O que o Exército me ensinou sobre liderança: a liderança nos diferentes níveis

Um questionamento bastante frequente quando se está tratando do assunto Liderança é se ela ocorre do mesmo modo, em todos os níveis. Um jovem tenente, comandante de um pelotão formado por cerca de trinta homens, lidera da mesma forma que um general, que comanda alguns milhares?

A resposta não é tão simples como pode parecer. Para tentar esclarecer o assunto, precisamos tratar dos conceitos de Liderança Direta e Liderança Indireta. A primeira é aquela exercida pelos comandantes diretamente sobre seus subordinados. É a liderança do "olho no olho", em que o líder estabelece vínculos diretos com seus liderados. É nela que o exemplo se manifesta de modo mais intenso. A última é aquela exercida pelos comandantes de nível mais elevado, por intermédio de seus líderes subordinados, sem o contato direto, utilizando-se de uma cadeia de comando.  

Assim, parece claro que, enquanto os líderes nos primeiros níveis de uma cadeia de comando, como os tenentes, exercem basicamente a Liderança Direta, aqueles que estão nos últimos níveis exercem, em muito maior proporção, a Liderança Indireta. Enquanto os primeiros lideram times, os últimos comandam "times de times".

Se as crenças e os valores que forjam o caráter do líder permanecem imutáveis ao longo de todos os níveis da organização, as competências, certamente, não são as mesmas. A Liderança Direta exige ação para o atingimento de objetivos definidos. A Liderança Indireta exige a capacidade de inspirar líderes subordinados à ação para o atingimento de vários objetivos, diferentes e complementares, que, em conjunto, levarão a organização como um todo a alcançar suas metas.

Se, na Liderança Direta, as competências técnicas são fundamentais, na Indireta as habilidades político-estratégicas ganham destaque. Um tenente conhece todos os modernos sistemas de armas utilizados por seu pelotão. Um general cria visão de futuro, impulsiona as mudanças em direção dessa visão e alinha estratégias para que se chegue até lá.

Neste ponto, podemos retornar à pergunta do primeiro parágrafo. Líderes de diferentes níveis lideram da mesma forma? A resposta a essa pergunta é dada ao se verificar que tipo de liderança está sendo exercida naquele momento: direta ou indireta? Meditar sobre isso nos auxilia a entender melhor o fenômeno da Liderança.

(Colaboração de aluno da ECEME)

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A liderança no nível político

Os jornais mais importantes do País têm dedicado diversos editoriais e textos de opinião, nos quais se diagnostica a ausência de lideranças políticas capazes de "aglutinar sentimentos, representar vontades, promover consensos e levar adiante projetos que ultrapassem os interesses particulares". Atesta-se, portanto, repetidas vezes, a falta que os líderes fazem ao Brasil nesse momento de gravíssimas dificuldades políticas, econômicas e sociais.

Realmente, não há exemplos na história recente do Brasil de um momento em que lideranças políticas fossem tão escassas, tão difíceis de ser apontadas. Pretensas lideranças foram engolfadas por escândalos e deixaram órfãos aqueles que, de boa-fé, creditavam-lhes alguma dose de confiança na capacidade de conduzir os destinos da Nação.

Lideranças políticas podem ser definidas como pessoas com a capacidade de influenciar outras, por intermédio da criação de vínculos afetivos (respeito, admiração, confiança), de modo que os cidadãos sejam levados a acreditar que o líder conduzirá o grupo – no caso, o próprio país – pelos melhores caminhos para a superação de todas as dificuldades que se apresentam.

Três devem ser os focos de trabalho das lideranças políticas: o primeiro é o de criar uma visão de futuro para a coletividade a que servem. Assim, as lideranças devem ter o exato objetivo de para onde querem conduzir a sociedade que as elegeu. O segundo foco é a mudança. Para isso, devem ter clara a noção da realidade que as cerca, saber exatamente em que ponto a sociedade se encontra e quais deverão ser as medidas que conduzirão à situação a que desejam chegar. O terceiro é o alinhamento das políticas, estratégias, programas e projetos de governo, para que todos os ministérios, secretarias, agências e órgãos trabalhem em coordenação de esforços (e não em concorrência), na busca das metas colimadas.

Evidentemente, não é tarefa fácil. Em tempos normais, tudo isso exige preparo intelectual, capacidade de articulação, experiência política, entre outras qualidades. Em época de crise, como a que vivemos, some-se a essas expertises uma sólida crença nos valores caros à sociedade que o líder representa, valores esses como honra, honestidade, amor à verdade e à justiça, respeito aos cidadãos (que devem ser, genuinamente, considerados dignos de reverência, deferência e gratidão), integridade e patriotismo, colocando-se os interesses da Pátria acima das conveniências particulares.

Não há atalhos na formação de lideranças políticas. Estas são forjadas durante o caminho do serviço à sociedade, desde a experiência comunitária até o desempenho dos mais altos cargos da Nação. Não há, portanto, espaço para aventureiros ou "salvadores da pátria". Entretanto, vivemos dias em que é muito difícil reconhecer líderes que comunguem dos valores mais caros aos brasileiros. É, principalmente, por essa razão que os formadores de opinião na imprensa e a grande maioria dos brasileiros clamam por líderes capazes de aglutinar as vontades de todos os setores da sociedade, na busca de um caminho que nos conduza aos destinos a que aspiramos como cidadãos.

Crença em valores. É isso que os brasileiros esperam de suas lideranças. Somente pessoas que demonstrem essa capacidade conseguirão inspirar os brasileiros, unindo a sociedade em prol das soluções para os muitos problemas que nos afligem.




Autor – Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, Coronel de Cavalaria do Exército, é coordenador da Disciplina Liderança na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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