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Reveja a entrevista com a Professora Doutora Adriana Marques, professora do Instituto Meira Mattos, uma das matérias mais visualizadas no EBlog em 2013.

Publicado: Quinta, 16 de Julho de 2015, 13h47 | Última atualização em Quinta, 16 de Julho de 2015, 13h47 | Acessos: 7008

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A Prof Dra Adriana Marques é bacharel em Ciências Sociais, com habilitações em Antropologia e Ciência Política, e mestre em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Fez seu doutorado em Ciência Política na Universidade de São Paulo (USP). Na Universidade de Campinas (UNICAMP), foi assistente de pesquisa no Núcleo de Estudos Constitucionais e pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos. Também foi pesquisadora visitante no Watson Institute for International Studies da Brown University, enquanto realizava seu doutorado na USP. Participou de um projeto sobre os militares e a Amazônia no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas (FGV), onde também fez uma pesquisa de Pós-doutorado. Atualmente é professora e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares do Instituto Meira Mattos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (PPGCM/IMM/ECEME), onde também exerce a função de coordenadora-adjunta do Mestrado Acadêmico e Secretária Executiva da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED) no biênio 2012-2014.

EBlog: Como foi o primeiro contato da Sra com a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME)?

Prof Dra Adriana Marques: Eu comecei a coletar dados na biblioteca da ECEME quando estava fazendo minha dissertação de mestrado no final da década de 1990. Mais tarde, quando eu estava fazendo minha pesquisa de pós-doutorado, em 2009, entrei em contato com o antigo Centro de Estudos Estratégicos, que deu origem ao Instituto Meira Mattos, para entrevistar os instrutores e alunos dos países amazônicos que estavam na ECEME. Em 2010, recebi o convite do Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação (DPPG) para ser orientadora externa de uma pesquisa de doutorado sobre a construção de uma comunidade de segurança na América do Sul e, em 2011, fui contratada para trabalhar na elaboração do mestrado acadêmico em Ciências Militares.

EBlog: Quais são as suas atividades de pesquisa?

Prof Dra Adriana Marques: Eu sou a coordenadora pela ECEME do projeto de pesquisa interinstitucional “Vigilância nas Fronteiras e Muros Virtuais” que foi contemplado pelo Programa Pró-Estratégia em 2012. Este projeto é liderado pela Universidade Federal de Pernambuco e conta com pesquisadores da Universidade de Santa Catarina e da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Também integro a equipe do projeto interinstitucional “Cenários internacional e regional de segurança e defesa” recém-aprovado no Edital Pró-Defesa 2013. Este projeto é liderado pela USP e conta com a participação de pesquisadores das Universidades Federais de Pernambuco, Santa Catarina, Fluminense e também da Escola de Guerra Naval (EGN). Além disso, eu participo de um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre Segurança e Política Internacional.

O estabelecimento de redes de pesquisa com universidades em diferentes estados brasileiros é muito importante para o Instituto Meira Mattos, porque abre a possibilidade de intercâmbios acadêmicos para os nossos alunos.

EBlog: Quais são as suas atividades de ensino no Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares (PPGCM)?

Prof Dra Adriana Marques: Eu leciono três disciplinas atualmente. Uma chamada Estudos de Segurança e Defesa, obrigatória para os alunos de mestrado e doutorado, e duas eletivas: a disciplina Geopolítica e Reordenamento Internacional eu divido com os meus colegas de Departamento, Major Oscar Medeiros Filho, do Gabinete do Comandante do Exército e Major Selma Gonzales, do Colégio Militar de Brasília, eles cuidam da Geopolítica e eu do reordenamento; e a disciplina Sociologia Militar eu divido com o Professor Celso Castro, da Fundação Getulio Vargas. Esta disciplina é ministrada um ano na ECEME e outro no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil para os alunos de mestrado e doutorado das duas instituições.

Mas nós, professores civis do IMM, não lecionamos apenas nos cursos do PPGCM, a ideia é que haja colaboração e troca de ideias entre o PPGCM e os outros cursos da ECEME. Eu colaboro sempre que possível com as atividades da Coordenadoria de Ensino de Assuntos Estratégicos para o Curso de Altos Estudos Militares. Desenvolvemos algumas atividades em conjunto com o Curso de Política e Alta Administração do Exército também.

EBlog: Como a Sra vê a inserção dos Estudos de Defesa e das Ciências Militares no mundo acadêmico brasileiro?

Prof Dra Adriana Marques: os Estudos de Defesa têm ganhado força e espaço nos últimos anos. Isso se deve ao esforço e dedicação de uns poucos acadêmicos civis e militares que mostraram a importância do tema a duras penas nas universidades brasileiras. Quando eu iniciei a primeira pesquisa sobre os militares, no segundo ano da graduação, em 1994, meu orientador, Eliézer Rizzo de Oliveira, agendou uma entrevista com o então Coronel Heleno que comandava a Escola Preparatória de Cadetes em Campinas. Eu não queria ir, estava morrendo de medo, meus colegas de turma me disseram que eu poderia ser presa dependendo do que perguntasse. Quando eu voltei para a faculdade, à tarde, fui recebida como uma astronauta, ou melhor, como uma antropóloga que sobreviveu aos “aborígenes”.

Hoje eu recebo as minhas orientandas do curso de graduação em Defesa da UFRJ no IMM com se estivéssemos em qualquer universidade. Elas assistem minhas aulas no mestrado, quando podem. Ninguém mais tem medo de entrar numa Escola Militar. Claro que as coisas mudaram. Mas ainda há muito por fazer.

Nas últimas décadas houve um crescimento muito grande do interesse acadêmico pelas Relações Internacionais. O interesse pelos Estudos de Defesa é, em parte, beneficiário disso. A maior preocupação com o papel do Brasil do cenário internacional chamou a atenção para os temas de segurança internacional. A participação do Brasil em missões de paz sob mandato da ONU chamou a atenção para o papel das Forças Armadas de uma forma positiva. A criação do Ministério da Defesa e a publicação de documentos como a Política Nacional de Defesa e a Estratégia Nacional de Defesa também fomentaram a dinamização da agenda de pesquisa na área de Defesa.

Agora, nós temos a árdua tarefa de delimitar nosso campo de estudo que não pode mais se limitar ao estudo das intervenções militares na vida política, como nas décadas de 1970 e 1980, e nem se confundir com os estudos de Política Externa e Relações Internacionais, ainda que guarde estreita relação com estes. Dizer que a Defesa é uma política pública também não é suficiente. A Defesa é uma política pública muito particular, basta lembrarmos da máxima de Clausewitz.

EBlog: Como a Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED) tem observado a iniciativa de criação do Instituto Meira Mattos (IMM)?

Prof Dra Adriana Marques: Eu fui convidada para compor a diretoria da ABED já na condição de professora do IMM, em parte por ser uma pesquisadora civil trabalhando numa instituição militar, mas é importante frisar que a ABED é uma sociedade científica, reunindo acadêmicos e profissionais, e não uma federação de Programas de Pós-Graduação, onde cada um/uma defende os interesses da sua instituição de origem. Então, sinto-me muito à vontade para falar sobre isso. O atual vice-presidente da ABED, meu orientador na UNICAMP, Eliézer Rizzo de Oliveira, é membro do Conselho Consultivo do IMM; o professor Eurico Figueiredo, um dos ex-presidentes da ABED também. O professor Samuel Alves Sores, outro ex-presidente da ABED, é professor colaborador do nosso mestrado em Ciências Militares, ou seja, vários membros da entidade participam do dia a dia do IMM.

EBlog: O que representa, para a sociedade, a implantação de um mestrado acadêmico em ciências militares?

Prof Dra Adriana Marques: Representa a possibilidade de termos civis e militares estudando e discutindo Defesa juntos na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Eu tenho uma trajetória muito particular. Sempre tive colegas militares nos cursos de Pós-Graduação na UNICAMP e na USP. O Paulo Kuhlmann, hoje coronel da reserva, leu, releu, e me ajudou a identificar todas as imprecisões conceituais e técnicas na tradução para o português do Soldado e o Estado do Huntington. O Oscar Medeiros foi meu colega na USP, tivemos o mesmo orientador, e hoje é meu colega no DPPG. Mas eu sei que fazer o curso que nós montamos na ECEME será uma experiência bem mais sofisticada para os alunos e alunas civis do que a que eu tive.

No próximo ano, os alunos civis que ingressarem no PPGCM irão estudar logística militar com os majores que estão no CAEM. No futuro, esta turma formada por civis e militares vai conversar sobre estratégia militar, teoria de relações internacionais etc. com a mesma naturalidade que eu converso com o Paulo e o Oscar sobre o que nós estudamos na faculdade. Isso gera confiança, conhecimento mútuo. Lembro também que a decisão de se criar o mestrado acadêmico na ECEME com a participação de civis foi uma determinação do Comandante do Exército, que publicou uma diretriz tratando desta matéria em 2010. Na minha opinião, civis e militares só têm a ganhar com esta iniciativa.

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