A divulgação do patrimônio histórico e cultural do Exército como instrumento de comunicação estratégica

Em novembro de 2020, o Comandante do Exército estabeleceu, por meio de portaria, a diretriz geral para a comunicação estratégica no âmbito da Força.


A portaria impactou diretamente a percepção do paradigma de uma das missões da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército (DPHCEx): divulgar esse rico patrimônio.

Como instrumento de fortalecimento do poder de combate, construindo identidade, pertencimento, espírito de corpo e coesão, o patrimônio e a cultura militar ensejam constante incentivo a essa divulgação.

Não se trata de tarefa fácil, uma vez que suas entregas, notadamente as de cunho imaterial, são sujeitas a percepções muito subjetivas e de mensuração pouco prática.

O protocolo fortalece o alinhamento sinérgico de várias das iniciativas tomadas internamente pela DPHCEx e amplia as possibilidades de diálogo institucional, com base nos objetivos organizacionais de mais alto nível do Exército.

Mas, afinal, o que muda?
Fundamentalmente, a diretriz amplia o limite de nossas ações nos campos informacional e de relações institucionais, criando liberdade de ação para relacionamentos mais amplos e duradouros com os mais diversos atores e possibilitando a construção de uma sólida narrativa institucional.

Como integrante do Sistema Nacional de Cultura, a DPHCEx relaciona-se com estruturas do Ministério do Turismo e do Ministério da Justiça, notadamente a Secretaria Nacional de Cultura, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), o Arquivo Nacional e a Biblioteca Nacional.

Ainda na estrutura "extra-força", destaca-se o diálogo com diversos institutos e academias de história e universidades nacionais e internacionais, além de secretarias municipais e estaduais de turismo e cultura.

No ambiente militar, a DPHCEx compartilha entregas com todas as Diretorias do Sistema de Educação e Cultura, cujo órgão central é o Departamento de Educação e Cultura do Exército. É, também, um forte intrumento de divulgação da imagem do Exército em colaboração com o Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx).

Ainda na esfera castrense, além do relacionamento institucional com todas as Subchefias do Estado-Maior do Exército e com os órgãos congêneres na Marinha e na Força Aérea, a ligação técnica com o Ministério da Defesa está prestes a ser iniciada com a criação da Chefia de Educação e Cultura.

Identificados os stakeholders, faz-se necessário esclarecer sobre as entregas para cada um.

Antes, porém, é impositivo rever quais são as entregas da Diretoria: no campo material - artigos, livros, seminários, simpósios, espaços culturais, documentos, estudos e pesquisas, medalhas, símbolos, músicas  e pinturas; no campo imaterial - valores, raízes, tradições, cultura, identidade, pertencimento, espírito de corpo e coesão.

Em comum, as entregas emolduram uma percepção de mundo, própria da cultura militar do Exército Brasileiro. No diálogo com a sociedade, esta as percebe como um produto específico e único, legitimado pela construção e evolução que tem mais de três séculos e meio.

Reforçados agora pela comunicação estratégica, os objetivos estratégicos do Comandante do Exército propostos para a área cultural devem, de forma mais eficaz, tornar-se ferramentas para a expressão castrense, com sólida sustentação em suas entregas.

Nesse contexto, iniciativas regionais podem ser pontuadas como exemplos do que pode ser entendido como comunicação estratégica do Sistema Cultural do Exército, em razão da utilização das relações institucionais previamente fortalecidas: no Comando Militar do Sul, a revitalização do Museu do Comando Militar do Sul; no Comando Militar do Nordeste, o projeto “Origens do Exército”; no Comando Militar do Sudeste, o diálogo com empresários na busca por incentivo a projetos culturais; e no Comando Militar da Amazônia, o registro histórico da “Operação Acolhida”.

Podem ser citadas ainda como entregas, no âmbito da DPHCEx, a reformulação do modelo de fomento aos projetos culturais; o "Programa V, da Vitória Final", voltado para o acervo da Força Expedicionária Brasileira; o projeto “Conjunto de Fortificações Brasileiras para o Patrimônio Mundial”, junto à UNESCO; a revitalização do Palacete Laguna e do Museu Militar Conde de Linhares; a mudança de sede do Arquivo Histórico do Exército e a modernização do Museu do Exército, no contexto do projeto “Turismo Cultural Militar no Rio de Janeiro”.

Esses poucos exemplos, volto a destacar, têm em comum o amplo diálogo com os diversos atores que interagem na área de interesse operacional de cada Comando Militar, cujo elemento técnico de apoio é o Centro Cultural Militar de Área (CCMA).

Em verdade, não se trata, unicamente, de relações institucionais. Mais do que isso,  é a efetivação de entregas que deixam a marca cultural do Exército e sua narrativa endógena, seguramente ainda mais respeitadas com essa nova percepção do contexto comunicacional moderno.

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Comentários 4

Visitantes - João Guilherme Cruz Ribeiro em Terça, 03 Agosto 2021 09:08

Este artigo do General de Brigada Ramires vem de encontro ao velho sonho de um cidadão que sente a necessidade de divulgação do trabalho precioso das Forças Armadas em geral, mas do Exército Brasileiro em particular. Nesse mundo, onde a comunicação permite ganhar batalhas sem desperdiçar vidas, a revitalização dos Museus Militares, como, por exemplo, o Conde de Linhares (hoje nem sombra do que encantou meu neto) seria trazer o Exército Brasileiro para o público. Como antigo publicitário, escritor e jornalista, posso repetir um dito da profissão: "um negócio sem propaganda é como piscar o olho no escuro; nós sabemos o que estamos fazendo, ela não". O que somos tem que ser mostrado ao público, para quem o Exército Brasileiro é um produto e um conceito – e a criança deve ser prioritária, já que é o futuro, a tabula rasa pronta para receber informações, hoje tão manipulada ou esquecida.
Tivemos duas experiências de sucesso quando criamos dois livros infantis, um sobre o Forte de Copacabana, terceiro ponto turístico mais visitado do Rio de Janeiro, e o outro sobre o Marquês do Herval. Um terceiro, pronto – "Este Museu é seu" –, mas ainda não impresso, sobre o Museu Militar Conde de Linhares e com o canhão ferroviário para montar, ainda aguarda publicação.
Vamos lembrar que, em 2022, vamos comemorar os 200 anos de nossa Independência. Não é justo que as Forças Armadas, garantia dessa Independência, sejam ignoradas ou esquecidas. Vamos conversar?

Este artigo do General de Brigada Ramires vem de encontro ao velho sonho de um cidadão que sente a necessidade de divulgação do trabalho precioso das Forças Armadas em geral, mas do Exército Brasileiro em particular. Nesse mundo, onde a comunicação permite ganhar batalhas sem desperdiçar vidas, a revitalização dos Museus Militares, como, por exemplo, o Conde de Linhares (hoje nem sombra do que encantou meu neto) seria trazer o Exército Brasileiro para o público. Como antigo publicitário, escritor e jornalista, posso repetir um dito da profissão: "um negócio sem propaganda é como piscar o olho no escuro; nós sabemos o que estamos fazendo, ela não". O que somos tem que ser mostrado ao público, para quem o Exército Brasileiro é um produto e um conceito – e a criança deve ser prioritária, já que é o futuro, a tabula rasa pronta para receber informações, hoje tão manipulada ou esquecida. Tivemos duas experiências de sucesso quando criamos dois livros infantis, um sobre o Forte de Copacabana, terceiro ponto turístico mais visitado do Rio de Janeiro, e o outro sobre o Marquês do Herval. Um terceiro, pronto – "Este Museu é seu" –, mas ainda não impresso, sobre o Museu Militar Conde de Linhares e com o canhão ferroviário para montar, ainda aguarda publicação. Vamos lembrar que, em 2022, vamos comemorar os 200 anos de nossa Independência. Não é justo que as Forças Armadas, garantia dessa Independência, sejam ignoradas ou esquecidas. Vamos conversar?
Visitantes - João Guilherme da Cruz Ribeiro em Terça, 03 Agosto 2021 09:07

Este artigo do General de Brigada Ramires vem de encontro ao velho sonho de um cidadão que sente a necessidade de divulgação do trabalho precioso das Forças Armadas em geral, mas do Exército Brasileiro em particular. Nesse mundo, onde a comunicação permite ganhar batalhas sem desperdiçar vidas, a revitalização dos Museus Militares, como, por exemplo, o Conde de Linhares (hoje nem sombra do que encantou meu neto) seria trazer o Exército Brasileiro para o público. Como antigo publicitário, escritor e jornalista, posso repetir um dito da profissão: "um negócio sem propaganda é como piscar o olho no escuro; nós sabemos o que estamos fazendo, ela não". O que somos tem que ser mostrado ao público, para quem o Exército Brasileiro é um produto e um conceito – e a criança deve ser prioritária, já que é o futuro, a tabula rasa pronta para receber informações, hoje tão manipulada ou esquecida.
Tivemos duas experiências de sucesso quando criamos dois livros infantis, um sobre o Forte de Copacabana, terceiro ponto turístico mais visitado do Rio de Janeiro, e o outro sobre o Marquês do Herval. Um terceiro, pronto – "Este Museu é seu" –, mas ainda não impresso, sobre o Museu Militar Conde de Linhares e com o canhão ferroviário para montar, ainda aguarda publicação.
Vamos lembrar que, em 2022, vamos comemorar os 200 anos de nossa Independência. Não é justo que as Forças Armadas, garantia dessa Independência, sejam ignoradas ou esquecidas. Vamos conversar?

Este artigo do General de Brigada Ramires vem de encontro ao velho sonho de um cidadão que sente a necessidade de divulgação do trabalho precioso das Forças Armadas em geral, mas do Exército Brasileiro em particular. Nesse mundo, onde a comunicação permite ganhar batalhas sem desperdiçar vidas, a revitalização dos Museus Militares, como, por exemplo, o Conde de Linhares (hoje nem sombra do que encantou meu neto) seria trazer o Exército Brasileiro para o público. Como antigo publicitário, escritor e jornalista, posso repetir um dito da profissão: "um negócio sem propaganda é como piscar o olho no escuro; nós sabemos o que estamos fazendo, ela não". O que somos tem que ser mostrado ao público, para quem o Exército Brasileiro é um produto e um conceito – e a criança deve ser prioritária, já que é o futuro, a tabula rasa pronta para receber informações, hoje tão manipulada ou esquecida. Tivemos duas experiências de sucesso quando criamos dois livros infantis, um sobre o Forte de Copacabana, terceiro ponto turístico mais visitado do Rio de Janeiro, e o outro sobre o Marquês do Herval. Um terceiro, pronto – "Este Museu é seu" –, mas ainda não impresso, sobre o Museu Militar Conde de Linhares e com o canhão ferroviário para montar, ainda aguarda publicação. Vamos lembrar que, em 2022, vamos comemorar os 200 anos de nossa Independência. Não é justo que as Forças Armadas, garantia dessa Independência, sejam ignoradas ou esquecidas. Vamos conversar?
Visitantes - Ramires em Domingo, 22 Agosto 2021 21:53

Por favor, prezado João, faça contato conosco pelo e-mail Ramires.teixeira@eb.mil.br. Será um prazer conversar sobre suas ideias.

Por favor, prezado João, faça contato conosco pelo e-mail Ramires.teixeira@eb.mil.br. Será um prazer conversar sobre suas ideias.
Visitantes - Celso dos Anjos Junior em Quarta, 28 Julho 2021 19:46

Dentro da perspectiva de inclusão, tão difundidas atualmente, impulsionadas pelo surgimento de diversos mecanismos legais que asseguram os direitos das pessoas com surdez, como a Lei 10.436 de 24 de abril de 2002, que reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão, regulamentada pelo Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005; a Lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas e critérios básicos para a promoção de acessibilidade; a Lei 13.146 de 6 de julho de 2015, que versa sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiência; dentre outras; como poderíamos interagir com essa parcela signigicativa de nossa sociedade?
Como poderíamois garantir um diálogo pleno com a sociedade, se não há, por parte dos diversos Órgãos citados na artigo, se não há proposição de acessibilidade para cerca de 10 milhões de Deficientes Auditivos em todo o País, ou seja, 5% da população apresenta algum grau de surdez?
Seria factível atendermos às demandas apresentadas pelos Surdos brasileiros como uso me tecnologias assistivas com essa nova percepção do contexto comunicacional moderno?

Dentro da perspectiva de inclusão, tão difundidas atualmente, impulsionadas pelo surgimento de diversos mecanismos legais que asseguram os direitos das pessoas com surdez, como a Lei 10.436 de 24 de abril de 2002, que reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão, regulamentada pelo Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005; a Lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas e critérios básicos para a promoção de acessibilidade; a Lei 13.146 de 6 de julho de 2015, que versa sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiência; dentre outras; como poderíamos interagir com essa parcela signigicativa de nossa sociedade? Como poderíamois garantir um diálogo pleno com a sociedade, se não há, por parte dos diversos Órgãos citados na artigo, se não há proposição de acessibilidade para cerca de 10 milhões de Deficientes Auditivos em todo o País, ou seja, 5% da população apresenta algum grau de surdez? Seria factível atendermos às demandas apresentadas pelos Surdos brasileiros como uso me tecnologias assistivas com essa nova percepção do contexto comunicacional moderno?
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Segunda, 06 Dezembro 2021

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