As Forças Armadas e a Sociedade

 
Há quase duas décadas, o então Ministro da Defesa, Geraldo Quintão, declarou que a comunidade civil brasileira tinha perdido contato com a agenda de Defesa, em função da anestesia de 130 anos sem conflito armado com países vizinhos, da falta de inimigos evidentes e do fato de que o assunto tinha ficado restrito ao setor castrense nos governos militares.

A ausência de conflitos armados e a descrença nas hipóteses prováveis de embates internacionais, latentes no seio do grande público, geraram intensa insensibilidade aos temas de Defesa, em contraponto a problemas sociais muito mais evidentes. Na lógica racional e imediatista da sociedade civil, as questões políticas, econômicas e sociais representam desafios e óbices mais palatáveis e emergentes do que as distantes concepções estratégicas de Defesa Nacional e os problemas tipicamente militares.


Por outro lado, o próprio estamento militar incumbiu-se, por muito tempo, de manter a sociedade distante dos debates sobre formulações de Defesa. O monopólio temático redundou na ausência de estímulos à sociedade e na consequente ignorância sobre o assunto. Da mesma forma, o reduzido impacto na pauta nacional e a falta de informações permearam, no passado recente, o tímido engajamento de organizações sociais, de universidades, de cientistas, de formadores de opinião e da imprensa nas questões castrenses.


Em contraponto, as Forças Armadas (FA) continuaram mantendo altos índices de aceitação e respeitabilidade, no âmbito do grande público. Esse fenômeno ocorreu, principalmente, em consequência da visibilidade das ações subsidiárias, sociais e policiais e não, necessariamente, em decorrência das missões tradicionais de defesa externa: missões que justificam a manutenção do aparato bélico, do permanente planejamento e preparo e da própria essência militar.


A confiança popular impulsionou o intenso emprego das Forças Armadas em atividades tipicamente policiais. O clamor da população quanto a sua utilização na Segurança Pública e o elevado respeito pela Instituição reacenderam o interesse da sociedade. Era preciso discutir os novos paradigmas e entender as dinâmicas que, por algum tempo, ficaram por trás do debate nacional. Por que essas intuições negligenciadas e subvalorizadas seriam agora a solução para a segurança da sociedade? A percepção mudou? A Instituição mudou? Ou ambas mudaram?


Essa mudança de ambiente tornou-se fundamental para a inclusão do debate na sociedade. O público abriu-se a fundamentações discutidas em profundidade e a convicções assentadas em lógicas mais racionais, fruto de debates e teses de especialistas. Esse novo momento de reavaliações poderá alterar o julgamento, por meio de convicções centradas em discursos prontos e em sensações de verdades que oprimiram o debate e condenaram os militares, por vezes, a um julgamento com juris surdos.


Estamos diante de um momento de reformulações. Na verdade, a iniciativa partiu da própria sociedade diante da falência da Segurança Pública no País. É interessante o fato da sociedade depositar total confiança nas FA como única instituição com capacidade, competência, profissionalismo, devoção e retidão para enfrentar um desafio não tipicamente da área de Defesa. O paradoxo está lançado e é ele que fomenta o novo status quo da relação.


A imprensa é a imagem desse processo. Após o fim dos governos militares, a mídia adotou postura de silêncio ou denuncismo frente aos fatos e temas castrenses, seja pelo parco interesse público, seja pelos ressentimentos de parcela de seus profissionais por antigas censuras e denúncias de excessos cometidos. A exploração jornalística dos atos de censura e de repressão política do passado criou bandeiras políticas de atenção popular e de relevantes índices de audiência. Essa abordagem, fomentada por uma ampla cobertura da mídia, gerou constrangimentos e desconfianças por parte do segmento fardado, trazendo reflexos até os dias atuais.


Atualmente, o perfil da imprensa modificou-se. O crescente emprego das FA em ações subsidiárias e de Garantia da Lei e da Ordem, concedeu destaque e relevância ao aparato militar. Assim, a importância atual das FA, mesmo não calcada na atividade-fim, tem iluminado a atividade militar e provocado debates no meio jornalístico e acadêmico, com reversão do modelo de silêncio e denuncismo da imprensa e de desprestígio e distanciamento dos políticos.


O debate sobre a temática da Segurança Pública tornou-se um impulso para a sociedade procurar discutir e conhecer as FA e suas missões. O discurso retroalimentou o interesse e instigou a formação de especialistas em assuntos bélicos, tanto na imprensa quanto na universidade.


O marco mais visível do quadro atual é a estatura política do Comandante do Exército, com força para pautar a imprensa e influir nas decisões governamentais em assuntos que reverberam na tropa. Esse estado é consequência da melhor interação entre civis e militares, do melhor conhecimento mútuo, do maior entendimento e do reconhecimento da importância da missão militar.


O sucesso midiático do Comandante está ligado à utilização de poderoso  instrumento de comunicação social: as mídias sociais. A agilidade do Exército em incorporar as novas formas de comunicação ampliaram a capacidade de divulgação de seu discurso e o alcance da sua voz. As mídias sociais, a busca pelo conhecimento e a mudança da imprensa tiraram as FA e sua temática de tráz da cortina. A exposição trouxe novos interlocutores, novas análises e, principalmente, novas indagações.


O novo momento trouxe os militares para perto e para dentro, como membros e solução. Assim, a proximidade favoreceu a troca, o consenso, o conhecimento, a discussão e, acima de tudo, o reconhecimento e a compreensão. Em síntese, estamos diante de uma oportunidade para consolidar a interação entre os soldados e a sociedade brasileira: um processo longo e difícil diante das lógicas de um passado recente que colocaram os temas castrenses e seus interlocutores fora da cena e em um mundo à parte.


Os grandes responsáveis por esse fomento serão os militares. São eles os principais beneficiados do processo. O desconhecimento trouxe, no passado, pesados fardos às instituições, ao perderem completamente a habilidade de diálogo e o convencimento acerca dos interesses institucionais, o que afetou seriamente suas capacidades e motivações.


Assim, as FA poderão intensificar os intercâmbios com o meio acadêmico civil no intuito de formar uma massa crítica capaz de produzir conhecimentos ambivalentes e de difundir, nacionalmente, a importância da temática da Defesa Nacional para todos os cidadãos.


Quanto à imprensa, os militares devem aprofundar o novo perfil de comunicação social, procurando “mostrar mais” suas ações, como segmento social humanizado, devotado e integrado à sociedade e como símbolo de profissionalismo e disciplina aos preceitos legais, adotando, dessa forma, uma ação ainda mais proativa.


Outrossim, deve-se aprofundar os contatos e debates com as diversas mídias, trazer jornalistas para conhecer os quartéis, principalmente aqueles que mais atuam na temática, independentemente de sua linha de análise. É importante ouvir e ser ouvido, para que se possa compreender as lógicas. Abrir espaços para as divergências intelectuais é primordial, pois elas exigem maior energia para compreendê-las ou para melhor contestá-las.


Finalmente, a população brasileira deve perceber o soldado solidário e capaz como um ser humano e um membro da família. A humanização visa permitir a identificação, buscando intensamente a integração, a inter-relação, o debate e a comunhão de valores. Os militares estão diante de uma grande oportunidade e de um desafio ainda maior.

 

O Sistema de Assessoramento Parlamentar do Exércit...
Inteligência eficaz não pressupõe ausência de conf...

Posts Relacionados

 

Comentários 70

Visitantes - Márcio Martins em Quinta, 10 Janeiro 2019 12:29

A SOCIEDADE precisa repensar a lei em que índio tudo pode e nada deve. “O índio não é só terra, índio é gente, é ser humano”. Se eles têm direitos como os civilizados, tem de ter deveres e penas análogas aos civilizados. É só ir ao Xingu e ver a modernidade. TV por assinatura, computadores, celulares por satélite, caminhonetes, armas e barcos motorizados. Isso sem contar os pedágios que cobram. Apegam-se também ao dinheiro. Será que são tão inocentes assim? Algumas etnias que sacrificam crianças vivas, (infanticídio bárbaro), que nascem com deficiência física ou mental também deveriam ser severamente punidas, (pena capital por o assassinato de vulnerável) e por crime hediondo. A ONU Tão sentida com um ex-presidente aprisionado em uma suíte presidencial nada diz sobre essa barbárie aqui no Brasil. Onde estão os direitos humanos? O link abaixo é traumatizante quem tem o coração muito emotivo se assistir, acaba chorando como eu mesmo.

https://www.youtube.com/watch?v=GYqSZVH34Kc

As ONGs, FUNAI e governos obscuros acabam estimulando o índio para o conflito. Isso tem de acabar mesmo. Se racismo é crime, isso então o que deveria ser?

A SOCIEDADE precisa repensar a lei em que índio tudo pode e nada deve. “O índio não é só terra, índio é gente, é ser humano”. Se eles têm direitos como os civilizados, tem de ter deveres e penas análogas aos civilizados. É só ir ao Xingu e ver a modernidade. TV por assinatura, computadores, celulares por satélite, caminhonetes, armas e barcos motorizados. Isso sem contar os pedágios que cobram. Apegam-se também ao dinheiro. Será que são tão inocentes assim? Algumas etnias que sacrificam crianças vivas, (infanticídio bárbaro), que nascem com deficiência física ou mental também deveriam ser severamente punidas, (pena capital por o assassinato de vulnerável) e por crime hediondo. A ONU Tão sentida com um ex-presidente aprisionado em uma suíte presidencial nada diz sobre essa barbárie aqui no Brasil. Onde estão os direitos humanos? O link abaixo é traumatizante quem tem o coração muito emotivo se assistir, acaba chorando como eu mesmo. https://www.youtube.com/watch?v=GYqSZVH34Kc As ONGs, FUNAI e governos obscuros acabam estimulando o índio para o conflito. Isso tem de acabar mesmo. Se racismo é crime, isso então o que deveria ser?
Visitantes - Márcio Martins em Domingo, 06 Janeiro 2019 13:36

Apelo ao excelentíssimo senhor presidente da república, Jair Messias Bolsonaro.

Todos nós que ajudamos o senhor nas urnas que o levaram à presidência da república já sabíamos que vossa excelência não tem sangue de barata. Se não fosse a sua maneira contundente de combater o bom combate e impor a verdade nesse peito surreal ocorrido, não teria logrado êxito sobre qualquer adversário medíocre, populista de conveniência partidária e disseminador da cultura de segregação social. Por acaso o vencido foi um que nem para se reeleger como prefeito de S.P., prestou. Dos últimos 3 prefeitos daqui que tentaram reeleição ele teve o pior desempenho: 1° Pita, 2° Marta, 3° “Ele”. Senhor presidente, gostaria que o senhor não usasse mais adjetivos tipos: burro, marmita, poste, idiota etc., daqui para frente. Quando necessário, usar a palavra da moda e bem ao nível da literatura dos atores do momento que porventura lhe importunarem: “Coiso” simplifica tudo. O mais alto nível da pátria no momento lhe pertence, não convém que se nivele ao nível de lamaçal com ninguém. Fico muito triste quando chamam desafetos de burro, pois ofende cruelmente este animal que por muitos e muitos anos e ainda hoje carrega com seu suor parte do peso do nosso progresso. Da mesma forma ofende aos usuários da marmita, esse tradicional utensílio doméstico ainda em uso nas diversas camadas sociais. Poste também é um importante componente na transmissão de energia elétrica e leva luz em todos os sentidos. Idiota remete aos acometidos da doença “síndrome de Savant” e isso é muito triste. O senhor “Coiso”, disse para provocá-lo, que no Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição. Pela parte que me toca como vosso eleitor, essa criatura a serviço daquela intelectualidade que não deu certo nem no passado, não dá no presente e continuará dando errado para sempre, creio eu que só mesmo “Albert Einstein” pode explicar cientificamente e sem viés religioso esse tipo de patologia ideológica incurável. – ”Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”. Atenciosamente, Pátria amada Brasil! Deus é grande!

Apelo ao excelentíssimo senhor presidente da república, Jair Messias Bolsonaro. Todos nós que ajudamos o senhor nas urnas que o levaram à presidência da república já sabíamos que vossa excelência não tem sangue de barata. Se não fosse a sua maneira contundente de combater o bom combate e impor a verdade nesse peito surreal ocorrido, não teria logrado êxito sobre qualquer adversário medíocre, populista de conveniência partidária e disseminador da cultura de segregação social. Por acaso o vencido foi um que nem para se reeleger como prefeito de S.P., prestou. Dos últimos 3 prefeitos daqui que tentaram reeleição ele teve o pior desempenho: 1° Pita, 2° Marta, 3° “Ele”. Senhor presidente, gostaria que o senhor não usasse mais adjetivos tipos: burro, marmita, poste, idiota etc., daqui para frente. Quando necessário, usar a palavra da moda e bem ao nível da literatura dos atores do momento que porventura lhe importunarem: “Coiso” simplifica tudo. O mais alto nível da pátria no momento lhe pertence, não convém que se nivele ao nível de lamaçal com ninguém. Fico muito triste quando chamam desafetos de burro, pois ofende cruelmente este animal que por muitos e muitos anos e ainda hoje carrega com seu suor parte do peso do nosso progresso. Da mesma forma ofende aos usuários da marmita, esse tradicional utensílio doméstico ainda em uso nas diversas camadas sociais. Poste também é um importante componente na transmissão de energia elétrica e leva luz em todos os sentidos. Idiota remete aos acometidos da doença “síndrome de Savant” e isso é muito triste. O senhor “Coiso”, disse para provocá-lo, que no Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição. Pela parte que me toca como vosso eleitor, essa criatura a serviço daquela intelectualidade que não deu certo nem no passado, não dá no presente e continuará dando errado para sempre, creio eu que só mesmo “Albert Einstein” pode explicar cientificamente e sem viés religioso esse tipo de patologia ideológica incurável. – ”Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”. Atenciosamente, Pátria amada Brasil! Deus é grande!
Visitantes - Silmara em Domingo, 14 Outubro 2018 14:19

Boa tarde aos Generais do exército eu como mãe venho por meio desta pedir ajuda para nosso Brasil o povo clama Intervenção Militar JÁ e a salvação de nosso Pais OBRIGADA

Boa tarde aos Generais do exército eu como mãe venho por meio desta pedir ajuda para nosso Brasil o povo clama Intervenção Militar JÁ e a salvação de nosso Pais OBRIGADA
Visitantes - Ana Paula Teodoro em Segunda, 08 Outubro 2018 18:44

POR FAVOR QUEREMOS INTERVENÇÃO MILITAR. O BRASIL NÃO É DEMOCRATA

POR FAVOR QUEREMOS INTERVENÇÃO MILITAR. O BRASIL NÃO É DEMOCRATA
Visitantes - José MF Araújo em Domingo, 30 Setembro 2018 08:06

Prezado Senhor, diante do tradicional ativismo dos jornalistas, é estranha a inércia desses profissionais quanto ao que ocorre na Venezuela. Muito preocupante a passividade dos inquietos homens da imprensa em face de mortes suspeitas, beirando a hipotese de assassinatos seletivos presentes na nossa história recente. Gostaria de saber, se possível, a opinião do senhor. Att

Prezado Senhor, diante do tradicional ativismo dos jornalistas, é estranha a inércia desses profissionais quanto ao que ocorre na Venezuela. Muito preocupante a passividade dos inquietos homens da imprensa em face de mortes suspeitas, beirando a hipotese de assassinatos seletivos presentes na nossa história recente. Gostaria de saber, se possível, a opinião do senhor. Att
Visitantes
Sábado, 19 Outubro 2019