Tradução especializada no contexto militar

Tradução especializada no contexto militar

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A arte de traduzir, seja para a língua que for, pode ser descrita como uma perfeita sintonia entre o texto de partida, o tradutor e sua compreensão da mensagem, o texto traduzido e o leitor final na língua de chegada. Como se vê, o processo tradutório é muito mais complexo do que se imagina, pois o produto desse esforço deve ser uma mensagem que atinja seu objetivo em todos os aspectos, atendendo a uma equivalência funcional e comunicativa. Em outras palavras, o texto deve chegar ao leitor final (na língua de chegada, que é o idioma para o qual se pretende traduzir) da mesma forma que havia chegado aos leitores nativos na língua de partida (que é o idioma de origem do documento). Isso significa que a mensagem traduzida não deve possuir truncamentos ou causar estranhamento ao leitor, seja quanto a formas linguísticas e sua transmissão, seja quanto à linguagem utilizada ou ao sentido da mensagem. O leitor na língua de chegada deve compreender o texto da mesma forma como um leitor nativo da língua de partida o faria.

Quando se trata de áreas de especialidade, como a militar, a questão pode ser ainda mais complexa, porque existem terminologias próprias, que veiculam o conhecimento especializado. Aqui, a atenção deve ser redobrada, pois, mais que um exímio domínio das línguas de partida e de chegada do texto, torna-se de extrema importância que o tradutor domine a terminologia específica. Por isso, um cenário ideal seria se o tradutor fosse um profissional da área, o que, no caso, significaria ser um tradutor especialista militar, o que traria um resultado muito mais eficaz.

Um exemplo do que foi explicado acima pode ser visto na tradução para o espanhol da sentença: "no ano de 1956, houve o primeiro desdobramento de tropas armadas representando as Nações Unidas". Como poderia ser traduzido o termo grifado? Se formos buscar em um dicionário de Português-Espanhol, a palavra encontrada seria "desdoblamiento", que até poderia ser compreendida com algum esforço extra, sem, no entanto, representar o exato significado desejado. Nesse caso, o termo mais adequado na terminologia militar seria "despliegue", e a sentença deveria ser traduzida da seguinte forma: "en el año de 1956 hubo el primer despliegue de tropas armadas representando las Naciones Unidas".

Outro aspecto relevante a ser salientado quanto à tradução de documentos militares refere-se a aspectos culturais e de uso idiomático. Mais que conhecimento da área especializada, o tradutor deve, ainda, conhecer a cultura do local e do próprio campo especializado. Deve, acima de tudo, saber como determinado termo é utilizado no país ou na cultura para a qual pretende transpor a mensagem.

Para fins de exemplificação, peguemos o termo em espanhol "Organismo Internacional de Energía Atómica (OIEA)", para ser traduzido ao português (falado no Brasil). Muitos devem se perguntar: "mas como assim? Devo traduzir nomes próprios?". A resposta é que não se trata de traduzir os nomes, mas de transpor, para a outra língua, a terminologia exatamente como é utilizada pelo falante nativo do idioma de partida (origem) do documento.

Consultando a página web da Organização das Nações Unidas no Brasil (ONU Brasil), verifica-se que o nome adotado em nosso País é "Agência Internacional de Energia Atômica", com a sigla "AIEA". Em uma breve pesquisa por páginas web governamentais, verifica-se, ainda, que o Ministério das Relações Exteriores e outros órgãos públicos também utilizam essa nomenclatura e essa sigla (AIEA).

Com essa breve explanação, ao se utilizar a terminologia adequada, linguística e culturalmente, a mensagem chegaria ao leitor que atua na área específica relacionada à ONU sem causar estranheza. O texto seria compreendido pelos leitores-fim sem qualquer dificuldade.

O fato é que existem inúmeros termos como esses que, mesmo entre línguas tão próximas como o Espanhol e o Português, necessitam de maior cuidado e até de uma pesquisa mais profunda do que uma consulta a um dicionário de línguas.

O mais importante é que não basta saber o idioma, é preciso conhecer a cultura e a área em que se está trabalhando, para que o produto de uma tradução seja o mais certeiro e eficaz possível.

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