De Clausewitz aos líderes atuais: o Brasil agradece

Em 1º de junho de 1780, na cidade alemã de Magdeburg, veio ao mundo o mais célebre teórico da guerra do mundo contemporâneo Von Clausewitz. Entre os acontecimentos mais importantes da época, um teve influência fulcral em sua vida e seu modo de pensar: o império de Napoleão Bonaparte. Não à toa, o estrategista prussiano carregou para si traços e características marcantes do imperador francês.

De origem humilde, filho de Tenente do Exército da Prússia, Clausewitz teve sua primeira experiência militar, em 1793, ainda adolescente. Em 1801, o jovem prussiano ingressou na Academia Militar de Berlim e obteve, ao final do curso em 1804, a primeira colocação geral. Entre as inúmeras funções exercidas, uma se destacou das demais: o cargo de Diretor da Academia Militar de Berlim, exercido entre 1818 e 1830. Nesse período, Clausewitz debruçou-se em reflexões sobre a essência do fenômeno da guerra, cujos resultados se materializaram na sua obra mais importante: Da Guerra. Vitimado pela cólera, faleceu em Breslau, em 16 de novembro de 1831, sem que houvesse concluído a redação de sua grande produção teórica. Quis o destino que sua esposa, Marie Von Bruhl Clausewitz, publicasse Da Guerra após sua morte, no ano de 1832.

Após a publicação, suas ideias ganharam força e impulso entre as mais variadas autoridades da Prússia. Pessoas como o general alemão Helmuth Von Moltkee e o Chanceler Otto Von Bismarck, principais articuladores da unificação alemã, incorporaram aspectos de sua teoria e os aplicaram na unificação alemã. No entanto, o pensamento de Clausewitz não se deteve ao momento histórico de sua produção. Seu alcance atravessou os anos e as fronteiras da Prússia. Da Guerra serviu de manual de políticas para algumas das potências mundiais no início do século XX, como a Alemanha e França. Na Guerra Fria, os postulados clausewitzianos influenciaram pensadores como Raymond Aron e André Beaufre. Não obstante, suas ideias cruzaram o Atlântico e alcançaram terras brasileiras, sendo consideradas por muitos, uma leitura obrigatória para todos os chefes militares.

Conforme descrito anteriormente, Clausewitz tinha apenas treze anos quando participou pela primeira vez de uma guerra. Nessa oportunidade, pôde testemunhar o caráter violento da batalha e presenciar cenas fortes que marcaram profundamente a personalidade e o pensamento do jovem militar prussiano, de tal forma que o fez estudar sobre a importância das forças morais num combate, as quais ficaram registradas em seu livro. Nesse tempo, os estrategistas não analisavam os efeitos psicológicos na guerra, pois eram considerações difíceis de serem estudadas, resumindo-se a tão somente compreender esse fenômeno sob uma lente mais voltada para as ciências exatas, algo mais tangível de ser estudado. Essa nova forma de pensar, dando importância e relevo para aspectos intangíveis em pleno século XIX, fez com que Clausewitz estabelecesse um rompimento conceitual com vários pensadores de sua época, pois não concordava com a ausência de elementos importantes que deveriam ser analisados na guerra: as forças morais e o aspecto psicológico.

Desde então, vários países reconheceram a relevância de valores como coragem, iniciativa e determinação numa guerra e se propuseram desenvolver tais atributos em suas Forças Armadas. Acompanhando essa tendência, o Exército Brasileiro, em 1967, acrescentou no currículo da Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN, de forma metodológica, os valores morais propostos por Clausewitz em seu livro Da Guerra. Desde sua origem até os dias atuais, o ensino militar vem se ajustando diante dos desafios contemporâneos, aprimorando e melhorando os processos voltados para o desenvolvimento de valores morais, considerados extremamente valiosos para a Instituição.

Levando-se em conta estas considerações, nota-se claramente a liderança exercida pelo General Villas Bôas. Sob o mantra da estabilidade, da legalidade e da legitimidade, o Comandante do Exército vem conduzindo habilmente os desígnios da Instituição, durante este conturbado período que o Brasil vem atravessando, direcionando a Força para o correto caminho a ser seguido e blindando-a de toda turbulência política.

Sua postura e atitude, nos momentos sensíveis, motivaram manifestações de respeito e admiração que extrapolaram os limites da Força, alcançando diversos setores da sociedade e sendo registradas em mídias sociais, jornais, revistas e programas de televisão. Superando o agravamento de seu estado de saúde, o General Villas Bôas vem revelando elevado sentimento do dever e imensurável devoção à Pátria.

Por fim, os ensinamentos de Clausewitz e as ações do General Villas Bôas devem servir de exemplos e estímulos à sociedade para que surjam líderes capazes de proporcionar o desenvolvimento social e econômico necessário, conduzindo o Brasil ao merecido local de destaque político-estratégico no cenário internacional.

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Comentários 6

Visitantes - Humberto Pires Costa em Quarta, 31 Outubro 2018 11:55

Cumprimentos ao autor pelo excelente texto.

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Visitantes - leonardo santos em Segunda, 29 Outubro 2018 10:50

Parabens ! Sou administrador da página logística militar e vou começar divulgar suas postagens e dos outros membros , belo trabalho.

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Visitantes - Martins em Domingo, 21 Outubro 2018 01:28

“A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor!” Esse trecho do hino do exército brasileiro retrata fielmente tudo aquilo que um ser humano dotado de um senso razoável de sensibilidade aspira. Quando se depara na realidade com os efeitos chocantes de um combate bélico, toda a fragilidade humana se apresenta. Como relatado no texto, o adolescente, Clausewitz, tinha apenas treze anos quando participou pela primeira vez de uma guerra. Imaginemos a situação dos pais de jovens que cumprem o serviço militar obrigatório e estes em pleno ano de sua juventude e alegria de viver, são enviados para um “front”, onde as chances de retorno com vida são os menores possíveis? Como pai de três filhos, homens, e com a idade bem acima das deles, porém em pleno gozo de saúde e vigor físico, seria até capaz de oferecer-me em sacrifício no lugar de qualquer um destes, para lhes darem a oportunidade de seguirem mais adiante em suas vidas, conforme Deus lhes proporcionasse. Tenho uma lembrança também traumática de quando estive expatriado no Iraque, 1982, durante um período da guerra contra o Iran. Devido a tantas baixas nos dois lados da guerra, jovens entre 15 e 16 anos foram enviados para o “front”. Houve um combate em que as munições acabaram e o enfrentamento se deu à base de pontas de baionetas caladas e outras armas brancas. Segundo jornalistas que trabalhavam em pleno fogo cruzado, os jovens inimigos, por força do instinto de sobrevivência se digladiaram aos prantos até a morte, e isso se tornou-se a maior das maiores comoções já presenciadas naquela guerra. O final dessa tragédia beligerante entre estas duas nações já é sabido, não houve vencedor e terminou com a resolução 598 da ONU. Quanto aos números incontáveis de mortos não se sabe ao certo. Sabe-se mesmo é do fim de vida de cada chefe supremo destes dois países, ou seja: cada qual com peculiaridades incomuns diante de tantos outros chefes de estados conhecidos já falecidos. Nem sempre chefes supremos são pessoas qualificadas para tal, se o fossem o mundo com certeza seria bem melhor. O sentido principal desse texto em forma de comentário é de concordar plenamente com a participação sábia, equilibrada e humanitária do comandante do EB. O general Villas Bôas é um exemplo a ser seguido pelo futuro comandante dessa força terrestre quando da mudança do Chefe Supremo da nossa Pátria. Por sua vez o futuro comandante em chefe das FFAA deverá ter um comportamento análogo ao do soldado superior ao tempo. Este deverá estar vacinado com um antídoto contra qualquer tipo de vaidade pessoal, ter grande resistência psicológica e pulso forte contra qualquer tipo de situação contrária ao ideal republicano e temperamento pacificador sem prejuízo das instituições que promovem o desenvolvimento social e econômico necessários ao novo rumo de destaque positivo no cenário mundial de nossa querida Pátria amada Brasil.

“A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor!” Esse trecho do hino do exército brasileiro retrata fielmente tudo aquilo que um ser humano dotado de um senso razoável de sensibilidade aspira. Quando se depara na realidade com os efeitos chocantes de um combate bélico, toda a fragilidade humana se apresenta. Como relatado no texto, o adolescente, Clausewitz, tinha apenas treze anos quando participou pela primeira vez de uma guerra. Imaginemos a situação dos pais de jovens que cumprem o serviço militar obrigatório e estes em pleno ano de sua juventude e alegria de viver, são enviados para um “front”, onde as chances de retorno com vida são os menores possíveis? Como pai de três filhos, homens, e com a idade bem acima das deles, porém em pleno gozo de saúde e vigor físico, seria até capaz de oferecer-me em sacrifício no lugar de qualquer um destes, para lhes darem a oportunidade de seguirem mais adiante em suas vidas, conforme Deus lhes proporcionasse. Tenho uma lembrança também traumática de quando estive expatriado no Iraque, 1982, durante um período da guerra contra o Iran. Devido a tantas baixas nos dois lados da guerra, jovens entre 15 e 16 anos foram enviados para o “front”. Houve um combate em que as munições acabaram e o enfrentamento se deu à base de pontas de baionetas caladas e outras armas brancas. Segundo jornalistas que trabalhavam em pleno fogo cruzado, os jovens inimigos, por força do instinto de sobrevivência se digladiaram aos prantos até a morte, e isso se tornou-se a maior das maiores comoções já presenciadas naquela guerra. O final dessa tragédia beligerante entre estas duas nações já é sabido, não houve vencedor e terminou com a resolução 598 da ONU. Quanto aos números incontáveis de mortos não se sabe ao certo. Sabe-se mesmo é do fim de vida de cada chefe supremo destes dois países, ou seja: cada qual com peculiaridades incomuns diante de tantos outros chefes de estados conhecidos já falecidos. Nem sempre chefes supremos são pessoas qualificadas para tal, se o fossem o mundo com certeza seria bem melhor. O sentido principal desse texto em forma de comentário é de concordar plenamente com a participação sábia, equilibrada e humanitária do comandante do EB. O general Villas Bôas é um exemplo a ser seguido pelo futuro comandante dessa força terrestre quando da mudança do Chefe Supremo da nossa Pátria. Por sua vez o futuro comandante em chefe das FFAA deverá ter um comportamento análogo ao do soldado superior ao tempo. Este deverá estar vacinado com um antídoto contra qualquer tipo de vaidade pessoal, ter grande resistência psicológica e pulso forte contra qualquer tipo de situação contrária ao ideal republicano e temperamento pacificador sem prejuízo das instituições que promovem o desenvolvimento social e econômico necessários ao novo rumo de destaque positivo no cenário mundial de nossa querida Pátria amada Brasil.
Visitantes - Anderson Carlos Jardim Listp em Sexta, 19 Outubro 2018 11:39

Excelente texto, Ten Cel Anselmo. Parabéns pelo excelente trabalho.

Excelente texto, Ten Cel Anselmo. Parabéns pelo excelente trabalho.
Visitantes - Gustavo Henrique Cordeiro Cavalcanti em Quinta, 18 Outubro 2018 22:28

Excelente artigo, esclarecedor e objetivo. Parabéns!

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Visitantes
Domingo, 18 Novembro 2018