Jarbas Passarinho, antes de tudo, Coronel do Exército Brasileiro

 

Em 2013, ao receber, em cerimônia no Plenário do Senado, o diploma Professor Honoris Causa da Universidade do Legislativo Brasileiro (Unilegis), Jarbas Passarinho disse:


 “Até o último suspiro da minha vida, terei a ambição de ver meu Brasil com uma sociedade solidária e fraterna, mesmo nas divergências, e não mais exportador de sobremesa e de grãos e minérios brutos1.  Se os brasileiros seguirem os exemplos deixados pelo Coronel Jarbas Passarinho em seus 96 anos de vida, o sonho que ele não conseguiu realizar, um dia, será realidade.

Em 06 de junho do corrente, o Brasil e o Exército despediram-se de um cidadão-soldado de quem devem e podem se orgulhar. Jarbas Passarinho marcou de forma indelével sua passagem na caserna e na política nacional pelo mérito próprio, intenso patriotismo, idealismo combinado com realismo e pela adesão a consagrados princípios cívicos, morais e éticos.

Jarbas Passarinho nasceu em Xapuri, no Acre, mas foi com a família para Belém do Pará quando ainda tinha três anos de idade. Nas escolas onde estudou, demonstrou extrema aptidão para a escrita e invulgar capacidade de comunicação oral, esta última um atributo básico de liderança, que iria evidenciar tanto na caserna quanto nas lides políticas. Em consequência, no ensino secundário em Belém, foi presidente do Diretório do Colégio Estadual Paes de Carvalho e, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, foi orador da sua turma de cadetes e  presidente da Sociedade Acadêmica Militar2. Sempre disse que sua vocação era militar, mas reconhecia ter aptidão para a política, como evidenciou nos estabelecimentos de ensino onde estudou.

No entanto, capacidade de comunicação não basta para fazer um líder. Jarbas Passarinho também se impôs pelos exemplos de austeridade, humanidade e camaradagem e pela competência profissional, fruto de sabedoria, qualidade dos possuidores de inteligência privilegiada quando a usam com critérios de justiça e nobreza de ideais.

Na publicação da Fundação das Academias de História Militar Terrestre do Brasil, em homenagem a Jarbas Passarinho (06 junho 2016), fica evidente o nível de sua liderança militar: “Como instrutor de Artilharia na AMAN em 1951-1952, seu conceito era tamanho entre os cadetes que, à sua revelia, o elegeram Patrono da Turma formada pela AMAN, o que não aceitou por questões de ética castrense”.

Ele orgulhava-se profundamente de ser militar e de ter sido instrutor da AMAN, lembrando-se, frequentemente, de seus antigos cadetes. Foi governador do Pará, ministro de Estado por quatro vezes em pastas distintas, senador por três mandatos e presidente do Senado de 1981 a 1983. Sua longa passagem pela política foi marcada pela disposição de assumir posições firmes e corajosas em momentos decisivos da nossa história, nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Enfrentou desafios e ameaças sem perder suas crenças e ideais, sempre voltados ao bem comum e aos interesses da Nação. O acervo de realizações do político Jarbas Passarinho e sua conduta pessoal despertaram respeito, admiração e confiança em correligionários e opositores políticos, resultando na autoridade moral para manter sempre abertos os canais de diálogo, como interlocutor confiável nas lides legislativas, durante e após o regime militar. Alcançou, pelo mérito, o mesmo nível dos mais relevantes quadros da história do Legislativo brasileiro.

Para o General Meira Mattos, um dos períodos de avanços mais positivos para a educação foi o da reforma implantada por Jarbas Passarinho quando Ministro da Educação e Cultura. Foi criticado por alguns setores por ter reduzido os espaços de métodos ideológicos e destrutivos dos valores consagrados da educação, limitado atividades subversivas de órgãos estudantis de caráter radical e ampliado o acesso ao então incipiente e privilegiado ensino superior. Alguns aspectos da organização do ensino, promovida pela reforma, perduraram por cerca de trinta anos, gerando o desenvolvimento do ensino superior desde a graduação ao doutorado. Ao contrário do que dizem os críticos, não descuidou do ensino básico, cujos resultados eram comprovadamente efetivos.

Os que conviveram pessoal ou profissionalmente com o Coronel Passarinho o consideravam uma pessoa desprovida de vaidades e radicalismos, de fácil convivência e que dedicava a todos um altivo e profundo respeito. Fosse o garçom, o ascensorista, a secretária, o chefe de gabinete ou uma autoridade, os atendia e tratava com a mesma fidalguia e bom humor. Conversar com ele era desfrutar de uma vibrante aula de brasilidade, equilíbrio e experiência.

Parafraseando o Almirante Tamandaré, insigne patrono da Marinha do Brasil, diremos que não só os que tombam, mas também os que, a exemplo de Jarbas Passarinho “vivem pela Pátria não morrem, fundem-se em espírito a ela e têm vida eterna”. O Exército se despede de seu ilustre filho, Coronel Passarinho, como gostava de ser chamado, mas a chama de patriotismo e integridade que emana de seus exemplos permanecerá viva e brilhante entre nós para sempre. 

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1 Fonte: MUNIZ, Ediney. Artigo em homenagem ao meu conterrâneo Jarbas Passarinho, morto hoje aos 96 anos.Axei Notícias, 2016. Disponível em <http://www.axeinoticias.com/artigo-em-homenagem-ao-meu-conterraneo-jarbas-passarinho-morto-hoje-aos-96-anos/>. Acesso em 06 jun. 2016.

2 Fonte: Roda Viva – Memória Roda Viva. Jarbas Passarinho, 1996. Disponível em <http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/279/entrevistados/jarbas_passarinho_1996.htm>. Acesso em 06 jun. 2016.

 

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