Esquizofrenia social

​A transição atual é prolífica em extravagâncias que espelham interesses de todo o tipo, ensejando uma agenda surpreendente. A proposta de trocar o sistema presidencialista pelo parlamentarista, porém, é tema recorrente. Os políticos costumam culpar o presidencialismo dito de coalizão ou o semiparlamentarismo de tornar o Poder Executivo refém do Legislativo. Marotamente, omitem a causa da desarmonia: o parlamentar em função executiva.

Pelo certo, o senador ou o deputado, ao aceitarem cargo no Executivo, deveriam perder o mandato legislativo, em favor do princípio da independência dos poderes. Da mesma forma, esses políticos fingem esquecer que a soberania popular, fonte de todo o poder, escolheu o presidencialismo puro em dois plebiscitos recentes. Além disso, a proposta é inoportuna. Uma reforma que delega mais autoridade ao estamento político, no momento mais crítico de sua credibilidade, é insensatez.

Outra preocupação relevante é a violência urbana. Embora seja notória a crise geral de segurança pública, o tema não consegue espaço na agenda legislativa. A redoma psicológica em que se abrigam os legisladores no Congresso parece torná-los insensíveis ao sofrimento refletido no índice macabro de 60 mil homicídios ao ano, que supera o total de baixas somadas na Síria e no Afeganistão. A realidade social mostra que os códigos vigentes no País estão defasados. Uma explicação para o imobilismo seria a alienação ideológica.

Contudo, o distúrbio da insensibilidade não se restringe ao âmbito legislativo. A crise econômica e o desemprego de 14 milhões de pessoas não chegam a comover as corporações dos poderes públicos, responsáveis pela expansão de supersalários, que transcendem os limites legais. Sobre fenômeno similar, escreveu Alexis de Tocqueville, em "O Antigo Regime e a Revolução", que as teses dos enciclopedistas eram temas da moda entre os nobres da França no século XVIII, durante os convescotes de Paris e os saraus da Corte de Versailles, como se não lhes afetassem a própria sobrevivência. Mais do que anomalia emocional ou moral, seria um sintoma de esquizofrenia social.
Outro aspecto contumaz da agenda subliminar é a chamada "teoria do gênero". Inventada na Europa por pensadoras feministas, pretende alterar as leis da natureza, ao derrogar os sexos, como se o homem e a mulher fossem espécies diferentes dentro do gênero humano. O que surpreende é a assimilação do conceito pela grande mídia, que vem conseguindo inculcar tal aberração na sociedade, até alcançar a legislação governamental.

O fato é que o humanismo perdeu o rumo e transpôs os limites razoáveis, ocasionando um ambiente cada vez mais permissivo. O Brasil, por mais de quatro décadas, tem sido vítima de campanhas "construcionistas", que subverteram os valores sociais e desnortearam o senso comum. O bombardeio populista e ideológico, a partir da Constituinte de 1988, consolidou uma cultura de direitos sem deveres e minou o princípio da autoridade. O resultado mostra-se nos indicadores de corrupção, violência e impunidade. Para agravar esse quadro, escasseiam-se as lideranças políticas.

Chegamos, assim, ao limiar da ordem política, econômica, social e jurídica. É hora, portanto, de reação, antes que o faça o instinto de sobrevivência coletivo, potencial criador de cenários escatológicos. A ordem social que repousa em base falsa torna a sociedade suscetível ao presságio bíblico: "Quando vierem as chuvas, subirem os rios, soprarem os ventos e a vierem açoitar, ela ruirá, e grande será a sua ruína" (Mateus, 7:25).

Parabéns, Brasil!
Haiti e a criação do Centro Conjunto de Operações ...
 

Comentários 113

Visitantes - Nilton Carlos em Terça, 19 Setembro 2017 17:36

Eu cumpri o Serviço Militar de maio/70 a abril/71 em Lorena, no antigo 1º/5º RI- Batalhão Itororó. Para mim, não foi 'obrigatório', pois eu queria servir e declarei isso ao Tenente que fez a entrevista no dia da minha incorporação.
Lembro que, no dia 25 de agosto de 1970, nós fizemos o "Juramento à Bandeira" e até hoje, quando vejo a Bandeira Nacional Brasileira hasteada e ouço o Hino Nacional Brasileiro, as lágrimas correm dos meus olhos de orgulho por ser brasileiro e por amor a esta terra abençoada.
Eu não consigo compreender por que os nossos Militares (Generais, Almirantes e Brigadeiros) permitiram que se chegasse a esta situação de corrupção, impunidade e escárnio ao Povo Brasileiro sem sequer uma palavra de censura, de advertência.
No excelente texto do Gen Maynard, ele mesmo aponta o esgarçamento moral, cívico, econômico e, principalmente, ético da sociedade, e, sem dúvida nenhuma, provocado, entre outras causas, pelos "direitos sem deveres", pelo exemplo de corrupção e ganância desenfreada, dado pelas autoridades, e também e principalmente, pela IMPUNIDADE generalizada que a nossa legislação proporciona (principalmente para os 'poderosos').
Quando aqueles que têm o DEVER de zelar pela Pátria vão assumir suas responsabilidades? QUANDO?

Eu cumpri o Serviço Militar de maio/70 a abril/71 em Lorena, no antigo 1º/5º RI- Batalhão Itororó. Para mim, não foi 'obrigatório', pois eu queria servir e declarei isso ao Tenente que fez a entrevista no dia da minha incorporação. Lembro que, no dia 25 de agosto de 1970, nós fizemos o "Juramento à Bandeira" e até hoje, quando vejo a Bandeira Nacional Brasileira hasteada e ouço o Hino Nacional Brasileiro, as lágrimas correm dos meus olhos de orgulho por ser brasileiro e por amor a esta terra abençoada. Eu não consigo compreender por que os nossos Militares (Generais, Almirantes e Brigadeiros) permitiram que se chegasse a esta situação de corrupção, impunidade e escárnio ao Povo Brasileiro sem sequer uma palavra de censura, de advertência. No excelente texto do Gen Maynard, ele mesmo aponta o esgarçamento moral, cívico, econômico e, principalmente, ético da sociedade, e, sem dúvida nenhuma, provocado, entre outras causas, pelos "direitos sem deveres", pelo exemplo de corrupção e ganância desenfreada, dado pelas autoridades, e também e principalmente, pela IMPUNIDADE generalizada que a nossa legislação proporciona (principalmente para os 'poderosos'). Quando aqueles que têm o DEVER de zelar pela Pátria vão assumir suas responsabilidades? QUANDO?
Visitantes - Luciano Abib em Terça, 19 Setembro 2017 17:16

Excelente texto. Urge a INTERVENÇÃO, pois não há mais o que esperar...

Excelente texto. Urge a INTERVENÇÃO, pois não há mais o que esperar...
Visitantes - TOMIO MAKIHARA em Terça, 19 Setembro 2017 16:55

O Sr acertou na ferida no segundo parágrafo. Eles deveriam perder sim o mandato legislativo, pois ora, vejam só, a promiscuidade é tanta, que de manhã, deixam o seu cargo no Executivo, REASSUMEM o mandato no Legislativo para VOTAREM as propostas nefastas e logo em seguida retornam ao Executivo. Isto tantas vezes quanto forem necessário para satisfazer a ganância e a bandalheira!! Pobre Brasil!

O Sr acertou na ferida no segundo parágrafo. Eles deveriam perder sim o mandato legislativo, pois ora, vejam só, a promiscuidade é tanta, que de manhã, deixam o seu cargo no Executivo, REASSUMEM o mandato no Legislativo para VOTAREM as propostas nefastas e logo em seguida retornam ao Executivo. Isto tantas vezes quanto forem necessário para satisfazer a ganância e a bandalheira!! Pobre Brasil!
Visitantes - Pedro Cerqueira Caldas Neto em Terça, 19 Setembro 2017 15:58

Os brasileiros não aguentam mais esta desordem social, o país entregue as moscas, a marginalidade a corrupção zombam das pessoas de bem.

Os brasileiros não aguentam mais esta desordem social, o país entregue as moscas, a marginalidade a corrupção zombam das pessoas de bem.
Visitantes - Marcos João de Souza em Terça, 19 Setembro 2017 15:24

É chegada a hora da derrubada deste Estado Nefasto, Autoritário, Regulador e Corrupto.

Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.
fonte: Ayn Rand

É chegada a hora da derrubada deste Estado Nefasto, Autoritário, Regulador e Corrupto. Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada. fonte: Ayn Rand
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