Operação Potiguar II

Após uma série de ataques a meios de transporte  e instalações públicas nas cidades de Natal, Parnamirim, Macau, Caicó e Parelhas, que geraram sensação de insegurança por parte da população, o Governador do Estado do Rio Grande do Norte solicitou ao Presidente da República o emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem, na Região Metropolitana do Município de Natal.

No dia 14 de janeiro de 2017, integrantes da organização criminosa "Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte" atacaram membros do "Primeiro Comando da Capital" no interior do Presídio Estadual de Alcaçuz (PEA), com a morte de 26 detentos. Tal fato gerou a transferência de presos do PEA para presídios de segurança máxima localizados em outros Estados, revoltando os detentos e culminando em ações criminosas.

O Presidente da República autorizou o emprego das tropas federais por meio de Decreto Presidencial, de 9 de janeiro de 2017. Como consequência, houve o acionamento da Força-Tarefa (FT) Guararapes, por parte do Comando Militar do Nordeste (CMNE).

Coube à 7ª Brigada de Infantaria Motorizada (7ª Bda Inf Mtz), "Brigada Felipe Camarão", comandada pelo General de Brigada JAYME OCTÁVIO DE ALEXANDRE QUEIROZ, a responsabilidade de assumir o comando da FT Guararapes e de desencadear a Operação Potiguar II. Para isso, contou com tropas de cinco Estados: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, totalizando 1.850 militares, sendo cerca de 1.650 do Exército Brasileiro, 140 da Marinha do Brasil e 60 da Força Aérea Brasileira.

A operação ocorreu, inicialmente, no período de 20 a 30 de janeiro e foi prorrogada, também por meio de Decreto Presidencial, até o dia 4 de fevereiro de 2017. Após os ataques ao Presídio de Alcaçuz, a 7ª Bda Inf Mtz iniciou seus estudos, fruto da possibilidade de emprego. Foram intensificadas as atividades de inteligência, estreitados os contatos com os Órgãos de Segurança Pública (OSP) Estaduais e realizados os estudos logísticos necessários.

Com a assinatura do Decreto Presidencial, os estudos converteram-se em ações. Iniciou-se a concentração logística, atividade complexa e de grande envergadura. As tropas foram deslocadas para Natal, levando viaturas, armamento, munição, combustível, alimentação e todos os meios necessários para bem cumprir a missão imposta pelo Ministro da Defesa: "preservar a ordem pública e assegurar a integridade das pessoas e do patrimônio na Região Metropolitana da Cidade de Natal". Em um prazo aproximado de 48 horas, todos os militares já estavam reunidos nos quartéis da capital potiguar, em condições de serem empregados em prol da segurança dos cidadãos norte - rio - grandenses.

Ao atuarem nos Estados Federativos do Brasil, em atividades de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), por determinação do Presidente da República, as Forças Armadas, amparadas em lei, exercem o Controle Operacional da Área de Operações. Esse controle permite que o Comandante da Área de Operações determine tarefas específicas de segurança aos OSP federais, estaduais e municipais, permitindo que todos trabalhem de forma coordenada, segura e com o máximo de sinergia.

Foram 16 dias de atividades intensas, oportunidade em que os militares conseguiram restabelecer o clima de paz e tranquilidade na região. Ao todo, aconteceram mais de 3.300 operações, entre patrulhamento fluvial, a pé e motorizado, revista de pessoas e de veículos, patrulha fluvial, operações aeromóveis, escoltas, controle de pontos estáticos e apoio nas ações dos órgãos estaduais de segurança pública.

Durante os dias da "Operação Potiguar II", seguindo regime de trabalho de 24 horas diárias, foram guardadas 296 áreas de interesse, instalados 710 pontos estáticos, 139 pontos de segurança, 20 pontos de bloqueio de estradas e 44 pontos de controle de vias urbanas. Foram realizadas 635 patrulhas a pé, 1.964 motorizadas, 12 fluviais e seis aéreas, além de 28 escoltas e 54 ações de reconhecimento.

Todas as ações da Operação Potiguar II tiveram como condição fundamental a proteção da vida humana. Isso ficou bem caracterizado pelo fato de não ter havido nenhuma morte em consequência das missões cumpridas pela tropa.

Um ponto que chamou a atenção dos militares, ao transitarem pelas ruas da Grande Natal durante os 16 dias, foi o sentimento de gratidão e, principalmente, de confiança da população pelo trabalho das Forças Armadas. Em todos os momentos, o povo agradecia aos soldados por meio de palavras, frases de incentivo e sorrisos. Para os militares, essas demonstrações de carinho, apreço e confiança serviram de motivação para continuarem trabalhando, com entusiasmo, durante todo o período da operação. Essa percepção de confiança e de gratidão foi confirmada nas redes sociais, por meio de comentários no Twitter, Facebook e Instagram.

Podemos considerar que a Operação Potiguar II foi um sucesso e um exemplo de Operação Conjunta e Interagências. Grande parte das ações de segurança foi realizada de forma integrada entre as Forças Armadas e os Órgãos de Segurança Pública, em particular a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o que proporcionou resultados significativos em tão curto espaço de tempo.

O sucesso das ações de segurança desempenhadas pelas Forças Armadas tem íntima relação com a preparação, o adestramento e a expertise adquiridos nos grandes eventos de que participaram, desde os Jogos Pan-Americanos de 2007, sediados no Rio de Janeiro. Eventos como os Jogos Mundiais Militares (2011), a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20, em 2012), a Jornada Mundial da Juventude (2013), a Copa das Confederações (2013), a Copa do Mundo (2014), os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, todos eles ocorridos no Brasil, contaram com a participação efetiva das Forças Armadas, em particular do Exército, que pôde provar sua dedicação, seu profissionalismo e seu compromisso com o País.

No Rio Grande do Norte, diante de um cenário de instabilidade, as Forças Armadas demonstraram, mais uma vez, sua capacidade de pronta resposta, ao atuarem em operações de Garantia da Lei e da Ordem, ressaltando a disponibilidade permanente de todos os integrantes e o ideal maior de bem servir à Pátria.

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FEB: verás que um filho teu não foge à luta

​A Segunda Guerra Mundial marcou o início da ascensão do Brasil no cenário global. Desse modo, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) contribuiu para a Nação perceber o quão era importante, para a segurança externa, tornar-se potência mundial, bem como colaborou para visualizar os desafios decorrentes e a importância do planejamento estratégico para a estruturação, a organização e o progresso do País. As potências da época, não sem motivos, viam o Brasil como país periférico e subdesenvolvido, cujo perfil mestiço era considerado, por preconceito, fator de fraqueza do caráter nacional. Assim, esses países tinham um misto de benevolência e de desprezo, calcados no sentimento de superioridade, inclusive racial, o que não era exclusividade do arianismo alemão.

Por tudo isso, a FEB teve de vencer vários desafios e obstáculos, como consequência:

 - da demora em ser constituída e da indecisão dos EUA em transferir para a tropa estrangeira equipamentos, armamentos e recursos necessários ao próprio Exército e ao de seus aliados, já em operações;

- da falta de equipamentos e armamentos modernos para o adestramento da tropa quando ainda estava no Brasil, uma vez que esse material foi disponibilizado somente na Itália e, por vezes, há apenas alguns dias antes de nossas unidades entrarem em operações;

- do combate em teatro de operações (TO) montanhoso, cuja topografia favorecia a defesa, conduzida, magistralmente, pelo Exército Alemão, reconhecido pelos próprios aliados como o mais preparado e profissional do mundo;

- da entrada em operações sem preparação completa, substituindo dois corpos de exército aliados, que estavam em combate há mais de um ano e que foram transferidos para o TO francês;

- de receber uma frente de 15 km, a qual deveria defender e atacar, o que significa combinar dois tipos de atitudes operacionais, na época, uma capacidade apenas de escalões superiores à Divisão de Exército, particularmente, de infantaria a pé;

- da entrada em operações contra a poderosa Linha Gótica no início do inverno, quando as operações costumavam tornar-se estabilizadas em regiões de condições climáticas extremas, e após a ofensiva anglo-americana para conquistar Bolonha ter sido detida no restante de toda a frente; e 

- de ser lançada contra o Monte Castelo, em 29 de novembro e em 12 de dezembro de 1944, pelo IV Corpo de Exército dos EUA, sem proteção de flanco e sem apoio aéreo, em função das condições climáticas, e com efetivo inferior ao exigido pelo objetivo, como alertara o Comandante da FEB.

Em síntese, houve precipitação e erro de avaliação do comando aliado sobre o poder do inimigo, o valor defensivo do terreno, o efetivo necessário para os objetivos colimados e o momento para prosseguir com ações ofensivas.

Franceses, ingleses e americanos sofreram reveses quando seus exércitos, sem experiência e preparo, foram batidos em Dunquerque, na França; em Passo Kasserine, na Tunísia; na defesa das Filipinas e no Sudeste da Ásia, entre 1939 e o início de 1943. São derrotas contundentes e não infortúnios controlados como os da FEB em Monte Castelo.

No Brasil, a falta de conhecimento militar e de bom senso, o revisionismo ideológico da História e a estranha mania de alguns escritores e historiadores de denegrir as glórias da Pátria e de seus verdadeiros heróis resultaram em retratar a FEB de forma injusta e distorcida. Enfatizaram os reveses iniciais, quando ela ainda era uma força inexperiente, mas omitiram ou minimizaram as vitórias obtidas dois meses depois, quando a FEB já adquirira experiência na frente de combate.

Valorizaram, apenas, fontes externas e desprezaram o testemunho dos irmãos brasileiros, inclusive, dos nossos correspondentes de guerra, testemunhas oculares que acompanharam a FEB. Há os que, de forma negativa, maldosa ou por ignorância sobre a doutrina militar, destacaram o fato de a Força Expedicionária Brasileira não ter cumprido um papel decisivo na derrota da Alemanha. Ora, a FEB era apenas uma das 69 divisões aliadas na Europa Ocidental, sendo uma das divisões do IV Corpo de Exército dos EUA. Cumpriu tarefas de acordo com sua natureza de tropa a pé (que não era blindada) e conquistou objetivos importantes para o êxito daquele Corpo de Exército. 

Seu papel era eminentemente tático e não estratégico, como não poderia deixar de ser. Superou deficiências em combates diretos com o inimigo na linha de frente, em dezembro de 1944 e janeiro de 1945, e não em campos de adestramento na retaguarda. Após a tomada de Monte Castelo, começou a destacar-se entre as forças aliadas na Itália, quando vieram as sucessivas vitórias de La Serra, Castelnuovo, Montese, Zocca e Fornovo.

Celebrar esses triunfos não é mero ufanismo, como pensam infelizes detratores da FEB, carentes de sentimento nacional. Enaltecer os feitos dos soldados brasileiros na 2ª GM é dever de justiça para com nossos Pracinhas e valorização do civismo, da autoestima, da autoconfiança e do patriotismo, sem os quais uma nação não sobrevive. Houve erros sim, que devem ser estudados, mas nada destoante do que aconteceu com as forças de todos os países aliados do Eixo em diversas operações. A honestidade de propósitos revelar-se-ia ao apontar esses erros, desde que também se destacassem os acertos e as vitórias, que foram incontestáveis momentos de glória do Exército Brasileiro. 

Como força de nível tático, a história da FEB foi escrita, principalmente, pelas pequenas e médias frações. Sargentos, tenentes, capitães e comandantes de unidades mostraram o valor do soldado brasileiro no maior desafio do combatente: a hora da verdade, ao enfrentar o fogo inimigo com equilíbrio emocional, competência e coragem. 

Os brasileiros que amam à Pátria, particularmente, os irmãos de armas, jamais se esquecerão dos Pracinhas e os terão sempre como exemplos, conscientes de que pertencer ao Exército de Caxias é uma grande honra e um motivo de orgulho e de felicidade. É ter uma sublime missão e uma nobre razão de viver.

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O Processo de Transformação do Exército e o “paradoxo” da racionalização

​"...Não há nada mais difícil de executar e perigoso de manejar (e de êxito mais duvidoso) do que a instituição de uma nova ordem de coisas...". O trecho da obra de Nicolau Maquiavel, O Príncipe, reforça a aspereza de se conduzir qualquer processo de transformação que, no caso do Exército Brasileiro, ainda sofre com os revezes de uma Conjuntura Nacional desfavorável, notadamente sob os pontos de vista político e econômico.

No escopo da reorganização das Forças Armadas, a Estratégia  Nacional de Defesa (END) definiu, como uma das condições precípuas do Processo de Transformação do Exército, a introdução da Força Terrestre na Era do Conhecimento. Sendo assim, destacou-se o vetor de Ciência e Tecnologia como componente central no esforço de orientação e modernização das estruturas operacionais, logísticas e administrativas ora existentes.

Nas palavras do Comandante do Exército, enfrentar o grande desafio da transformação passa pela necessidade de se dimensionar um novo Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército (SCTIEx), focado na inovação, na capacidade de antecipação e no atendimento às demandas da Força Terrestre, porém, adequado à realidade dos atuais orçamentos e viável sob o ponto de vista do custeio.

Nesse mister, o Exército Brasileiro, de forma estratégica, investe na relação entre o Estado, a Academia e a Indústria, com base no modelo de Henry Etzkovitz, o "Hélice Tríplice" (ETZKOWITZ, 1994), no qual, sob a égide do respeito à independência de papéis de cada um dos três atores, busca sinergia de esforços de cooperação, proposta que congrega vetores do Poder Nacional em prol dos interesses da Nação.

Sendo assim, a inauguração do Polo de Ciência e Tecnologia do Exército, em Guaratiba, no Estado do Rio de Janeiro, representaria o núcleo duro de grande parte do esforço de transformação, apostando na tecnologia como ferramenta para maximizar, em última análise, as ações do componente humano, este sim, o ponto focal de uma Força Armada que quer estar preparada para a Guerra.

O curioso é que, mesmo em um cenário de crise mundial e de restrições a aumento de gastos, há espaço para oportunidades de crescimento. Observando o mundo corporativo deste conturbado século XXI, por exemplo, notam-se os grandes investimentos em sistemas de informação, definidos como instrumentos facilitadores para auxiliar gestores a, entre outras medidas, perseguir metas corporativas de excelência operacional, desenvolver novos produtos e serviços, melhorar o processo interno de tomada de decisões, conquistar vantagens competitivas e reduzir perdas.

Atualmente, observa-se que, entre os sistemas mais procurados pelas grandes empresas para otimizar recursos, estão os Sistemas de Apoio à Decisão (SAD), também conhecidos pela sigla DSS (Decision Support Systems), devido à capacidade que possuem de apontar tendências, modelar cenários e sintetizar informações que auxiliam o processo decisório, em ambientes complexos de incertezas e riscos.

Os SAD são ferramentas essenciais de solução de problemas, estruturados ou não, na medida em que processam grande número de dados e informações, usando não apenas ferramentas estatísticas, mas também inteligência artificial, ambientes de simulação, armazenamento de dados qualitativos, entre outras possibilidades tecnológicas.

O uso dos SAD tem sido uma forma analítica de racionalização nas grandes empresas, pois proporcionam uma visão holística das corporações, conjugando ações e variáveis dessas organizações no tempo passado, no presente e, até mesmo, no futuro.

Usando a taxionomia de Falsarella e Chaves, possuímos, no Exército Brasileiro, bons sistemas de informação nos níveis operacional (transacional), gerencial e especialista. Como organização que almeja dar um passo para o futuro, pensar em SAD como modelos de convergência desses sistemas, associando mecanismos automatizados de análise qualitativa de dados e informações, e pensar o uso de metadados, com suporte de uma consistente base de telecomunicações privativa, pode representar o passo em direção à Era do Conhecimento e tornar menos árido o caminho para a tão necessária e almejada racionalização de recursos humanos e materiais no âmbito da Instituição.

Entretanto, falar no investimento em Sistemas de Apoio à Decisão é entrar em choque com a máxima de que o momento atual exige cautela e contenção de recursos. Sob a ótica conservadora, os dias de hoje são considerados inadequados para o aumento de efetivos técnicos e para a aposta no desenvolvimento de tecnologias da informação e comunicações. Essa dicotomia torna a racionalização do processo de transformação mais complexa do que parece.

Não há dúvida de que os SAD, quando modelados no contexto peculiar das organizações, possibilitam o aproveitamento do conhecimento e das informações disponíveis, facilitando a formulação de soluções por parte dos decisores, que, afinal, representam máxima eficiência dos processos e máxima eficácia de resultados.

Portanto, o investimento em tecnologia da informação, na ótica estratégica, representa um passo lúcido no caminho da racionalização. No entanto, não restam dúvidas de que essa opção terá seu preço e de que o momento é sensível para qualquer decisão nesse nível. É o que registra a canção da briosa Escola de Sargentos das Armas do Exército: "...Nossa cartilha a glória reza, para a batalha devemos ir!...". Somos profissionais da adversidade e, por isso, os desafios sempre foram parte significativa da nossa missão como soldados.

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Vitória da FEB em Fornovo - 28 Abr 1945

Em Fornovo, renderam-se a 148ª Divisão de Infantaria e elementos da 90ª Divisão Panzergrenadier, ambas alemãs, e remanescentes da Divisão Bersaglieri, italiana, cerca de 15 mil prisioneiros. No TO italiano, foi a primeira e única vez que uma divisão alemã se rendeu aos aliados durante a guerra.

Após a vitória em Montese (14-16 de abril de 1945), a FEB entrou em aproveitamento do êxito, em direção a Parma–Fronteira com a França, para fazer contato com forças aliadas naquele país. Na vanguarda, progredia o 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado da 1ª DIE, comandado pelo Cap Pitaluga, que fez aproximação com uma grande força inimiga, que tentava retrair para o norte da Itália pela região de Fornovo e Collecchio.

"Segundo relato do próprio Gen Mascarenhas de Moraes sobre as ações em Collecchio, o Esquadrão, sob o comando do Cap Pitaluga, ao chegar junto à vanguarda da 148ª Divisão alemã, age com 'incrível rapidez' e se atira 'audaciosamente' sobre dois Batalhões da 90ª Div Panzer, que faziam a frente da 148ª Div Alemã. 'Contava para isso, exclusivamente, com os seus três Pelotões de Reconhecimento, com um efetivo de 120 homens apenas'. Após as ações em Collecchio, o Esqd foi lançado em outro eixo: No ceto – Medesano – Felegara – Fornovo, para impedir que o inimigo atingisse a Estrada nº 9. Após cumprida essa missão, o inimigo foi fixado em Felegara (ocasião em que o Esqd perde uma de suas viaturas), continuando o Esquadrão a ameaçar a direção de Fornovo'
(http://www.defesanet.com.br/doutrina/noticia/18224/Atuacao-do-Cap--Plinio-Pitaluga-em-Collecchio-Fornovo-e-os-ensinamentos-colhidos/).

A atuação audaciosa do Esquadrão deteve o movimento da força alemã, dando tempo para que o 6º RI (Regimento Ipiranga) cerrasse à região, de modo a completar o bloqueio das passagens por onde a divisão alemã poderia forçar sua retirada, bem como atuar ofensivamente contra a vanguarda inimiga. Ver o texto abaixo sobre a atuação do 6º RI na rendição:
(https://pt.m.wikipedia.org/wiki/6%C2%BA_Regimento_de_Infantaria_do_Brasil).

Rendição da 148º Divisão de Infantaria Alemã (atuação do 6º RI)

• Fornovo di Taro: O I Btl. cerrou sobre Colecchio para ocupar a base de partida. Às 9 horas foi enviada a seguinte intimação ao Comando Alemão: " Ao comando da tropa sitiada na região de Fornovo e Respicie, para poupar sacrifícios inúteis de vidas, intimo-vos a render-se, incondicionalmente, ao comando das tropas regulares do Exército Brasileiro, que estão prontas para vos atacar. Estais completamente cercado e impossibilitado de qualquer retirada. Quem vos intima é o Comandante da vanguarda da Divisão Brasileira que vos cerca. Aguardo, dentro do prazo de 2 horas, a resposta de presente ultimatum. O Cmt do 6 R.I., Cel.Nelson de Mello, recebeu a resposta nos seguintes termos Nach eingang Biner Weissung der vurgesetzten Kommandobe - hoerde erfolgt Antwort. Major Kuhm. (Depois de receber instrução do Comando superior (alemão) seguirá a resposta)".

Ataque do I Btl à 148º D.I. Alemã

• Às 13 horas, foi iniciado o ataque nas seguintes condições: O I Btl. apoiado pela Cia. de Obuzes, uma Bia. do III Grupo e um pelotão de Carros de Combate Norte Americanos do 760 B.I., atacou na direção de Collecchio – Fornovo di Taro a cavaleiro da estrada. Nas operações do I Btl. os carros de combate que precediam a infantaria foram detidos ao Sul de Pentescedegna.

• Às 21 horas, o inimigo iniciou forte bombardeio de artilharia, morteiros e tiros de armas automáticas sobre nossas linhas em Segalara. Com este dispositivo, o I Btl. passou a fixar as alturas de Gaiano, onde os alemães haviam se instalado defensivamente, seguido de um contra ataque, que foi repelido pela 3.ª Cia. (I.Btl.).

• Às 22 horas, cruzaram as linhas três soldados alemães, chefiados pelo Major Kuhn, Chefe do Estado Maior da 148º D.I. Alemã procurando o Comando Brasileiro, signatário da intimação. Propuseram a rendição incondicional da 148.º Alemã e também ao Comando do Tenente-General Pice e da Divisão Italiana, ao Comando do General Carloni. Os entendimentos relativos à rendição prosseguiram toda a noite, já em presença de todo o Comando Brasileiro da 1.ª D.I.E., vindos ao P.C., por solicitação do Comandante do 6.º R.I. Coronel Nelson de Mello.

O Desespero do Inimigo

Em Segara, foi repelido outro contra-ataque alemão. Para a rendição incondicional ficou estabelecido que a ação da artilharia brasileira cessasse a partir das 05h20 de 29 de Abril de 1945. O Major Kuhn e outros cruzaram as linhas de regresso. O inimigo começou a bombardear nossas posições com artilharia e carros blindados.

• Às 14 horas, nossos carros iniciaram a ação, deslocando-se pelas linhas de cristas, desorganizando as resistências alemãs. Durante as operações, a reação inimiga foi intensa, particularmente com fogos de artilharia e carros.

• Às 22 horas, dois Oficiais alemães cruzaram as linhas, propondo a rendição incondicional da Infantaria a partir das 24:00 horas. A partir das 24 horas começaram a cruzar nossas linhas os primeiros prisioneiros cessando a atividade em toda a frente. Durante toda a operação a reação inimiga foi intensa.

• 29 de Abril de 1945, o 6.º R.I. (I. II. III. Btl.) permaneceu durante a jornada nas posições conquistadas, enquanto as medidas decorrentes da rendição da 148.º D.I. Alemã e da Divisão Italiana eram processadas.

• 30 de Abril de 1945, o I. Btl. reagrupou na região ocupada ao Sul de Colecchio......................................................................................


O EXÉRCITO é forte pelas virtudes de desprendimento, idealismo e solidariedade. É a trincheira onde os brasileiros se encontram, as pessoas se igualam, as raças se unem, os preconceitos se extinguem, os esforços se conjugam e as histórias se escrevem. O EXÉRCITO é uma escola de cidadania.
(autor desconhecido)

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O Sargento e a Criação do Cargo de Adjunto de Comando

Um Exército forte resulta da soma do valor de todos os seus integrantes e, por isso, todos devem ter o mesmo nível de comprometimento com a missão e com os valores que sustentam nossa Instituição, independentemente da posição que ocupem na escala hierárquica. É necessário, portanto, que todos os militares tenham pleno conhecimento de suas atribuições e que demonstrem, diariamente, elevado grau de dedicação à carreira das Armas.

O sargento teve sempre identificação forte com a instrução e a formação dos militares, por ser o agente executor nos pequenos escalões e por tornar-se uma das primeiras referências para os jovens que adentram aos quartéis e que se deparam com um universo de informações, exigências e valores muito distintos daqueles vivenciados na sociedade. Com o passar do tempo e com a experiência adquirida ao longo da carreira, o sargento continua a manter contato direto com a tropa e com as praças mais jovens, em virtude das funções que desempenha, do convívio diário e do grau de liderança que exerce no âmbito de sua organização militar.

A criação do cargo de Adjunto de Comando, que decorre da política de fortalecimento da dimensão humana da Força, visa destacar o subtenente ou o sargento com reconhecida liderança e capacidade de trabalho, designando-o para exercer a tarefa de assessorar os comandantes, em todos os níveis, nos assuntos relacionados às praças.

Apesar do pouco tempo de criação do cargo, já é possível perceber os resultados dessa iniciativa, ao vermos os militares designados para o desempenho da função disseminando valores militares e agregando seus pares e subordinados, sendo facilitadores na solução das demandas e contribuindo, decisivamente, para o fortalecimento do espírito de corpo nas organizações militares.

A experiência e o entusiasmo pela carreira, aliados ao conhecimento profissional, são algumas das ferramentas empregadas pelo Adjunto de Comando na tarefa de orientar e motivar pares e subordinados, bem como no assessoramento aos comandantes em assuntos relacionados à esfera de atribuições do cargo.

A presença do Adjunto de Comando nos mais diversos escalões da Força tem sido uma referência muito positiva, permitindo a contribuição com o ponto de vista dos graduados, que é baseado nas experiências vivenciadas e nas funções desempenhadas desde o início da carreira, seja nas frações elementares das Armas, Quadros e Serviços, seja nas tarefas administrativas necessárias ao funcionamento das Unidades.

No entanto, ainda se faz necessário o amadurecimento de uma cultura institucional para que o Adjunto de Comando seja inserido no dia a dia dos quartéis, pois a presença de uma praça integrando o Estado-Maior Especial e exercendo a função de assessoramento é criação recente, que será consolidada com o desempenho efetivo do cargo pelos militares nomeados e com o envolvimento dos comandantes em todos os níveis.

Numa época em que se valoriza, cada vez mais, o principal ativo das organizações, que é o capital humano, as mudanças que visam garantir a participação e o comprometimento de todos os seus integrantes devem ser incentivadas e apoiadas, para que o resultado dessas medidas seja eficaz e duradouro.

"Não há nada mais difícil de manejar, mais perigoso de conduzir ou mais incerto de suceder do que levar adiante a introdução de uma ordem de coisas, pois a inovação tem por inimigos todos os que se deram bem nas condições antigas,e por defensores frágeis todos aqueles que talvez possam se dar bem nas novas".
Maquiavel - O Príncipe, 1532

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