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Entrevista com o Gen R/1 (Dr.) José Carlos Albano do Amarante, integrante do Conselho Consultivo do Instituto Meira Mattos (IMM) e antigo comandante do Instituto Militar de Engenharia (IME)

Publicado: Quinta, 16 de Julho de 2015, 13h46 | Última atualização em Quinta, 16 de Julho de 2015, 13h46 | Acessos: 6467

APRESENTAÇÃO

Doutor em “Aeronautics and Astronautics”(Stanford University,1979), Mestre em Engenharia Mecânica (Stanford University), Mestre em Engenharia Química (Coppe-UFRJ,1974), Bacharel em Engenharia Química pelo Instituto Militar de Engenharia (IME, 1971). General de Divisão da Reserva do Exército.

Tem experiência na área de Engenharia Aeroespacial, com ênfase em Aerodinâmica e Propulsão de Foguetes. Foi Diretor do Parque Regional de Manutenção da 1ª Região Militar e do Arsenal de Guerra do Rio, Foi Comandante e Reitor do IME, Presidente da Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), Diretor de Fabricação e Recuperação do Exército, assessor do Ministério da Defesa para Assuntos da Indústria de Defesa, Ciência e Tecnologia.

Atualmente, atua na área de Defesa como professor e pesquisador nos programas de pesquisa e pós-graduação do Instituto Meira Mattos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e Professor Visitante no Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense. É pesquisador bolsista do Programa de Pesquisa  para o Desenvolvimento Nacional (PNPD) do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA). Em 2012, lhe foi conferido o título de Professor Emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).

EBlog: O Sr integra o Conselho Consultivo do IMM. Como foi sua participação no processo de criação deste Instituto?

Gen Amarante:

O processo de criação do Instituto Meira Mattos foi conduzido pela ECEME de maneira formal e irretocável. Por ser um palestrante de longa data da ECEME, a aproximação comigo ocorreu em duas fases. Resultou, inicialmente, de um convite do então comandante da Escola, o Gen Sérgio, para sermos apresentados ao Instituto, seus objetivos e seu modo de funcionar. No final da visita, houve uma conversa explorando a capacidade do Instituto de ser o elemento de ligação entre a pós-graduação em ciências militares e a pós-graduação em ciências “civis”. A segunda fase foi um processo interno na Escola que levou ao convite formal e irrecusável de integrar o Conselho Consultivo do IMM e ser professor emérito e permanente no quadro do Instituto.

 

EBlog: Como o IMM pode ajudar o Exército a transpor os desafios da Era do Conhecimento?

Gen Amarante:

A evolução dos meios de guerra desde a antiguidade até a modernidade implica em uma enorme complexidade tecnológica, que pode ser classificada por três funções tecnológicas básicas do combate: o sensoriamento (S), o processamento (P) e a atuação (A) . A guerra na antiguidade era tão somente o resultado do choque de atuadores, enquanto a guerra na modernidade é um conflito generalizado, que tende a explorar, de maneira automatizada, o ciclo SPA, sinalizando para o futuro a guerra de sistemas. Em consequência, na modernidade, o militar lida com um volume de conhecimentos imensamente maior do que na antiguidade.

Por essa razão, o Exército como um todo deve se aproximar, mergulhar e  aprender a ciência e tecnologia militar. É impositivo e mandatório. O IMM se constitui em importante ferramenta para proporcionar a alunos militares e civis o conhecimento tecnológico militar.

 

EBlog: O Sr acredita que o curso de mestrado acadêmico conduzido pelo IMM pode estreitar a ligação entre as linhas bélica e científico-tecnológica do ensino do EB?

Gen Amarante:

Sem sombra de dúvida. Poderíamos estabelecer áreas de concentração, comuns ou complementares, aglutinando professores de programas distintos e voltados para assuntos da Defesa. O objetivo seria a integração das várias linhas de pesquisa de maneira que as questões de Defesa e científico-tecnológicas, ou duais, pudessem ser tratadas de forma sintética e com facetas multi e interdisciplinares.

 

EBlog: A dualidade tecnológica civil-militar pode influenciar no desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID)?

Gen Amarante:

A Base Industrial de Defesa necessita comercializar seus produtos e a dualidade amplia a gama de mercadorias que empregam a tecnologia dual civil-militar. Além disso, a venda de produtos militares é sazonal, isto é, não existe a figura de venda mensal nem de produto de prateleira. Existe sim a venda por encomenda, que implica na ocorrência de períodos de atividade febril intercalados por fases de estagnação produtiva. Em consequência, a dualidade também ajuda a reduzir o tempo de ociosidade produtiva.

 

EBlog: De que forma os Projetos Estratégicos do Exército podem promover o desenvolvimento da indústria de defesa nacional?

Gen Amarante:

O sucesso atingido pelos Programas SIVAM/SIPAM da Aeronáutica bem demonstra o efeito colateral e indutor provocados por programas estratégicos cumprindo dois objetivos. Primeiro, é uma ação dissuasória pela ampliação da capacidade nacional e, segundo, o Brasil aprende a especificar e produzir sistemas, com o ciclo SPA integrado, trabalhando em cenários mais do que prováveis da guerra do futuro.

 

EBlog: Em sua avaliação, o Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) tem efetivamente influenciado a evolução do pensamento de defesa no Brasil?

Gen Amarante:

Novamente, sem sombra de dúvida. O LBDN apresenta propriedades conflitantes. Por um lado, proporcionou aos outros países conhecimentos que poderiam permanecer inatingíveis, ou melhor poderiam continuar secretos. Por outro lado, forneceu à sociedade brasileira meios de participar em atividades de defesa, convencendo-a que a defesa é responsabilidade de todos os habitantes do Brasil – civis e militares.

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