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A Nação e seus Militares das FA - General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas - Comandante do Exército Brasileiro

Publicado: Sexta, 17 de Fevereiro de 2017, 13h37 | Última atualização em Segunda, 20 de Fevereiro de 2017, 17h26 | Acessos: 3969

GenVillasBoas

A sociedade brasileira já percebeu a necessidade de uma bem estudada reestruturação econômica em nosso País. Para tal esforço, a equipe técnica do Governo especificou medidas imprescindíveis para equilibrar as contas públicas.

Contudo, do que se pode concluir da “guerra de versões”, alimentada ao sabor de vários interesses, se aquelas ações não forem calibradas e justas, os resultados poderão ser desastrosos para as nossas Forças Armadas.

Parcela significativa da população ‒ e até mesmo de formadores de opinião ‒ desconhece tanto o funcionamento dos regimes de previdência quanto os principais aspectos discutidos na reforma ora em gestação.

Acende-se o alerta de que é impositiva uma acurada atenção da parte dos mentores das mudanças para evitar que, na ânsia de proceder à correção de rumos e à supressão de “privilégios”, cometam injustiças, por ignorarem as peculiaridades espartanas da profissão militar, que possam vir a descaracterizar ou até mesmo tornar inviáveis a Marinha, o Exército e a Aeronáutica.

As Forças Armadas são instituições permanentes de Estado que exigem de seus quadros requisitos que extrapolam meras relações trabalhistas entre empregador e empregado e caracterizam a essência da profissão militar: servir à Nação, sem nenhuma contestação.

Essa relação da sociedade com seus militares é uma espécie de “contrato social”, no qual fica acordado que as restrições de direitos ‒ às quais aderem os militares ‒ são recompensadas com a devida proteção social que lhes confere a Nação.

Importante destacar que, nas discussões que tomam conta do País, os militares não se utilizam das peculiaridades da carreira para “ameaçar” a sociedade e assim obter tratamento temperado por “regalias”.

Nas distantes fronteiras do País, encontramos os militares. Na pacificação das comunidades no Rio de Janeiro, ali estão os militares. Na guarda das urnas eleitorais, eis os militares. Nas ações governamentais de defesa civil, nunca nos faltam os militares. Na distribuição de água, no semiárido nordestino, e no combate ao mosquito Aedes Aegypti, nos deparamos com os militares. Na segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, ali estavam os militares. No apoio à população do Haiti, lá nos representam nossos militares.

Sentimos muito orgulho de atuar sob quaisquer circunstâncias. É missão, estamos prontos! Tem sido cada vez mais frequente o clamor da sociedade por seus militares, por sua capacidade de pronta resposta, pela disciplina e pelo espírito de cumprimento do dever.

A dedicação integral e exclusiva ao serviço impede-nos de exercer qualquer outra atividade profissional. Se comparados com outras carreiras típicas do Estado brasileiro, é fácil notar que dependemos, há tempo, de soldos incompatíveis com o que o dever nos exige em termos de dedicação e de responsabilidade.

Pouco conhecido do público é o fato de que, ao final da carreira de 30 anos, quando transferido para a inatividade, as horas trabalhadas pelo militar equivalem a 45 anos, se comparadas às de um trabalhador civil. Isso se deve à realização de atividades de adestramento e de operações continuadas, além dos serviços de escala de 24 horas, seguidas de expediente no dia posterior, inclusive em finais de semana e feriados, tudo isso sem os conhecidos direitos sociais e trabalhistas legalmente concedidos aos trabalhadores das outras classes, tais como o adicional de periculosidade, o FGTS e as horas extras.

Ressalta-se que o militar não pleiteia esses direitos, pois são incompatíveis com as exigências legais da “carreira das Armas”. O mais importante é cumprir o juramento do soldado perante a Bandeira Nacional: “ dedicar-se integralmente ao serviço da Pátria e defendê-la com o sacrifício da própria vida” – por esse compromisso não há preço a pagar.

No entanto, é mister perguntar: a sociedade aceitaria que um militar não se apresentasse para uma missão sob a alegação de que “está na folga, após o serviço”? A sociedade estaria disposta a “pagar horas extras” pelo emprego continuado, nas missões de garantia da lei e da ordem? Logo, é impróprio entender como “privilégio” o que, na verdade, é um cerceamento de direitos e imposição de deveres.

Os militares já contribuíram, pesadamente, para o esforço de redução de custos do Estado. Em 2001, foi realizada ampla “reforma” no sistema de proteção social dos militares das Forças Armadas. Naquela ocasião, vários direitos foram suprimidos, tais como: o adicional de tempo de serviço, as licenças especiais e a pensão para as filhas.

Essa discussão deve ser mais aprofundada e não se restringir somente a uma questão numérica de simples redução de custos. Ela deve incluir, como questionamento, o que a sociedade deseja de seus cidadãos-fardados: profissionais militares, com prontidão, motivação e dedicação exclusiva, ou milícias, cuja disponibilidade permanente à Nação ficaria limitada por direitos individuais regidos por legislação trabalhista ou conchavos espúrios?

Os argumentos apresentados ao longo deste artigo podem parecer ideias exclusivas do estamento militar. Não é verdade! Em recente trabalho realizado pela Fundação Getúlio Vargas, - e não se pode duvidar do reconhecimento acadêmico e da isenção dessa instituição -, ficam claras as especificidades da nossa carreira e as razões para que não se mesclem argumentos de ordem econômica com a defesa da sociedade brasileira, à qual servimos.

Neste momento crucial, em que a Nação busca mares calmos e bons ventos que a levem a porto seguro, faz-se necessário que o Estado e a sociedade procedam à urgente e inadiável equalização das contas públicas e, simultaneamente, ponderem acerca de não desfigurar a essência das nossas Forças Armadas e de não ferir de morte a alma de seus militares, o que - livre - nos Deus - seria inaceitável.

 

Comentários   

+1 #4 JOSÉ DEMERVAL DE SOU 22-02-2017 15:56
- Há que se dar a mais ampla divulgação do pensamento do Exército Brasileiro à todos os meios de comunicação existentes .
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+6 #3 Glória Peixoto 18-02-2017 11:13
Bom dia General! Como cidadã brasileira que viveu os melhores anos de sua vida durante o Regime Militar de governo, venho implorar para que as FFAA cumpram com seu dever e assumam o comando do "barco à deriva". O Brasil precisa ser resgatado e só quem pode fazer isso são os militares. Não se demorem, em nome sa Deus, Pátria e Família.
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+1 #2 RODRIGO STOCHINI 17-02-2017 23:10
Gostaria de saber se o povo Brasileiro irem as ruas para clamar uma intervenção militar mostrando para a mídia e para a ONU que deseja que os militares retomem o controle de nossa politica agindo na lei constitucional , lei e a ordem , pois sabemos que esse governo é totalmente corrupto e não representa o povo brasileiro , sabemos que somente o exercito brasileiro pode intervir nessas situações , sabemos que nossos direitos estão sendo usurpados por esses políticos , sabemos que esses políticos que estão no poder são verdadeiros criminosos , percebemos uma frase que a vossa senhoria disse que as instituição estão funcionando normalmente , gostaria de saber da onde a vossa senhoria está vendo que as nossas instituição estão funcionando normalmente ? em que pesquisa a vossa senhoria está pegando para dizer isso ? aqui fica a minha indignação . https://www.facebook.com/Interven%C3%A7%C3%A3o-Militar-No-Brasil-532945676836814/
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+2 #1 Maria Cristina Reis 17-02-2017 22:55
Perfeito General !!!Tudo realmente perfeito!! Tenho muito orgulho das Forças Armadas e sei bem o que é isto! Com 2 irmãos já reformados sendo um falecido e estudou no IME e um filho Piloto (caçador)Ten.Cel.estou a par desta sofrida realidade ! Tenho passado isto para os amigos e vejo que a imensa maioria os apoia!! Continuem com este amor apesar das injustiças!! Nos orgulhamos de vocês!! Obrigada por proteger nossa Nação brasileira!Deus os abençoe imensamente!!!
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