Major Apollo: o Herói que não pode ser esquecido

​Há dezoito anos, na madrugada de 21 de janeiro, o Exército viu partir um de seus melhores soldados e a Força Expedicionária Brasileira (FEB) perdeu um dos seus maiores heróis.

A galeria dos destaques da FEB reservara para aquele combatente um lugar de relevância. Em 19 de maio de 1945, no teatro de operações da Itália, o 1º Tenente da Reserva Apollo Miguel Rezk, comandante de pelotão da 6ª Cia do 2º Btl do Regimento Sampaio, era solenemente condecorado pelo General Lucien Truscott, comandante do 5º Exército americano, com a "Distinguished-Service Cross", mais importante medalha de bravura do governo dos Estados Unidos, pela tomada de La Serra, em apoio à 10ª Divisão de Montanha. O Ministro da Guerra do Brasil, General Newton Estillac Leal, ao promover o Ten Apollo ao posto de Capitão, destacou:

"A promoção se justifica, sobretudo, em virtude da conduta excepcional desse oficial no teatro de operações da Itália, onde, entre as diversas condecorações recebidas por bravura, lhe foi conferida a medalha "Distinguished-Service Cross", do Exército americano, por heroísmo extraordinário em ação, distinção máxima somente concedida a este combatente brasileiro."

Anteriormente, em 30 de março de 1945, o Ten Apollo já recebera, na frente de combate, a "Silver Star", outra importante condecoração do Exército americano, por sua destacada atuação no ataque a Monte Castelo, em 12 de dezembro de 1944. Pelo governo brasileiro, foi condecorado com quatro medalhas: "Medalha de Sangue" (ferimento em ação), "Cruz de Combate de 1ª Classe", "Medalha de Campanha" e "Medalha de Guerra". As ações do Ten Apollo, que ultrapassaram os limites da existência física, transformaram-se em páginas gloriosas da história militar do nosso país, onde, infelizmente, os verdadeiros heróis não são cultuados.

O Ten Apollo foi um dos 452 oficiais R/2 combatentes – de um total de 1070 oficiais subalternos da FEB – que embarcou para a Itália, em 22 de setembro de 1944, com o 2º escalão. Declarado Aspirante a Oficial da Reserva da Arma de Infantaria no CPOR/RJ, em 29 de novembro de 1939, o jovem não se descuidou de sua formação civil: formou-se em Perito-Contador, na Escola Superior de Comércio do Rio de Janeiro, e em Economia, na Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro.

Ao retornar da Itália, após uma passagem pelo COR (Curso de Oficiais da Reserva), prosseguiu na carreira militar, assim como inúmeros oficiais R/2 febianos, e serviu no Regimento Sampaio até 1947, quando foi transferido para o Batalhão de Guardas. A promoção a Capitão veio em 1951, a contar de 1947. Em 1955, foi transferido para a 5ª RM e designado Ajudante de Ordens do General Mário Perdigão.

O Capitão Apollo teve a sua carreira interrompida precocemente. Um antigo problema de pés planos, agravado pelo congelamento no frio intenso do inverno italiano, conhecido como pé-de-trincheira, deixou-o inapto para o serviço ativo. Em 09 de dezembro de 1957, aos 39 anos, foi promovido a Major e reformado.

Esteve presente em seu funeral um oficial da marinha americana, representando o adido. Pouco antes do sepultamento, o militar, ao ser informado que o herói não recebera promoção por bravura, dirigiu-se à filha do Major Apollo nos seguintes termos: "não entendo vocês brasileiros. Na minha terra, alguém com as importantes condecorações de guerra do Major Apollo teria recebido, ao longo de sua vida, as homenagens, o respeito e a gratidão de seu povo."

Em 1999, o Conselho Nacional de Oficiais da Reserva instituiu a Medalha "Major Apollo Miguel Rezk" para homenagear militares e civis que tenham se destacado em ações de apoio aos oficiais da reserva.

"Conspira contra sua própria grandeza o povo que não cultiva seus feitos heroicos".

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