. Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2011.

GIORGIS, Luiz Ernani Caminha. Cronologia da Guerra da Tríplice Aliança. Porto Alegre: Renascença, 2020.

1 FRAGOSO, Augusto Tasso. História da guerra entre a Tríplice Aliança e o Paraguai. Rio de Janeiro. BIBLIEx,2011.v 3.p 169.

2 CAXIAS O COMANDANTE - EM - CHEFE NA GUERRA DO PARAGUAI - e os problemas políticos. AHIMTB. Disponível em: http://www.ahimtb.org.br/c2d.htm. Acesso em: 8 de agosto de 2026.

3 Ibid

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História

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