O processo de interiorização de migrantes venezuelanos no Brasil

O processo de interiorização de migrantes venezuelanos no Brasil

As primeiras notícias do fluxo de migração de venezuelanos para o Brasil, em grande quantidade, ocorrem nos municípios de Pacaraima (cidade fronteiriça à Venezuela) e Boa Vista, ambos no Estado de Roraima. A situação fez com que instituições governamentais tomassem providências para conter o movimento migratório e resolver os problemas sociais advindos da situação contingencial que não era vista na região. A crise econômica, política, social e alimentar da República Bolivariana da Venezuela causou essa explosão de deslocamento das pessoas e levou milhares de venezuelanos a entrar no Brasil por via terrestre (outros seguiram para Colômbia, Equador, México, Chile, Argentina e Panamá).

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Caixa de Pandora: não abra

Caixa de Pandora: não abra

Entre as diversas histórias sobre a origem da humanidade, há a versão da mitologia grega, que descreve a criação do homem por Zeus e pelos irmãos titãs Prometeu (o que pensa antes) e Epimeteu (o que pensa depois). Segundo a lenda, Zeus ordenou que Epimeteu criasse os animais e que Prometeu criasse o homem. Zeus determinou, ainda, que Prometeu não entregasse o fogo aos homens.

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Operação Acolhida em Roraima: ação de solidariedade

Operação Acolhida em Roraima: ação de solidariedade

Instrumento de ação do Estado brasileiro, a Operação Acolhida destina-se a apoiar - com pessoal, material e instalações - a montagem de estruturas e a organização das atividades necessárias ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Tal conjuntura é decorrente do fluxo migratório para o Estado de Roraima, provocado pela crise humanitária na República Bolivariana da Venezuela.

Por meio da Medida Provisória (MP) nº 820, de 15 de fevereiro de 2018, o Brasil instituiu o Comitê Federal de Assistência Emergencial, que decreta emergência social e dispõe de medidas de assistência para acolhimento a esse segmento-alvo. As medidas desempenhadas pelos governos federal, estaduais e municipais acontecerão pela adesão a instrumento de cooperação federativa.

Os Decretos nº 9285 e nº 9286, da mesma data da MP, constituem parte da legalidade e da amplitude impostas aos atores comprometidos com essa ação. Ao todo, são 12 ministérios que integram o Comitê Interministerial. O primeiro decreto reconhece a situação crítica, enquanto que o segundo define a composição, as competências e as normas de funcionamento do Comitê Federal de Assistência Emergencial. Destaca-se, nesse último, que a presidência do Comitê cabe à Casa Civil e que a secretaria-executiva é de responsabilidade do Ministério da Defesa.

Nesse contexto, depois de visualizado e demandado o emprego do Exército Brasileiro, o Comandante do Exército, General Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, no mesmo dia 15 de fevereiro, nomeou o General de Divisão Eduardo Pazuello coordenador da Força-Tarefa Logística Humanitária no Estado de Roraima. A designação foi oficializada pela primeira resolução do Comitê, chancelada pelo Ministro da Casa Civil em 21 de fevereiro.

A partir daí, o Comitê identificou a necessidade de estabelecer, inicialmente, estruturas de recebimento de pessoal, triagem e áreas de abrigo e acolhimento; e de reforçar as estruturas de saúde, alimentação, recursos humanos e coordenação-geral das operações. Diante desse trabalho, foram informados os créditos disponibilizados pela Presidência da República, por meio da MP 823/2018, de 9 de março de 2018, criando-se a Ação Orçamentária 219C. Esta Ação não é exclusiva do Ministério da Defesa (MD), considerando que este é um dos 12 ministérios componentes do Comitê Interministerial.

Na geração da força militar empregada pelo MD na Operação Acolhida, no terreno das operações no Estado de Roraima, estabeleceu-se a Base de Apoio Logístico do Exército, no Rio de Janeiro (RJ), como a organização de suporte para essa finalidade. A Base, responsável pela execução da logística nacional no Exército, compõe as Forças de Emprego Estratégico do Exército e tem como missões planejar, coordenar e empenhar recursos em operações logísticas. A Unidade conta com expertise acumulada recentemente em grandes eventos, como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2016 e o Exercício de Logística Humanitária Amazonlog17 em novembro do ano passado, na região da tríplice fronteira amazônica – Brasil, Colômbia e Peru.

A Operação Acolhida é oportunidade ímpar para que as Forças Armadas exercitem e demonstrem suas capacidades logísticas, em um cenário interagências e com caráter humanitário. Isso, por si só, ratifica o potencial do Brasil em empregar sua expressão militar e, por que não, governamental, em problemáticas dessa natureza. Desse modo, observou-se a capacidade da Força-Tarefa no Estado de Roraima em aglutinar esforços e conduzir, em todos os níveis (político, estratégico, operacional e tático), pessoas, autoridades, instituições, organismos internacionais, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), as ONG de ajuda humanitária e os órgãos de segurança pública. Em tudo isso prevaleceu um ambiente de cooperação, materializado em ações que melhoraram a situação dos imigrantes desassistidos, com reflexos diretos no cotidiano de Boa Vista e de Pacaraima.

A cobertura pela imprensa nacional e internacional e a interação com esse meio resultaram em angulação positiva da pauta. Entre os assuntos de maior interesse, os jornalistas, com o apoio dos agentes de comunicação social, deram destaque a fatos, dados, números da operação, ações e necessidades humanitárias dos imigrantes nas praças e ruas, enfim, às notícias que expressaram acertos, erros, dificuldades e a atuação dos militares brasileiros na missão.

Quanto aos abrigos humanitários, temporários ou de maior permanência, os ambientes possuem instalações semipermanentes, como barracas coletivas e individuais, contêineres sanitários, escritórios, depósitos e cobertura para áreas de convivência e alimentação. Nesses locais, os imigrantes recebem a atualização da situação migratória; são imunizados contra as doenças mais comuns e outras que têm surgido na área, como o sarampo; são cadastrados para o trato humanitário pelo ACNUR e pelas ONG parceiras; e recebem alimentação e visitas médicas diárias.

Os imigrantes têm três destinos: absorção pelo mercado de trabalho local, interiorização no Brasil ou retorno ao país de origem. Para a interiorização, o imigrante precisa estar em um abrigo sob a administração de órgãos estatais, em conjunto com o ACNUR e as ONG parceiras; estar com sua situação migratória regularizada; estar vacinado e imunizado; ser voluntário ao processo e ter destino certo na localidade para onde migrará.

A interiorização está sob a responsabilidade de um subcomitê específico, no qual a Casa Civil trabalha diretamente com a Organização Internacional para as Migrações - órgão da ONU com experiência mundial no assessoramento a governos, no que tange à realocação geográfica de grandes efetivos populacionais. As primeiras interiorizações ocorreram em 5 e 6 de abril, com cerca de 250 imigrantes interiorizados para São Paulo (SP) e Cuiabá (MT). A terceira interiorização ocorreu em 4 de maio, com cerca de 240 imigrantes para Manaus (AM) e São Paulo (SP).

A Operação Acolhida tem duração prevista de 12 meses. Pretende-se que outros estados e municípios cooperem e realizem adesão a esse esforço humanitário, necessário não só para retirar os imigrantes da situação de vulnerabilidade, mas também para auxiliar o Estado de Roraima a superar tamanho desafio social. Como legado, a Operação é mais uma referência da forma conjunta de atuação das Forças Armadas, em que cada Força está adjudicando seus meios, em pessoal e material, para a correta execução da missão, aproveitando-se daquilo que cada uma tem de capacidade, vocação e dever.

No cumprimento das atividades de comunicação social, foi possível exercitar a compreensão interna da Operação e seus reflexos na mídia, além de poder contar com equipe de militares dedicados e competentes da Marinha, do Exército e da Força Aérea. Foi uma oportunidade de atestar a crença em nossa capacidade, em nosso valor e no propósito maior de servir à Nação.

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O QUE É O AMAZONLOG17?

O QUE É O AMAZONLOG17?

Exercício de logística conjunta, multinacional, interagências e humanitária - vetor de suporte ao enfrentamento dos desafios amazônicos.


Ao ser convidado pelo Comandante Logístico para planejar e coordenar o Exercício AMAZONLOG17, percebi que o desafio seria grande, porém, motivante, e que me traria a oportunidade de trabalhar com antigos companheiros, com os quais compartilhei diversas lides da caserna, como as de instrutor de Logística na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), no Rio de Janeiro (RJ); instrutor convidado no Western Hemispheric Institute for Security and Cooperation (WHINSEC), nos EUA; Comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, em Tefé (AM); e Chefe da Representação do Brasil na Junta Interamericana de Defesa (JID).

Uma vez apresentado à logística e ciente da importância deste sistema, constatei, mais à frente, o quanto os militares norte-americanos a valorizam e a reconhecem como fator determinante para a viabilidade e, mais que isso, para o sucesso ou o insucesso de uma operação. Já servindo na Amazônia, pude entender a observação de certo empresário em um simpósio, quando disse ser "mais fácil encontrar um elefante caminhando num shopping no Sudeste do Brasil do que um iogurte na prateleira de um supermercado em algumas cidades da Amazônia". Na JID, percebi a grande lacuna que é, hoje, a integração entre as Forças Armadas dos países americanos, vasto campo a ser explorado.

A essa altura, o leitor pergunta-se: mas, afinal, o que é o AMAZONLOG17? Respondo em poucas linhas.

É um Exercício Combinado de Logística Humanitária na Região Amazônica, amparado em nossas leis internas e em acordos de cooperação com países amigos. Além disso, é direcionado para a consecução dos objetivos estratégicos do Exército Brasileiro e das demais Forças, bem como é focado na cooperação e na busca da interoperabilidade entre as Forças Armadas e as Agências brasileiras e de países amigos. Cabe destacar que foram convidados todos os países que integram a JID, como também o foram as nações amigas que têm adidos militares acreditados no Brasil.

O AMAZONLOG17 é baseado no "negócio" do Comando Logístico do Exército (COLOG) e tem como principal objetivo melhor cumprir seu papel, respeitando o dos demais atores. Ainda nesse contexto, registra-se a aproximação de nossas Forças coirmãs com as de outros países e com as agências, que participam direta ou indiretamente do Exercício. São mais de duas dezenas de países e outras tantas agências com presença confirmada.

Apenas Brasil, Colômbia e Peru, condôminos de uma fronteira comum, tem tropa no terreno. Todo o efetivo está concentrado em Tabatinga (AM), porém, atuando sempre no respectivo território. As ações são planejadas por um Estado-Maior Combinado Interagências e o Comando Combinado é figurado pela direção do Exercício.

Como novidade doutrinária, o apoio logístico ocorre a partir de uma Base Multinacional, composta por Unidades Logísticas Multinacionais Integradas (ULMIs). Estas são constituídas de meios e de pessoal do Brasil e de diversos países amigos. Alguns produtos de defesa são utilizados de forma prática nessas ULMIs, abrindo espaço para a divulgação de nossa indústria, atividade que conta com a presença de autoridades nacionais e estrangeiras.

Assim, a iniciativa do Comandante Logístico, aprovada pelo Comandante do Exército e pelo Ministro da Defesa, mostra-se, a meu ver, além de pertinente e atual, extremamente corajosa. Pertinente, porque, de fato, a logística é o maior desafio na Amazônia, não obstante o trabalho messiânico de nossos soldados. Atual, posto que o conceito de Base Logística Multinacional, composta por ULMIs, vem sendo adotado por países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não só com o objetivo de integrar esforços, mas também e, sobretudo, como forma de otimizar a utilização de preciosos recursos. Corajosa, uma vez que ideias novas, via de regra, enfrentam a barreira da quebra de paradigmas.

Pela primeira vez, o COLOG organiza e conduz um exercício. Mas, trata-se de um Exercício Logístico, que vai ao encontro dos objetivos estratégicos do Exército, levando meios ao terreno; testando novos eixos de suprimento que possam conectar o Sul e o Sudeste à Amazônia; incentivando e abrindo espaço para a indústria de defesa nacional; e compartilhando experiências com países amigos, que enfrentam desafios comuns na tríplice fronteira Brasil – Peru – Colômbia.

Já realizamos duas conferências internacionais de planejamento em Brasília (DF); um evento-teste (Exercício de Mesa) em Manaus (AM); e o Simpósio de Logística Humanitária, com exposição de produtos de defesa, também em Manaus. De 6 a 13 de novembro de 2017, ocorre o Exercício propriamente dito, em Tabatinga, sendo o dia 11, sábado, destinado a visitas e demonstrações.

A fim de entender a dimensão do esforço, convém lembrar que o primeiro comboio partiu ainda em julho, do Sudeste em direção à Amazônia, para poder cobrir uma distância de cerca de 6.500 km, sendo os últimos 2.680 km, de Porto Velho (RO) a Tabatinga (AM), por rio. Ainda em relação a números, cito mais alguns, que refletem a participação multinacional e interagências, e que impressionam pela magnitude: cerca de 1.800 pessoas diretamente envolvidas; 22 agências do governo brasileiro; 13 helicópteros; 11 aeronaves de asa fixa e 29 empresas.

Nossa impulsão já permite visualizar que o AMAZONLOG17 é um jogo em que ganharão todos os participantes do Brasil e das Nações Amigas, a nossa doutrina de operações combinadas, as sofridas populações da área, as instituições e todas as esferas de governo, consoante a estratégia de fazer-se presente. Acreditando no axioma "Treinamento difícil, combate fácil" – estamos nos adestrando para cumprir nossa principal missão constitucional: a Defesa da Pátria e, em particular, de nossa brasileira Amazônia.

Selva!



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Grupamento Logístico: contribuição e perspectiva

Grupamento Logístico: contribuição e perspectiva

 

O Vetor de Transformação Logística, assessorando o Comandante Logístico de 2010 a 2012, encerrou suas atividades durante a 278º Reunião do Alto-Comando do Exército (RACE), onde apresentou suas conclusões finais.

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