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Resumo de tese de doutorado da Major Selma Gonzales, membro do corpo docente do Instituto Meira Mattos

Publicado: Quinta, 16 de Julho de 2015, 13h46 | Última atualização em Quinta, 16 de Julho de 2015, 13h50 | Acessos: 7312

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Major Selma Gonzales

A Major Selma Lúcia de Moura Gonzales é licenciada em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Ensino de Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em Gestão do Espaço Regional pela Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Geografia Humana (Política) pela Universidade de São Paulo (USP). Possui o curso de Aperfeiçoamento em Conhecimentos Militares e especialização em Aplicações Complementares às Ciências Militares. Atuou como docente nas disciplinas de Geografia e Filosofia na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, com formação de professores e metodologia da pesquisa científica na Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) e em assessoria na área de ensino no Colégio Militar de Brasília (CMB). Atua, também, na área de Geografia Humana (Política), pesquisando os seguintes temas: estudos da paz e guerra, territorialidade militar, defesa, Forças Armadas e sociedade e geopolítica. Foi vencedora do III Concurso de Teses sobre Defesa Nacional - categoria Tese de Doutorado - subcategoria Ciências Humanas, Sociais Aplicadas e afins, prêmio concedido pelo Ministério da Defesa/CNPq, no ano de 2008. Atualmente, exerce a função de professora e pesquisadora nos programas de pesquisa e pós-graduação do Instituto Meira Mattos (IMM) da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), na área de defesa.

 RESUMO

A tese de doutorado intitulada “A territorialidade militar terrestre no Brasil: os Tiros de Guerra e a estratégia de presença” objetivou analisar a territorialidade militar a partir do estudo dos Órgãos de Formação da Reserva (OFR) denominados Tiros de Guerra (TG), assim como a vinculação destes com a estratégia militar da presença. Inicialmente foram definidos conceitos que se vinculam diretamente à temática em pauta: território, territorialidade, poder militar, segurança, defesa e estratégia militar, particularmente a estratégia militar da presença. Situando o TG no âmbito das diretrizes institucionais que tratam sobre segurança e defesa no País, constatou-se que este OFR não é contemplado particularmente nas diretrizes mais amplas, mas se insere como integrante da força de reserva mobilizável do Exército Brasileiro, porém com atuação bastante limitada em um quadro de defesa territorial, em ações de garantia da lei e da ordem e em atribuições subsidiárias (desenvolvimento e defesa civil), ações estas limitadas devido ao tipo de formação militar do jovem que presta o serviço militar obrigatório nos TG. Com vistas a situar o sistema de recrutamento e os órgãos a ele vinculados, procurou-se mostrar, sinteticamente, a estrutura organizacional do Exército Brasileiro e a distribuição dos órgãos que preparam, exclusivamente, para a reserva mobilizável: os Centros e Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva, as Escolas de Instrução Militar e os TG. Para a análise da territorialidade militar terrestre no Brasil – práticas e ações que se materializam no território e corroboram para sua apropriação – a partir do estudo da distribuição e atuação dos TG e a relação destes com o que preconiza a estratégia militar da presença, buscou-se conhecer a realidade desses OFR. Foram pesquisados cento e cinquenta e oito, mediante entrevistas com Chefes de Instrução e aplicação de questionários. Após analisar mais detidamente a realidade atual dos TG, objetivando averiguar os processos nos quais a territorialidade se manifesta, constataram-se algumas situações: esses órgãos militares sofreram mudanças estruturais no que se refere à sua funcionalidade e ao público-alvo. Atualmente, se sustentam em um tripé: participação em campanhas cívico-sociais, formação militar limitada/formação do caráter do jovem e apoio ao poder local. Comportam-se como redes de malha elástica e ‘nós’ firmes que se fixam territorialmente, além de representaram pontos de divulgação institucional no local e, em última instância, reserva estratégica para fins militares limitados. Atendem, prioritariamente, a territorialidade institucional e promovem a apropriação simbólica do território municipal, em consonância com o poder político local. Corroboram com a estratégia militar da presença de maneira limitada no aspecto combativo, todavia voltam-se à estratégia sociopolítica institucional no sentido de permanência e aceitabilidade da organização militar terrestre. Assim, validam uma presença institucional que não se restringe à presença material, mas traduz-se numa inserção na malha social do município. Dessa maneira, podem contribuir indiretamente para a estratégia da resistência em áreas prioritárias para a defesa, a exemplo da Amazônia brasileira. Também, voltam-se, principalmente, para as classes mais desfavorecidas socialmente, o que demanda uma reformulação na sua estrutura de funcionamento.

GONZALES, Selma Lúcia de Moura Gonzales. A territorialidade militar terrestre no Brasil: os Tiros de Guerra e a estratégia de presença. 2008. 310 f. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

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