Proteção a civis: ensinamentos homogêneos em cenários heterogêneos

Eram cerca de 07h30 da manhã, do dia 21 de novembro de 2016. Após semanas de crescentes tensões, escutam-se os primeiros tiros do confronto entre grupos armados, de mesma religião e antigos aliados. Eles lutavam para controlar a Cidade de Bria, centro urbano mais importante de uma região produtora de diamantes na República Centro-Africana.

Ao mesmo tempo que se tentava obter a adequada consciência situacional do conflito e se trabalhava para cumprir as tarefas essenciais do mandato da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), centenas de civis começaram a buscar proteção junto à base da ONU, de onde dirigíamos as operações. Os poucos soldados que guardavam as instalações foram deslocados cerca de 50 metros à frente do perímetro da base, realizando um cordão de isolamento que protegesse, também, os civis que chegavam sem parar e que se reuniam sob a sombra de uma grande árvore frondosa, único abrigo disponível naquele momento.

Em 30 minutos, as necessidades naturais daquela massa humana começaram a ser relatadas ao centro de operações. Senhoras em trabalho de parto, centenas de mulheres e crianças solicitando água e dezenas de pessoas precisando de atendimento médico, entre outras demandas. Tais ações materializam os preceitos doutrinários sobre proteção de civis, aspecto central das missões de paz na ONU desdobradas pelo mundo e obrigação mínima dos Estados nacionais estabelecidos. A proteção física contra a violência iminente representa, apenas, uma parcela do preconizado para a adequada proteção de civis. O atendimento das necessidades básicas humanas e o estabelecimento de estruturas de abrigo e de mecanismos de assistência social mínimos são outras etapas essenciais, de acordo com os padrões estabelecidos internacionalmente.

Naquele dia, o conflito encerrou-se perto de duas horas após iniciado e gerou um campo de deslocados internos ao lado da base da ONU com, aproximadamente, cinco mil pessoas (15% da população da cidade), que se estabeleceram no local. Várias lições advieram dessa experiência, uma vez que o componente militar, forçosamente, necessitou interagir isoladamente com os civis abrigados no campo improvisado de deslocados, pela simples inexistência de outras instituições especializadas em atendimento humanitário no local.

O primeiro ensinamento foi obtido antes mesmo de finalizadas as primeiras 24 horas da formação do campo: soldados não são capazes de prover - sozinhos - a proteção de civis, conforme o padrão mínimo acima apresentado, em que pese a capacidade logística e de apoio de saúde naturais no desdobramento de tropas militares. Atores do campo humanitário (assistencial, saúde etc.) civil, policial, político e da comunidade protegida necessitam agir coordenada e cooperativamente para obter o nível mínimo de proteção de civis.

No caso em questão, as ações desencadeadas pelo contingente militar não foram capazes de suprir as necessidades da população a ser protegida. Apesar do fornecimento de água e gêneros, os itens oferecidos tornavam-se geradores de problemas maiores, e não de soluções, pois não foram disponibilizados de acordo com padrões sistematizados de atendimento humanitário. A distribuição espacial no campo era outra fonte de fortes atritos. O posicionamento irregular das famílias e a não delimitação de áreas para uso comum e privado geraram muitas brigas, além dos transtornos sanitários e de segurança.

Um sistema de comunicação comunitário mínimo com as famílias abrigadas era outro desafio a ser vencido. As melhores ações/intenções eram potenciais problemas, caso não fossem do conhecimento de toda a comunidade.

Enfim, uma miríade de adversidades surgia, e, além da proteção física contra eventuais ações de grupos armados, havia outras carências a serem atendidas. Ocorreu pequena melhora da situação a partir de ajustes de procedimentos e de gestão, envolvendo os poucos militares, os civis da ONU e os agentes de entidades humanitárias presentes no terreno. No entanto, após esse avanço, houve estagnação seguida de piora da conjuntura geral. Todos os esforços não eram capazes de atender às crescentes demandas.

Aconteceram violentos protestos da comunidade abrigada no campo, que, eventualmente, realizava manifestações contra ações específicas das tropas ou quando era manipulada por grupos armados que buscavam atender à própria agenda de interesses. Como exemplo, um dos protestos desencadeou-se após intervenção da tropa para impedir o linchamento de um cidadão julgado persona non grata, que, desavisadamente, errou o caminho e acabou cruzando com a motocicleta na frente do campo de deslocados.

O quadro geral só foi estabilizado após o recebimento de reforços materiais significativos e, principalmente, o fortalecimento da estrutura de atendimento à população. Isso ocorreu com a chegada das instituições responsáveis por ações de caráter político, comunitário, logístico, humanitário, policial, sanitário e militar, que passaram a atuar coordenadas, promovendo as etapas doutrinárias de proteção de civis já abordadas, ainda que com limitações.

Para ampliar o que foi descrito, é lícito concluir, com base na literatura e em outras crises vividas na República Centro-Africana, que os ensinamentos apresentados são válidos para conflitos ou situações em que a proteção de civis deve ser efetivada, como, por exemplo, a crise migratória no Mediterrâneo, o conflito na Síria e, no contexto nacional, a acolhida dos imigrantes venezuelanos em Roraima e a intervenção federal no Rio de Janeiro. Em síntese: a proteção de civis não pode ser assegurada, exclusivamente, por contingentes militares.

Esse entendimento apresentado é bastante conhecido, embora não seja comumente executado. No Brasil, infelizmente, há muitos exemplos da atuação isolada de contingentes militares que deveriam ser acompanhados por instituições governamentais ou civis. Tal lacuna só pode ser preenchida pela estrutura militar em caráter parcial, temporário e excepcional, sob pena de não atender efetivamente a proteção buscada para os civis.

A assertiva é particularmente útil no momento em que resultados positivos da intervenção federal no Rio de Janeiro e da operação de acolhida de imigrantes em Roraima começam a ser anunciados. É importante ressaltar que apenas com a participação efetiva desses diferentes atores os benefícios das ações de proteção civis poderão ser implementados, efetivamente, junto às comunidades protegidas.

Para isso, devem estar envolvidos os poderes constituídos nos três níveis de governo, as organizações não governamentais, as agências e os organismos nacionais e internacionais, além das instituições comunitárias e de classe, entre outros protagonistas da sociedade organizada. Caso contrário, há o risco de que a melhora da situação verificada possa estagnar e, até mesmo, deteriorar-se, por fatores diversos, como a dinâmica da criminalidade.

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Operação Acolhida em Roraima: ação de solidariedade

Instrumento de ação do Estado brasileiro, a Operação Acolhida destina-se a apoiar - com pessoal, material e instalações - a montagem de estruturas e a organização das atividades necessárias ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Tal conjuntura é decorrente do fluxo migratório para o Estado de Roraima, provocado pela crise humanitária na República Bolivariana da Venezuela.

Por meio da Medida Provisória (MP) nº 820, de 15 de fevereiro de 2018, o Brasil instituiu o Comitê Federal de Assistência Emergencial, que decreta emergência social e dispõe de medidas de assistência para acolhimento a esse segmento-alvo. As medidas desempenhadas pelos governos federal, estaduais e municipais acontecerão pela adesão a instrumento de cooperação federativa.

Os Decretos nº 9285 e nº 9286, da mesma data da MP, constituem parte da legalidade e da amplitude impostas aos atores comprometidos com essa ação. Ao todo, são 12 ministérios que integram o Comitê Interministerial. O primeiro decreto reconhece a situação crítica, enquanto que o segundo define a composição, as competências e as normas de funcionamento do Comitê Federal de Assistência Emergencial. Destaca-se, nesse último, que a presidência do Comitê cabe à Casa Civil e que a secretaria-executiva é de responsabilidade do Ministério da Defesa.

Nesse contexto, depois de visualizado e demandado o emprego do Exército Brasileiro, o Comandante do Exército, General Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, no mesmo dia 15 de fevereiro, nomeou o General de Divisão Eduardo Pazuello coordenador da Força-Tarefa Logística Humanitária no Estado de Roraima. A designação foi oficializada pela primeira resolução do Comitê, chancelada pelo Ministro da Casa Civil em 21 de fevereiro.

A partir daí, o Comitê identificou a necessidade de estabelecer, inicialmente, estruturas de recebimento de pessoal, triagem e áreas de abrigo e acolhimento; e de reforçar as estruturas de saúde, alimentação, recursos humanos e coordenação-geral das operações. Diante desse trabalho, foram informados os créditos disponibilizados pela Presidência da República, por meio da MP 823/2018, de 9 de março de 2018, criando-se a Ação Orçamentária 219C. Esta Ação não é exclusiva do Ministério da Defesa (MD), considerando que este é um dos 12 ministérios componentes do Comitê Interministerial.

Na geração da força militar empregada pelo MD na Operação Acolhida, no terreno das operações no Estado de Roraima, estabeleceu-se a Base de Apoio Logístico do Exército, no Rio de Janeiro (RJ), como a organização de suporte para essa finalidade. A Base, responsável pela execução da logística nacional no Exército, compõe as Forças de Emprego Estratégico do Exército e tem como missões planejar, coordenar e empenhar recursos em operações logísticas. A Unidade conta com expertise acumulada recentemente em grandes eventos, como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2016 e o Exercício de Logística Humanitária Amazonlog17 em novembro do ano passado, na região da tríplice fronteira amazônica – Brasil, Colômbia e Peru.

A Operação Acolhida é oportunidade ímpar para que as Forças Armadas exercitem e demonstrem suas capacidades logísticas, em um cenário interagências e com caráter humanitário. Isso, por si só, ratifica o potencial do Brasil em empregar sua expressão militar e, por que não, governamental, em problemáticas dessa natureza. Desse modo, observou-se a capacidade da Força-Tarefa no Estado de Roraima em aglutinar esforços e conduzir, em todos os níveis (político, estratégico, operacional e tático), pessoas, autoridades, instituições, organismos internacionais, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), as ONG de ajuda humanitária e os órgãos de segurança pública. Em tudo isso prevaleceu um ambiente de cooperação, materializado em ações que melhoraram a situação dos imigrantes desassistidos, com reflexos diretos no cotidiano de Boa Vista e de Pacaraima.

A cobertura pela imprensa nacional e internacional e a interação com esse meio resultaram em angulação positiva da pauta. Entre os assuntos de maior interesse, os jornalistas, com o apoio dos agentes de comunicação social, deram destaque a fatos, dados, números da operação, ações e necessidades humanitárias dos imigrantes nas praças e ruas, enfim, às notícias que expressaram acertos, erros, dificuldades e a atuação dos militares brasileiros na missão.

Quanto aos abrigos humanitários, temporários ou de maior permanência, os ambientes possuem instalações semipermanentes, como barracas coletivas e individuais, contêineres sanitários, escritórios, depósitos e cobertura para áreas de convivência e alimentação. Nesses locais, os imigrantes recebem a atualização da situação migratória; são imunizados contra as doenças mais comuns e outras que têm surgido na área, como o sarampo; são cadastrados para o trato humanitário pelo ACNUR e pelas ONG parceiras; e recebem alimentação e visitas médicas diárias.

Os imigrantes têm três destinos: absorção pelo mercado de trabalho local, interiorização no Brasil ou retorno ao país de origem. Para a interiorização, o imigrante precisa estar em um abrigo sob a administração de órgãos estatais, em conjunto com o ACNUR e as ONG parceiras; estar com sua situação migratória regularizada; estar vacinado e imunizado; ser voluntário ao processo e ter destino certo na localidade para onde migrará.

A interiorização está sob a responsabilidade de um subcomitê específico, no qual a Casa Civil trabalha diretamente com a Organização Internacional para as Migrações - órgão da ONU com experiência mundial no assessoramento a governos, no que tange à realocação geográfica de grandes efetivos populacionais. As primeiras interiorizações ocorreram em 5 e 6 de abril, com cerca de 250 imigrantes interiorizados para São Paulo (SP) e Cuiabá (MT). A terceira interiorização ocorreu em 4 de maio, com cerca de 240 imigrantes para Manaus (AM) e São Paulo (SP).

A Operação Acolhida tem duração prevista de 12 meses. Pretende-se que outros estados e municípios cooperem e realizem adesão a esse esforço humanitário, necessário não só para retirar os imigrantes da situação de vulnerabilidade, mas também para auxiliar o Estado de Roraima a superar tamanho desafio social. Como legado, a Operação é mais uma referência da forma conjunta de atuação das Forças Armadas, em que cada Força está adjudicando seus meios, em pessoal e material, para a correta execução da missão, aproveitando-se daquilo que cada uma tem de capacidade, vocação e dever.

No cumprimento das atividades de comunicação social, foi possível exercitar a compreensão interna da Operação e seus reflexos na mídia, além de poder contar com equipe de militares dedicados e competentes da Marinha, do Exército e da Força Aérea. Foi uma oportunidade de atestar a crença em nossa capacidade, em nosso valor e no propósito maior de servir à Nação.

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Capacidade de Defesa Química do Exército Brasileiro

Com a crescente industrialização, aliada à busca de novas tecnologias, formas inovadoras de produção foram aperfeiçoadas. Nesse contexto, a indústria química surgiu em diversos ramos da produção. A partir do século XX, a manipulação de elementos radioativos possibilitou a produção de energia, a irradiação de alimentos, os estudos para a melhoria da saúde e outras atividades.

Junto ao progresso, o mundo sofreu com os problemas da utilização dos ramos químico e nuclear. Citam-se a degradação do meio ambiente, os efeitos da radiação sobre o organismo e os impactos diretos sobre a saúde, relacionados à intoxicação química e nuclear.

Outro aspecto a considerar tem relação com o surgimento ou o agravamento de doenças e epidemias em diversas partes do globo. Algumas delas estão relacionadas às atividades humanas de risco, ao manuseio de elementos perigosos e à falta de cuidado ambiental. Pode-se observar, ainda, que a ameaça do emprego de agentes químicos, biológicos, radiológicos e nucleares (QBRN) em atos terroristas traz a necessidade de constante atenção para as nações.

Destaca-se que, ao longo da história, existem exemplos de ataques com agentes químicos, tais como: o emprego de agentes na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o ataque na cidade de Halabja (1988) e, recentemente, a situação na Síria, acompanhada pela comunidade internacional. Nas últimas décadas, ocorreram alguns incidentes de repercussão internacional na área radiológica-nuclear: 1986 - acidente nuclear em Chernobyl; 1987 - incidente com césio-137 em Goiânia (GO); 2011 - crise nos reatores nucleares de Fukushima, no Japão.

Acompanhando os acontecimentos citados, as primeiras notícias de defesa química, biológica, radiológica e nuclear (DQBRN) do Exército Brasileiro (EB) ocorreram com as instruções nas organizações militares (OM) após a Primeira Guerra Mundial. Contudo, a estrutura atual teve início na Escola de Instrução Especializada (EsIE), em 1943, com a criação do curso de guerra química para preparar as tropas brasileiras que formariam a Força Expedicionária Brasileira.

Em seguida, em 1953, foi criada a Companhia Escola de Guerra Química (Cia Es G Q), hoje, 1º Batalhão DQBRN, primeira OM operativa de DQBRN das Forças Armadas. A Companhia foi empregada no período de setembro a dezembro de 1987, no acidente ocorrido com o radioisótopo césio-137. Em 1987, a Companhia foi extinta e criou-se a Companhia de Defesa Química, Biológica e Nuclear (Cia DQBN).

A partir de 1989, a DQBRN do EB participou do Exercício Geral do Plano de Emergência das Usinas Nucleares de Angra, com as missões de monitoramento radiológico, descontaminação de pessoas e apoio à evacuação dos moradores de Angra dos Reis e arredores.


Posto de descontaminação em apoio ao Plano de Emergência de Angra dos Reis - 2013


As frações de DQBRN vêm realizando o monitoramento e a descontaminação preventiva do material das tropas que cumprem missão de paz. Esse trabalho foi realizado em contingentes que participaram das missões no Timor Leste e no Haiti. Além da área operacional e de ensino, o Exército possui o Instituto DQBRN, com a atribuição de realizar pesquisa e desenvolvimento nesse setor.

Em 2002, foi aprovada a primeira versão do Sistema de Defesa Química, Biológica e Nuclear no âmbito do Exército (SDQBNEx). Esse sistema apresentou série de novas considerações para o assunto e teve por finalidade dotar a Força Terrestre de um instrumento capaz de responder, prontamente, a uma ameaça e/ou a um desastre QBN. Em 2012, o Sistema foi atualizado, alterando-se sua nomenclatura para SisDQBRNEx.

Em 2003, criou-se o 1° Pelotão de Defesa Química, Biológica e Nuclear (1° Pelotão DQBN), atual Companhia DQBRN, sediado em Goiânia (GO) e subordinado à Brigada de Operações Especiais. Nos anos de 2009 e 2010, a Companhia DQBN participou do 1° e 2º Curso Regional de Proteção e Assistência para Respostas a Emergências Químicas - Pequim Internacional. Nessas atividades, foi possível apresentar a capacidade de DQBRN do Exército e compartilhar experiências no ramo.

Em dezembro de 2012, houve a transformação da Companhia DQBN em 1º Batalhão DQBRN e do Pelotão DQBN em Companhia DQBRN. De 2013 a 2016, a DQBRN do EB teve um marco fundamental para o aperfeiçoamento de sua estrutura: o emprego nos Grandes Eventos.

O Brasil foi sede de eventos de vulto, de cunho internacional, como a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014; a Jornada Mundial da Juventude em 2013; e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2016. Esses eventos, que ocorreram em um curto espaço de tempo, reunindo milhares de pessoas, de todas as partes do mundo, levaram a uma preparação das forças de defesa e segurança para a prevenção contra possíveis ataques terroristas.

Na missão atribuída à Força, as OM especializadas participaram da DQBRN dos Grandes Eventos realizando reconhecimentos QBRN, combinados com inspeções antibombas conduzidas por outros órgãos em instalações como hotéis, aeroportos, estádios, locais de cerimônia, salas VIP e em comboio de autoridades. As tropas de DQBRN mantiveram, durante todos os principais eventos, equipes de pronta resposta, com capacidade de reagir a um incidente envolvendo agentes QBRN, habilitadas ao rápido reconhecimento e à identificação de agentes, à demarcação e predição de áreas contaminadas, à coleta de amostras e às medidas de descontaminação de emergência e de redução de danos. Para as ações de descontaminação, foi mantido um posto de descontaminação embarcado em viaturas e pronto para ser montado.

Após os Grandes Eventos, o Exército aperfeiçoou sua estrutura de DQBRN. Com esse objetivo, foram realizadas as seguintes ações:

a. atualização do SDQBNEx, com a inclusão dos vetores de ensino, saúde e logística;

b. reestruturação das organizações militares de DQBRN, possibilitando melhores condições para o emprego e o apoio das ações da Força Terrestre;

c. no vetor de ensino, aperfeiçoamento dos cursos de especialização em DQBRN para oficiais e sargentos e dos novos cursos que foram criados, principalmente, nas áreas de comando e controle, gerência de manutenção e saúde;

d. aquisição de modernos equipamentos de DQBRN para atender às necessidades para a preparação e o emprego das Unidades de DQBRN. Destacam-se detectores, equipamentos de proteção individual, laboratórios móveis, equipamentos de descontaminação e programas de comando e controle;

e. atualização da doutrina de DQBRN, em que se incorporaram novos conceitos e elaboraram-se novos manuais de campanha. O emprego da DQBRN foi agrupado em princípios e atividades de segurança, descontaminação e sensoriamento, sendo integrados por um sistema de comando e controle;

f. estruturação do módulo de saúde para apoio a DQBRN e elaboração dos protocolos para emprego conjunto entre os Ministérios da Defesa e da Saúde.


Instrução de Saúde em apoio às ações de DQBRN


Conclui-se que a Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear do Exército vem, sistematicamente, cumprindo o seu papel de apoio, para evitar ou minimizar as possibilidades de ocorrência de sinistros que envolvam agentes QBRN. Além disso, está contribuindo, positivamente, para a preservação da imagem da Força no cenário nacional e internacional

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Brasil sedia mega simulação internacional de operações de paz

Bogaland é um país fictício que vive gravíssima crise de segurança e convive com dificuldades encontradas, atualmente, nos mais complexos conflitos armados da África e do Oriente Médio: grupos fortemente armados, crianças-soldado, refugiados e desalojados, feridas étnicas e religiosas exploradas por líderes demagogos, e outros problemas que assolam, na vida real, milhares de pessoas nesse início do século XXI.

No momento, o país hospeda uma missão da OTAN em todo o seu território. Em uma das províncias, há um setor da ONU ocupado por uma brigada multinacional. O estado final desejado é fazer, em toda a nação, o hand over completo da OTAN para a ONU, ou seja, a transferência da autoridade.

Não é uma tarefa militar simples, diante da complexidade das condições do terreno e, mais, perante as diferentes naturezas entre uma missão da OTAN e uma da ONU que, mesmo robusta, geralmente, segue regras de engajamento mais restritivas do que as da OTAN, além de dispor de menos meios militares (humanos, financeiros e logísticos). Fora o componente militar, a missão da ONU em Bogaland conta com o apoio dos componentes policial e civil, em uma típica estrutura de operação multidimensional.

A situação faz parte da 8ª edição de um mega exercício de simulação criado em 1999 pela Suécia e pelos EUA: o Exercício VIKING 2018. Pela primeira vez, é realizado igualmente em um local remoto fora da Europa - o Brasil. Além dos desafios profissionais inerentes a qualquer simulação ou jogo de guerra, as maiores dificuldades incluíram os problemas técnicos nos primeiros dias e a questão do fuso horário para os militares localizados no Brasil, que começam a jogar às 5 horas da manhã, já que toda a plataforma lógica é ativada para apoiar o funcionamento do exercício em sintonia com os jogadores que estão na Europa.

Na divisão das responsabilidades da missão fictícia da ONU, o Brasil ficou com o prestigiado cargo de comandante das tropas (o papel de Force Commander foi assumido pelo General Montenegro, que está na Suécia) e, ainda, com o comando de um dos setores da missão, localizado, hoje, no sudoeste de Bogaland (a cargo do General Vendramin, que está no Brasil).

O VIKING18 conta com a participação de, aproximadamente, 2500 pessoas (jogadores, observadores e apoiadores), de 60 nacionalidades, representando cerca de 80 instituições. São centenas de computadores ligados a um único sistema, que simula a situação no terreno por meio, por exemplo, da criação de inúmeros incidentes diários, que provocam uma ação por parte dos jogadores. Tal reação não necessariamente envolve, ao mesmo tempo, militares, policiais e civis. Mas, sempre que for preciso, uma ação integrada deve ser almejada e adotada, o que exige um bom fluxo de informações entre os diferentes jogadores de cada componente e, principalmente, dos componentes entre si.

Para fomentar a troca, os organizadores entregam informações sobre um incidente para um componente que, não obrigatoriamente, seria o responsável pela resposta, por não ter mandato ou por não dispor de meios. Para tanto, os componentes são encorajados a se reunirem duas vezes ao dia, para conversar sobre a situação a partir de seus respectivos pontos de vista e para compartilhar não só suas necessidades e desafios, mas também os meios disponíveis para apoiar os outros componentes no cumprimento da missão.

Com efeito, um dos objetivos do jogo é fomentar o espírito de parceria, o que se dá tanto entre países, quanto entre militares, policiais e civis. Isso passa por um delicado processo de construção de confiança, seja no jogo, seja na vida real.

Assim, e em última instância, a metodologia e os objetivos desse tipo de exercício contribuem para aproximar pessoas de culturas nacionais e institucionais diferentes que, uma vez no terreno, enfrentarão desafios parecidos ou ainda mais complexos. No VIKING 2018, os jogadores terminaram os dez dias de simulação mais bem preparados e em melhores condições de assessorar e de participar, com mais efetividade, de futuras missões da ONU.

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Forças Armadas no Brazil Cyber Defence - Entrevista com General Okamura, Comandante de Defesa Cibernética

A importância da cibernética, das comunicações e da guerra eletrônica no País  é alvo  de debates para a sensibilização da sociedade e da administração pública. Acompanhe entrevista sobre o tema:

EBlog - Como será a participação do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) no Brazil Cyber Defence? O que será apresentado?

Gen Okamura - O ComDCiber apoiará, institucionalmente, o Brazil Cyber Defence. A agenda da "1ª Feira de Cibernética, Comunicações e Guerra Eletrônica" apresentará fóruns de discussão, painéis, workshops e palestras sobre a temática em questão, competições "capture the flag" e exposição de soluções e tecnologias. O site brazilcyberdefence.com apresenta maior detalhamento das atividades.

EBlog - Qual a importância de apoiar um evento dessa natureza?

Gen Okamura - É de grande importância o apoio da sociedade e das instituições públicas e privadas, pois o evento abordará temas relevantes e atuais nas áreas de cibernética, comunicações e guerra eletrônica, além de sensibilizar o poder político sobre a importância do tema.

EBlog - Como um evento desse tipo pode contribuir para o desenvolvimento da Defesa Cibernética dentro das Forças Armadas?

Gen Okamura - O evento pode contribuir para proporcionar ampla discussão em torno de questões importantes sobre segurança e defesa cibernética, guerra eletrônica e comunicações, por meio da interação de grandes nomes da indústria que representam suas empresas, de profissionais especialistas nas respectivas áreas, de importantes setores acadêmicos, de empresas startups e de estudantes nos mais diversos níveis.

EBlog - O senhor destacaria algumas das participações no Brazil Cyber Defence?

Gen Okamura - Sim. Kevin Mitnick, consultor e especialista em segurança; Paul de Souza, Presidente da Cyber Security Forum Iniciative; Demi Getschko, Diretor-Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR; Patrícia Peck, advogada e especialista em Direito Digital, entre outros.

EBlog Representantes de Forças Armadas de outros países estão presentes?

Gen Okamura- Sim.

EBlog - Além do Brazil Cyber Defence, acontecerá, simultaneamente, a 7ª edição da "Conferência de Simulação e Tecnologia Militar" (CSTM). Qual a relevância de os dois eventos ocorrerem juntos?

Gen Okamura - A junção das potencialidades de cada setor e o aproveitamento de oportunidades para a integração e a colaboração.

EBlog - O Brazil Cyber Defence propõe debater assuntos de Defesa e Segurança entre as Forças Armadas e de Segurança Pública. Nesse contexto, como o senhor avalia a Defesa Cibernética, hoje, no Brasil?

Gen Okamura - A avaliação é positiva. O esforço de preparação e capacitação de pessoal, aliado aos investimentos no setor, permite afirmar que o Brasil evoluiu bastante no campo da Defesa Cibernética. Porém, como o setor cibernético encontra-se em constante evolução, é necessário que a qualificação de pessoal e os investimentos também sejam constantes, para que o Brasil continue evoluindo e se aprimorando.

EBlog - Recentemente, as três Forças Armadas uniram esforços para atuarem nesse setor, com a criação do ComDCiber. O senhor poderia explicar como funciona o Comando de Defesa Cibernética e como atua cada Força (Marinha, Exército e Aeronáutica) na Unidade?

Gen Okamura - O Comando de Defesa Cibernética é um Comando Operacional Conjunto dentro da estrutura regimental do Exército Brasileiro. Está organizado da seguinte maneira: Estado-Maior Conjunto, chefiado por um Contra-Almirante; Departamento de Gestão e Estratégia, chefiado por um Brigadeiro; e Centro de Defesa Cibernética, chefiado por um General de Brigada. O Comandante de Defesa Cibernética é um General de Divisão. O efetivo total, incluindo a Escola Nacional de Defesa Cibernética, deverá chegar a 300 militares, atuando nas atividades operacionais, doutrinárias, de ciência e tecnologia, de inteligência e de capacitação.

EBlog - Como a criação do ComDCiber ampliou a segurança cibernética do País?

Gen Okamura - A criação do ComDCiber vem contribuindo para que o Ministério da Defesa e as Forças Armadas tenham a capacidade de atuar no espaço cibernético, de forma conjunta, em rede e com a devida liberdade de ação. Importante destacar que essa criação impactou, positivamente, as áreas científico-tecnológica e industrial do País, além de maximizar o efeito dissuasório das Forças Armadas. No âmbito do Exército Brasileiro, o ComDCiber tem colaborado para o processo de transformação da Força, a fim de alcançar o grande objetivo, que é o de permitir a transição do EB, da era industrial para a era do conhecimento.

EBlog - O Brasil tem cooperação e integração com outros países nessa missão de realizar a defesa cibernética?

Gen Okamura - O ComDCiber está participando de parcerias estabelecidas pelo Ministério da Defesa e pelo Comando do Exército, assessorando-os quanto aos termos dessas colaborações. Nossos militares participam de cursos, feiras e exercícios internacionais, que permitem a obtenção de expertises para a condução de exercícios desse tipo pelo Brasil. Além disso, o ComDCiber realizará, em maio de 2018, o "III Estágio Internacional de Defesa Cibernética" e já tem confirmada a presença de representantes de diversas nações amigas, incluindo os países latino-americanos.

EBlog - Existe algum trabalho para ampliar a cultura de proteção cibernética dentro das Forças? De que maneira?

Gen Okamura - Sim, por intermédio da capacitação e sensibilização dos recursos humanos, evidenciando a importância da proteção cibernética.

EBlog - Qual a importância de se investir em defesa cibernética nas Forças Armadas?

Gen Okamura - A importância desse investimento é para resguardar a capacidade nacional e das estruturas de governo diante de possíveis ações cibernéticas hostis, além de reduzir os seus efeitos.

EBlog - Como será a participação do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) no Brazil Cyber Defence? O que será apresentado?

Gen Okamura - O ComDCiber apoiará, institucionalmente, o Brazil Cyber Defence. A agenda da "1ª Feira de Cibernética, Comunicações e Guerra Eletrônica" apresentará fóruns de discussão, painéis, workshops e palestras sobre a temática em questão, competições "capture the flag" e exposição de soluções e tecnologias. O site brazilcyberdefence.com apresenta maior detalhamento das atividades.

EBlog - Qual a importância de apoiar um evento dessa natureza?

Gen Okamura - É de grande importância o apoio da sociedade e das instituições públicas e privadas, pois o evento abordará temas relevantes e atuais nas áreas de cibernética, comunicações e guerra eletrônica, além de sensibilizar o poder político sobre a importância do tema.

EBlog - Como um evento desse tipo pode contribuir para o desenvolvimento da Defesa Cibernética dentro das Forças Armadas?

Gen Okamura - O evento pode contribuir para proporcionar ampla discussão em torno de questões importantes sobre segurança e defesa cibernética, guerra eletrônica e comunicações, por meio da interação de grandes nomes da indústria que representam suas empresas, de profissionais especialistas nas respectivas áreas, de importantes setores acadêmicos, de empresas startups e de estudantes nos mais diversos níveis.

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Gen Okamura - Sim. Kevin Mitnick, consultor e especialista em segurança; Paul de Souza, Presidente da Cyber Security Forum Iniciative; Demi Getschko, Diretor-Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR; Patrícia Peck, advogada e especialista em Direito Digital, entre outros.

EBlog Representantes de Forças Armadas de outros países estão presentes?

Gen Okamura- Sim.

EBlog - Além do Brazil Cyber Defence, acontecerá, simultaneamente, a 7ª edição da "Conferência de Simulação e Tecnologia Militar" (CSTM). Qual a relevância de os dois eventos ocorrerem juntos?

Gen Okamura - A junção das potencialidades de cada setor e o aproveitamento de oportunidades para a integração e a colaboração.

EBlog - O Brazil Cyber Defence propõe debater assuntos de Defesa e Segurança entre as Forças Armadas e de Segurança Pública. Nesse contexto, como o senhor avalia a Defesa Cibernética, hoje, no Brasil?

Gen Okamura - A avaliação é positiva. O esforço de preparação e capacitação de pessoal, aliado aos investimentos no setor, permite afirmar que o Brasil evoluiu bastante no campo da Defesa Cibernética. Porém, como o setor cibernético encontra-se em constante evolução, é necessário que a qualificação de pessoal e os investimentos também sejam constantes, para que o Brasil continue evoluindo e se aprimorando.

EBlog - Recentemente, as três Forças Armadas uniram esforços para atuarem nesse setor, com a criação do ComDCiber. O senhor poderia explicar como funciona o Comando de Defesa Cibernética e como atua cada Força (Marinha, Exército e Aeronáutica) na Unidade?

Gen Okamura - O Comando de Defesa Cibernética é um Comando Operacional Conjunto dentro da estrutura regimental do Exército Brasileiro. Está organizado da seguinte maneira: Estado-Maior Conjunto, chefiado por um Contra-Almirante; Departamento de Gestão e Estratégia, chefiado por um Brigadeiro; e Centro de Defesa Cibernética, chefiado por um General de Brigada. O Comandante de Defesa Cibernética é um General de Divisão. O efetivo total, incluindo a Escola Nacional de Defesa Cibernética, deverá chegar a 300 militares, atuando nas atividades operacionais, doutrinárias, de ciência e tecnologia, de inteligência e de capacitação.

EBlog - Como a criação do ComDCiber ampliou a segurança cibernética do País?

Gen Okamura - A criação do ComDCiber vem contribuindo para que o Ministério da Defesa e as Forças Armadas tenham a capacidade de atuar no espaço cibernético, de forma conjunta, em rede e com a devida liberdade de ação. Importante destacar que essa criação impactou, positivamente, as áreas científico-tecnológica e industrial do País, além de maximizar o efeito dissuasório das Forças Armadas. No âmbito do Exército Brasileiro, o ComDCiber tem colaborado para o processo de transformação da Força, a fim de alcançar o grande objetivo, que é o de permitir a transição do EB, da era industrial para a era do conhecimento.

EBlog - O Brasil tem cooperação e integração com outros países nessa missão de realizar a defesa cibernética?

Gen Okamura - O ComDCiber está participando de parcerias estabelecidas pelo Ministério da Defesa e pelo Comando do Exército, assessorando-os quanto aos termos dessas colaborações. Nossos militares participam de cursos, feiras e exercícios internacionais, que permitem a obtenção de expertises para a condução de exercícios desse tipo pelo Brasil. Além disso, o ComDCiber realizará, em maio de 2018, o "III Estágio Internacional de Defesa Cibernética" e já tem confirmada a presença de representantes de diversas nações amigas, incluindo os países latino-americanos.

EBlog - Existe algum trabalho para ampliar a cultura de proteção cibernética dentro das Forças? De que maneira?

Gen Okamura - Sim, por intermédio da capacitação e sensibilização dos recursos humanos, evidenciando a importância da proteção cibernética.

EBlog - Qual a importância de se investir em defesa cibernética nas Forças Armadas?

Gen Okamura - A importância desse investimento é para resguardar a capacidade nacional e das estruturas de governo diante de possíveis ações cibernéticas hostis, além de reduzir os seus efeitos.

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