A Liderança e a Mística

​Falar de Liderança pode parecer iniciativa pretensiosa diante da quantidade de livros, artigos, trabalhos acadêmicos e outros materiais publicados no mundo inteiro sobre o tema. No Brasil, há textos excelentes do General Alberto Mendes Cardoso e do Coronel Mario Hecksher, estudiosos do assunto no campo militar.

Em muitas das leituras disponíveis, deparamo-nos com as características pessoais e as condutas que tipificam os líderes, além dos valores que defendem. São proposições que traduzem imenso poder influenciador, muitas vezes exemplificados por relatos ocorridos em situações extremas, a exemplo das experiências reais de combate durante a Guerra da Tríplice Aliança (1865-1870), que revelaram atuação destacada de grandes líderes militares, como o Brigadeiro Sampaio e o Duque de Caxias.

Predispus-me a trabalhar com a dimensão das perguntas e menos com a das respostas, a fim de fomentar algo novo. Sendo assim, destaco os primeiros questionamentos para reflexão. Para o líder, qual deve ser o verdadeiro sentido das coisas? Será que há uma Liderança categorizada como verdadeira, associada aos valores universais do bem comum? Existe Liderança quando se atende a interesses escusos e meramente pessoais? Qual deveria ser a visão de mundo dos líderes atuais?
Pode-se dizer que, desde a Grécia Antiga, os pensadores criaram teorias na tentativa de explicar o mundo a nossa volta. Todas elas convergem, praticamente, para duas propostas: a Materialista e a Idealista.

O alemão Karl Marx talvez seja o nome mais conhecido entre os materialistas, pois é autor de uma ciência conhecida como Materialismo Histórico, cuja proposta assegura que o mundo é pura matéria que se impõe a nós, indivíduos. Segundo ele, a única realidade relevante é a da matéria existente, que influencia, diretamente, na maneira de pensar e de agir dos homens. Para os materialistas, o objeto é mais importante que o seu observador.

Esse pressuposto é questionado pelos idealistas, na medida em que estes, por sua vez, acreditam ser o mundo uma realidade inatingível, de modo que a ideia formada a respeito dele deve se sobrepor ao que realmente ele possa ser. Para os idealistas, o foco estará no observador e não no objeto observado.

Se você, leitor, não teve dúvidas de que a Liderança está mais ligada à visão idealista de mundo, certamente, está apto a continuar esta leitura. Uma das maiores críticas ao Materialismo está no fato de ele não permitir que a ideia transcenda a matéria, embora os mais céticos possam afirmar que explicar o mundo material pela própria matéria seria tão inadequado quanto qualquer outra justificativa idealista.

A reflexão conjuntural para tentar explicar os contextos mundiais, em que as idiossincrasias e os conflitos culturais falam mais alto é, sim, puro Idealismo. Quem terá o domínio no século XXI? Os líderes asiáticos, supostamente mais disciplinados, ou os ocidentais, teoricamente mais criativos? Essa questão foi discutida no livro Clash!, de Hazel Markus e Alana Conner (2013). Sempre haverá espaço para objeções e subjeções.

Por tudo isso e antes de qualquer coisa, a Liderança, na atualidade, precisa estar em estrita consonância com o esforço em prol da vida de paz e harmonia com as pessoas e com a natureza, pois dessa visão de mundo depende a sobrevivência do nosso planeta. Simples assim.

Aqui apontamos para a Liderança, tal como é definida por Robert Rabbin, em seu livro Liderança Invisível (2001). Nele, o autor a define como mística, oculta, na qual a alma (algo imaterial e que nos difere dos animais) ganha destaque, atrelada à percepção e à intuição, em detrimento da análise racional.

O termo "mística" é bastante conhecido no meio militar, mas, normalmente, aparece em contextos associados às tradições, o que mostra grande limitação de seu verdadeiro significado. Para Rabbin, a mística que, na linguagem coloquial, está associada ao "devaneio" e à "obscuridade", tem significado oposto: representa a experiência de vínculo imediato com a vida em si mesma e proporciona aproximação com a realidade.

A essência da experiência mística está no fato de se buscar caminhos para entender que servir à vida é mais nobre que dominar a própria vida. Isso reposiciona os indivíduos a um patamar diferenciado da existência acima de ideologias, posições políticas ou interesses materiais. A exemplo dos militares por profissão, a quem tem o propósito da servidão ao coletivo, em detrimento dos interesses pessoais, essa busca torna-se quase um dever fundamental.

Ser místico, portanto, é ter habilidade de ouvir a voz interior, no contexto daquilo os chefes militares chamam de "solidão do comando". O propósito é o de conseguir enxergar além do óbvio e questionar o que nos bombardeiam como "verdades", antes de simplesmente aceitá-las como tal. A mística é uma espécie de filosofia de vida, de grande alcance por parte daquele que a pratica, proporcionando-lhe visão holística da realidade circundante.

Religiosidade, espiritualidade, introspecção, meditação, amor, compaixão, silêncio, consciência: não importa o caminho empreendido rumo à experiência mística. O fundamental é a percepção de que o mundo material apresenta variada gama de atrativos, que pode nos tornar dependentes e subservientes. Insistir no propósito baseado nos valores essenciais universais e no desapego talvez seja a tarefa mais difícil que nos compete. Esse, sim, é um desafio para os verdadeiros líderes dos novos tempos.

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A gênese da brasilidade e o contexto atual

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  • "(...) Fusão de raças, forte semente, / Em Guararapes pujante surgiu, (...)". Esse trecho do Hino a Guararapes resume bem o evento histórico que é considerado a gênese de nossa nacionalidade. A intenção do texto é demonstrar a convergência entre nossa brasilidade e a formação do Exército Brasileiro.

Em 1580, com a morte do Rei de Portugal, o Rei da Espanha, Felipe II, unificou as coroas portuguesa e espanhola, formando a União Ibérica. Em consequência, tratou de eliminar as relações comerciais que Portugal tinha com a Holanda, já que os holandeses estavam em guerra contra os espanhóis. Nesse período, a Marinha Portuguesa esteve enfraquecida e a principal estratégia de combate dos holandeses era atacar as colônias da União Ibérica.

A primeira invasão holandesa no Brasil Colônia aconteceu em Salvador, sede do Governo-Geral, mas o objetivo principal da Holanda era a ocupação do Porto de Recife, ponto estratégico para a expansão de seus domínios, por estar mais próximo da Europa e dos engenhos produtores de açúcar. No momento das invasões holandesas, o Brasil Colônia estava militarmente enfraquecido, devido à crise econômica e política de Portugal, quase não havendo fortes e fortalezas.

No dia 14 de fevereiro de 1630, chega ao litoral pernambucano a expedição holandesa, com mais de 70 navios, 8 mil homens e 1100 canhões. Recife e Olinda são ocupadas e as forças de resistência têm que se reorganizar no interior do território de Pernambuco, sob a liderança de Matias de Albuquerque.

Em 19 de abril de 1648, a resistência havia mobilizado uma força libertadora, que contava com a participação de brancos, negros, índios e mestiços (algo nunca visto na colônia), todos do mesmo lado, comandados por Fernandes Vieira, Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Filipe Camarão. Essa força impôs duas fragorosas e decisivas derrotas ao adestrado exército holandês nos Montes Guararapes. A luta combinou táticas de guerrilha e de emboscada, utilizando meios expeditos de combate, como chuços, escudos de couro endurecidos, paus afiados, tostados e, principalmente, tendo o terreno a favor dos luso-brasileiros Essa nova forma de combate foi decisiva na vitória da força libertadora e ficou conhecida como "Guerra Brasílica". Estava pronto o embrião de uma força brasileira que cunhava sua própria doutrina de luta.

Nesse contexto, quando Pernambuco ainda estava dominado pelos holandeses, pode-se observar que Portugal já não tinha mais o domínio da colônia e que o invasor holandês, representado, principalmente, pela figura de Mauricio de Nassau, trouxe melhorias significativas para o Recife. Então, o que motivaria a reunião de cidadãos locais na composição de um exército libertador, formado por pessoas de interesses difusos, culturas diferentes e posições antagônicas, em um território já dominado e distante de sua metrópole?

A resposta parece estar no vínculo que uniu esses indivíduos - negros escravos, forros, mestiços, brancos e índios - para lutar em defesa do seu território, numa "fusão de raças". Foi o vinculo afetivo, que ligava essa gente a sua terra paterna, que proporcionou a união de todos para a libertação de sua Pátria. Ali houve o início da formação de um povo, uma "forte semente". Essa foi a gênese da nacionalidade brasileira, construída na dificuldade e com a união de diversas culturas em prol da defesa de uma iminente Nação.

Dessa forma, alcançou-se a vitória e a primeira definição de gente brasileira, forjada na batalha desigual contra um poderoso exército, superando dificuldades com coalizão, criatividade e inovação. Hoje, percebe-se que o berço da nossa nacionalidade está ligado à composição de um vitorioso exército libertador, formado pela fusão de raças. Esse laço de identidade, constituído entre a população e o Exército Brasileiro, fica evidente pela capacidade de que a Instituição tem de representar os diversos segmentos da sociedade brasileira, agregando valores em defesa da Pátria.
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A função interacional dos brados de guerra

Existe uma prática comunicativa bastante comum entre militares de Forças Armadas de diversos países do mundo. A mesma prática é verdadeira no Exército Brasileiro: a utilização de brados de guerra durante os intercâmbios interacionais.

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A Força Terrestre e o conceito de Segurança Integrada

​Maj Joel Cajazeira - Coautor do Artigo -


A ordem global contemporânea tem se caracterizado por um ambiente multipolar e assimétrico, no qual prevalecem a incerteza e a possibilidade de inúmeros atores gerarem insegurança. O século XXI apresenta desafios mais complexos do que os enfrentados durante o período de confrontação ideológica bipolar. Assim, à luz de uma agenda global conflitiva e complexa, cujo alcance tem perpassado a esfera doméstica e internacional, observa-se a mudança da percepção costumeira das ameaças à segurança, tanto do Estado quanto dos indivíduos.

Tal dinâmica é carreada pelo terrorismo catastrófico; por delitos transnacionais (com ênfase para o tráfico de drogas internacional); por conflitos étnicos; por 'revoluções coloridas'; por disputas energéticas e ambientais; e pela atual 'crise dos refugiados'. Fruto desse quadro, constata-se a ascensão de novos atores no 'jogo global', como o crime organizado transnacional (COT) e as organizações terroristas transnacionais.

Transpondo para o cenário brasileiro no período pós-Guerra Fria, sabe-se que a Constituição Federal (CF) de 1988, no seu artigo 144, trata do termo 'segurança pública'. Conforme a CF, "A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, (...)" (BRASIL, 1988). Para isso, determina como principais órgãos de segurança pública (OSP): a Polícia Federal; a Polícia Rodoviária Federal; a Polícia Ferroviária Federal; as Polícias Civis; as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares.
Já no artigo 142, a CF prevê que as Forças Armadas (FA) "destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer um destes, da lei e da ordem". Logo, o Brasil é uma República Federativa, na qual a segurança pública é responsabilidade direta das polícias federais e estaduais, mas que admite o emprego das FA para garantir a lei e a ordem em casos excepcionais.

Nas fronteiras brasileiras, os ilícitos transnacionais dividem-se em duas vertentes: a dos crimes contra a pessoa, envolvendo o narcotráfico, o tráfico de armas e munições e o tráfico humano; e a dos crimes financeiros, como a lavagem de dinheiro. Desse modo, a grande extensão da fronteira terrestre, a escassez de recursos, o número insuficiente de postos de fiscalização, o pequeno efetivo de agentes federais e a corrupção fragilizam o controle estatal na faixa de fronteira.

Nos grandes centros urbanos, as ameaças estão associadas ao crescimento desordenado. Há questões de toda ordem: problemas ambientais e sanitários, poluição, deficiências na mobilidade urbana e um precário mercado de trabalho. Portanto, processos de urbanização indisciplinados produzem cidades frágeis, marcadas por desigualdades sociais e por altas taxas de letalidade, privando determinadas áreas do acesso aos serviços públicos e da proteção estatal.

Em consequência, as favelas brasileiras são a materialização da desigualdade social e constituem-se em meio fértil para a propagação da violência e de inúmeras ameaças à segurança do Estado e dos indivíduos. Com o avanço dessas organizações criminosas, já na década de 2010, observa-se o surgimento de black spots (pontos negros) nas grandes cidades, fruto da falha na governança por parte das Autoridades Centrais.

No rol das respostas deflagradas pelo Estado Brasileiro, há uma série de ações com ênfase na Expressão Militar do Poder Nacional, que é a capacidade resultante da integração dos meios da Nação, acionados pela vontade nacional, com o objetivo de manter e de conquistar os objetivos nacionais. Assim, no século XXI, é recorrente o emprego das Forças Armadas em operações, entre as quais se destacam as ações de estabilização de comunidades, a manutenção da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em face de greves de policiais e a garantia do pleito eleitoral.

No âmbito do Exército Brasileiro (EB), avançando no fomento das operações interagências, a Portaria n.º 192 do Estado-Maior do Exército, de 21 de novembro de 2012, aprovou a Diretriz para a implantação do Projeto Estratégico PROTEGER, com o objetivo de viabilizar ao Exército a capacidade efetiva para a proteção das Estruturas Estratégicas Terrestres nacionais, em complemento aos sistemas de segurança orgânica e de segurança pública.

Na perspectiva da Proteção Integrada, contida no Manual de Operações do Exército, passou-se a abarcar todas as medidas necessárias para proteger a sociedade, num esforço essencialmente interagências, nas seguintes atividades: garantia dos poderes constitucionais; garantia da lei e da ordem; proteção de estruturas estratégicas; prevenção e combate ao terrorismo; e participação da Força Terrestre em ações na faixa de fronteira.

Esse repertório de atividades é conduzido pela Força Terrestre nas Operações de Apoio a Órgãos Governamentais, alcançando sete possibilidades de emprego, sendo cinco delas reunidas sob a demanda da Proteção Integrada (garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem; proteção de estruturas estratégicas; ações na faixa de fronteira; prevenção e combate ao terrorismo; e ações sob a égide de organismos internacionais), e somadas ao emprego no apoio à política externa em tempo de paz ou de crise; e às atribuições subsidiárias.

Percebe-se que o termo "Proteção Integrada" é de natureza restritiva, pois limita o entendimento a situações concretas quanto ao bem proteger e aos atores intervenientes. O conceito de "Segurança Integrada" é o mais adequado à atuação conjunta em ambiente interagências e, consequentemente, é mais apropriado para os estudos doutrinários.

Como única referência conceitual existente na Doutrina Militar de Defesa, segurança integrada trata da "expressão usada nos planejamentos de garantia da lei e da ordem da Força Terrestre, com o objetivo de estimular e caracterizar maior participação e integração de todos os setores envolvidos."
Portanto, há espaço para uma política pública permanente, com a finalidade de otimizar a perspectiva da segurança integrada e da sua gestão, especialmente quando se observa a atual instabilidade da situação da segurança no Brasil, perpassada por ameaças que transitam da esfera da segurança nacional para a da segurança pública.

* O artigo é um extrato do Projeto Interdisciplinar (PI) sobre SEGURANÇA INTEGRADA dos alunos do 2º ano do Curso de Comando e Estado-Maior do Exército (CCEM) da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).

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A Evolução da Estratégia de Comunicação Social do Exército Brasileiro: criação da AGÊNCIA VERDE OLIVA

 A comunicação social, fruto da evolução social e tecnológica, possui lugar de destaque em todas as organizações e instituições, tanto públicas, quanto privadas. A sua atuação prioritária é visível na atual conjuntura nacional e internacional. Os meios mudaram, migrando do suporte impresso para alcançar as mídias eletrônicas e digitais, porém, a informação ainda é um elemento de extrema importância.

O Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx) foi criado em 1981, embora a área de Relações Públicas já atuasse, desde 1951, no então Gabinete do Ministro da Guerra. O Centro é o órgão central do Sistema de Comunicação Social do Exército (SISCOMSEx) e tem por missões: assessorar o Comandante do Exército nessa capacidade; planejar, supervisionar, orientar, coordenar, controlar e promover as atividades de comunicação social do Exército, com o intuito de proteger e fortalecer a imagem da Instituição.

No processo evolutivo da comunicação social no Exército (EB), o período posterior aos governos chefiados por presidentes militares, coincidente com os primeiros passos do CCOMSEx, ficou caracterizado pela adoção da estratégia de comunicação de não gerar ressonância a temas polêmicos e que resgatassem, com distorções, assuntos relacionados aos governos militares. Essa postura ficou conhecida como "Estratégia do Grande Mudo".

Nessa fase, o EB, pela ação firme dos Comandantes que se sucederam e do Alto Comando, transpôs uma etapa turbulenta, com serenidade, competência, disciplina e profissionalismo, e conseguiu superar as adversidades e a oposição de ideias difundidas em vários veículos de comunicação, em especial, nas "mídias de massa" (TV, rádio e jornal).

Todavia, "O tempo é o senhor da razão", como afirma o adágio português. Com o passar dos anos, já no século XXI, o EB retomou o seu lugar de destaque devido ao chamamento da própria população, mostrando-se imprescindível para a sociedade brasileira. A Força passou a angariar elevada confiança e a ter mais visibilidade nos meios de comunicação, que passaram a projetar as atividades realizadas nas vertentes do "Braço Forte" (ações operacionais nas fronteiras; garantia da lei e da ordem (GLO) nos centros urbanos; atendimento a compromissos internacionais do Brasil, como o emprego no Haiti); e da "Mão Amiga" (atendimento em calamidades públicas, nas enchentes e na distribuição de água a 4 milhões de pessoas no semiárido nordestino, nas ações cívico-sociais, entre outras ações). Essa atuação proativa ressalta as principais peculiaridades do Exército: a prontidão e a disponibilidade permanentes.

O advento da Internet e das mídias sociais causou significativa mudança no processo comunicacional, cujo fluxo da informação, que era unidirecional, do emissor para o receptor - um consumidor passivo de mídias -, evoluiu para uma participação ativa do interlocutor no relacionamento com as organizações, ampliando o diálogo sobre fatos polêmicos em todas as esferas (elogio, sugestão, crítica e cobrança).

As transformações no mundo digital e o aumento da demanda e da exposição do Exército permitiram que a Instituição se lançasse no ineditismo das mídias sociais a partir de 2010, com o intuito de incrementar o contato direto com os públicos-alvo de interesse.

Hoje, o Exército Brasileiro é o órgão da administração pública federal com o maior número de seguidores no Facebook, tendo 3,6 milhões de pessoas. O Twitter da Força atingiu a marca de 189 mil usuários; o Instagram, 520 mil; e o Youtube, 271 mil inscritos. São números relevantes para uma instituição que objetiva ser mais transparente e alinhada aos anseios da população a que serve e à qual deve consideração e resultados.

Nos últimos anos, o Brasil tem vivido momentos de instabilidade política, econômica, social e, principalmente, ética e moral. Paralelamente, o Comandante do Exército, com visão de futuro e liderança inspiradora, requereu a evolução da comunicação social da Força, a fim de vocalizar para a sociedade que o EB iria pautar as suas condutas em três pilares: a legalidade, a estabilidade e a legitimidade. Essa atitude precursora na comunicação social conduziu o Exército ao papel de "protagonista silencioso" nesse momento da vida nacional.

Aliado com a intenção do Comandante da Força, o CCOMSEx tem buscado a atuação multidisciplinar, usando várias plataformas, com linguagem adequada e em diferentes vertentes de relacionamento com a sociedade e com os veículos de comunicação, cuja finalidade é "vender e entregar", com oportunidade, as pautas prioritárias que o Exército possui em diversas áreas de atuação, da operacionalidade à ciência e tecnologia, perpassando pela educação e cultura. A intenção é fazer com que o EB seja uma fonte primária de informação, em virtude da grande confiabilidade junto à população.

A decisão de criar uma agência de notícias - a AGÊNCIA VERDE-OLIVA -, combinada com as constantes inovações e melhorias sinérgicas, implementadas no planejamento, no relacionamento com a mídia, na produção e na divulgação de produtos, nas relações públicas, na informação ao cidadão, na tecnologia da informação e na administração e gestão, vai ao encontro dessa nova fase de desafios para a comunicação social do Exército, na busca incessante de tornar-se mais proativa e efetiva na difusão das atividades da Instituição, a fim de permitir que a Força seja, cada vez mais, motivo de orgulho e de confiança para seus integrantes e para a Nação brasileira.

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