“SAÚDE ÚNICA” E OPERACIONALIDADE NAS MISSÕES DE PAZ: O PAPEL ESTRATÉGICO DO VETERINÁRIO MILITAR

 O Brasil tem tido atuação importante na ONU e sua participação em Missões de Paz com tropa é crescente.

O Brasil tem tido atuação importante na ONU e sua participação em Missões de Paz com tropa é crescente. Doenças infecciosas tem sido um desafio permanente para os militares de vários países desdobrados em áreas de conflito, em especial as zoonoses, que se caracterizam como doenças infeciosas transmitidas de animais vertebrados para humanos e vice-versa.

O presente estudo buscou levantar os principais riscos biológicos relacionados ao ambiente a que são submetidos os militares brasileiros em missões de paz da ONU, mostrando o papel dos veterinários militares na proteção da operacionalidade – da Força de combate. É um estudo transversal descritivo e bibliográfico que acessou dados de bases de periódicos e documentos institucionais. Apresenta-se a síntese dos dados sobre risco e morbimortalidade por doenças infecciosas nas missões em Suez, Angola, Moçambique, Timor Leste, Haiti e Líbano. Foram ressaltadas, ainda, as principais atribuições dos veterinários em campanha, considerando a visão de “Saúde Única”, afirmando o papel estratégico deste especialista garantindo a proteção da saúde da tropa.

Nos últimos 35 anos, a humanidade tem sido assolada por uma crescente onda de surtos provocados por novos e antigos patógenos, sendo que 65% das 215 mais relevantes enfermidades infecciosas humanas emergentes são zoonoses. São exemplos destas ameaças biológicas:HIV/AIDS, SARS, Ebola, Influenza aviária (H5N1), Antrax, Campylobacteriose, EncefalitedoNiloOcidental e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MER-CoV). Conhecer e gerenciar a interface homem-animal-meio ambiente, atribuição precípua dos veterinários, é ponto chave para a prevenção e controle das principais doenças endêmicas, emergentes e reemergentes no teatro das operações militares.

 

Baseado na experiência recente de participação de oficiais veterinários brasileiros junto aos contingentes no Haiti, este trabalho apresenta os principais riscos biológicos relacionados ao meio ambiente nas missões de paz onde os cerca de 45.000 militares brasileiros foram desdobrados nos últimos 58 anos. Apresentou, também, a base doutrinária da atuação deste sanitarista, delineando-se as principais missões desempenhadas na proteção da operacionalidade da tropa, em especial nas áreas de segurança de alimentos, gestão ambiental e controle de zoonoses e vetores.

Considerando a visão atua de “Saúde Única”, que associa 75% das enfermidades infeciosas humanas a interface homem-animal-meio ambiente, revela-se estratégica a participação dos médicos veterinários militares no planejamento, preparo, desdobramento no terreno e desmobilização das tropas em missão de paz. Deve-se aprender com as lições do passado, com os vários surtos que comprometeram a operacionalidade da tropa e mesmo com as mortes de militares desdobrados em território estrangeiro. Estas experiências, aliadas as melhores práticas das Forças Armadas de nações desenvolvidas como EUA, França e Inglaterra, reforçam a necessidade de colocar os veterinários militares brasileiros, definitivamente, envolvido nas futuras missões no terreno, por exemplo, no treinamento de observadores militares e, principalmente, no planejamento e preparo de futuros Batalhões e Companhias de Força de Paz.

 Matéria na íntegra pode ser acessada no link http://portal.cfmv.gov.br/portal/noticia/download-arquivo/id/110 ou na revista  Military Review Edição Brasileira Janeiro-Fevereiro 2016

 

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