A questão da seca no nordeste brasileiro: O que fazer?

​Militares do Exército, alunos da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército realizaram estudos sobre a seca no Nordeste e apontam os caminhos para enfrentar a escassez de recursos hídricos e de desabastecimento de água no Brasil.

André Bastos Silva / Carlos Magno Fernandes do Nascimento / Marcio Tomaz de Aquino / Genes Luís de Marilac Maluf Monteiro / Raphael Moreira do Nascimento / Rui Vaz Barbosa / Jean José Arantes Martins / Fabio Pires Do Val / Walter Augusto Teixeira / Armando Morado Ferreira / José Carlos Leal da Silva Junior / Marcos Aurélio Zeni / Marco Aurélio Chaves Ferro / James Corlet dos Santos / José Ramalho Vaz de Britto Neto / João Augusto Vargas Ávila.
(Curso de Política Estratégia e Alta Administração do Exército /Escola de Comando e Estado-Maior do Exército)

​"Estamos em 31 de dezembro de 2031 ...
A população do Nordeste é de 59 milhões de habitantes. Os efeitos do Aquecimento Global acentuaram a escassez de recursos hídricos e ampliaram a área afetada.
No entanto, o Nordeste desenvolveu-se e prosperou economicamente. Tal evolução deveu-se às políticas públicas, coordenadas pela Agência Nacional de Águas do Nordeste, que propiciaram a normalização do abastecimento de água e o atendimento às demandas.
O Projeto Asa Branca do Governo Federal, já encerrado, foi um elemento chave para o sucesso da coordenação das ações executivas, propiciando um ambiente de cooperação da Engenharia do Exército Brasileiro.
Na ocorrência de longos eventos climáticos extremos, há reservas suficientes nos mananciais e a Defesa Civil distribui água em caráter emergencial, com apoio eventual do CMNE."
Como atingir este cenário alvo se a história das secas na região Nordeste é um relato de uma longa saga que vem desde o século 16 e o ambiente de mudanças climáticas só contribui para o seu agravamento?
O Exército Brasileiro desempenha papel fundamental nas ações voltadas para fazer frente aos efeitos da seca na região Nordeste. Seja por meio de obras de engenharia, seja por intermédio da distribuição emergencial de água no contexto da Operação Carro-Pipa, fica evidente a importância da participação da Força Terrestre.
A área abrangida pela Operação Carro Pipa é de 688.064 Km², atendendo a uma população de 3.848.536 habitantes, em 839 municípios. Atualmente, 25 municípios encontram-se temporariamente suspensos.
As Organizações Militares (OM) fiscalizam o trabalho dos 6.694 pipeiros, por intermédio do Sistema de Gestão e Controle de Distribuição de Água (GCDA) que possui interface com o sistema GPIPA BRASIL, sistema informatizado que monitora e rastreia os mananciais, os pontos de abastecimento e o deslocamento dos carros-pipa contratados.
Quanto à atuação das OM de Engenharia em prol da mitigação dos efeitos da seca, pode-se afirmar que desde o início dos trabalhos dessas OM na região Nordeste, ocorreu uma produção significativa de trabalhos envolvendo soluções inteligentes e práticas, eliminando ou diminuindo consideravelmente a carência hídrica em várias áreas da região Nordeste, tais como a Operação Poços e a participação no Projeto de Integração do Rio São Francisco às Bacias do Nordeste Setentrional.
Após uma reflexão pelos alunos do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, apresentam-se para discussão algumas propostas para enfrentá-las, elencadas a seguir:
- Criar um órgão público responsável pelo planejamento, coordenação e integração das ações contra a seca no Semiárido Nordestino.
- Aumentar a participação de outras fontes de energia na Matriz Energética, diferentes da hidrelétrica.
- Implementar o reuso da água nas regiões metropolitanas
- Criar uma regional da ANA para o Semiárido.
- Implantar o Comitê da Bacia do Rio PARNAÍBA
- Estabelecer a comissão multidisciplinar na esfera estadual a fim de realizar operações interagências.
- Obter uma efetiva integração e coordenação entre os Órgãos Governamentais Federais e Estaduais envolvidos na elaboração dos diversos planos relativos à questão hídrica.
- Construir plantas de dessalinização no litoral nordestino.
- Construir adutoras de engate rápido Construir adutoras de engate rápido.
- Executar a integração da Bacia do TOCANTINS/ARAGUAIA.
- Criar as agências de bacias como entidades da Administração Pública e dotá-las dos meios necessários, com prioridade para as duas principais bacias do Nordeste - SÃO FRANCISCO e PARNAÍBA.

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