Comunicação Institucional Formando Opiniões: o Estudo de Caso Sobre o Gibi Recrutinha

A comunicação, em todas as suas expressões, é de extrema importância para a relação entre as instituições e a sociedade. À medida que se solidifica a necessidade de um relacionamento mais estreito e mais transparente entre as instituições e seus diversos públicos, pode ser trabalhada a ideia de que a comunicação social está presente por meio de suas variadas estratégias e ferramentas.

Uma dessas ferramentas são as histórias em quadrinhos (HQ’s). Elas surgiram para compor uma página ou uma tira em um jornal ou em uma revista. Da época do primeiro quadrinho até os dias atuais, a política, o humor e os heróis já passaram pelas páginas dos gibis, como são chamadas carinhosamente as revistas em quadrinhos no Brasil.

O presente artigo é um desdobramento do trabalho apresentado ao Centro Universitário de Brasília (UniCEUB/ICPD) como pré-requisito para a Conclusão de Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Gestão da Comunicação nas Organizações e se propõe a analisar a percepção das crianças em relação ao gibi Recrutinha e a verificar a relação entre essa percepção e o fortalecimento da imagem do Exército Brasileiro perante esse segmento de público.

O gibi Recrutinha é uma revista temática infanto-juvenil com histórias em quadrinhos e é distribuída gratuitamente, pelo menos duas vezes ao ano, pelo Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx).

As crianças e os jovens sempre se interessaram pelas atividades do Exército, pois faziam muitas perguntas aos soldados, seja em desfiles militares como, o de 7 de setembro, seja em exposições de materiais militares ou visitas aos quarteis. Assim, verificou-se a necessidade de confeccionar produtos voltados para o público infanto-juvenil. Em outubro de 2000, foi produzido pelo CCOMSEx o primeiro tabloide dirigido a este público, que foi distribuído em escolas, feiras e exposições em que o Exército participava.

Devido ao sucesso do tablóide foi criado uma personagem que integrasse as crianças e os jovens ao universo militar, atraindo ainda mais a atenção dos leitores destas faixas etárias. No início, foi criada uma onça, pois chamaria a atenção para a necessidade de preservar o meio ambiente. Todavia, a onça limitaria a área de atuação da personagem. Então, foi criado um soldado do Exército, chamado de Recrutinha.

Em abril de 2006, foi lançada a primeira edição do gibi Recrutinha e, em 2009, surgiu outra importante personagem, a Olivinha, devido ao aumento de mulheres interessadas em entrar para o Exército.

Uma pesquisa de campo com crianças de 6 a 8 anos foi aplicada para avaliar a percepção do público infantil sobre o gibi Recrutinha.

GRAFICO 1

Na questão, “O que você achou do Recrutinha?”, foi observado que a maioria, 91,18%, marcou a opção “Maneiro”. Podemos dizer, assim, que as crianças gostaram muito do Recrutinha, facilitando a absorção da mensagem institucional transmitida pelo gibi.

GRAFICO 2

No gráfico acima, observa-se o que as crianças mais apreciaram nas histórias. Constata-se que 70,60% dos entrevistados gostaram das “Aventuras” do Recrutinha; 23,52%, da “Amizade entre soldados e crianças”; 2,94%, de tudo no gibi e 2,94% gostaram de “Conhecer fatos históricos”. A partir dessa questão, chega-se à conclusão de que a grande maioria das crianças preferem aventuras, ou seja, quando o Recrutinha participa ativamente da história e não é um mero contador de fatos históricos.

GRAFICO 3

GRAFICO 4

 

Os gráficos 3 e 4 complementam-se. Na pergunta 3, deseja-se saber se a criança gostaria de ser como o Recrutinha ou, para as meninas, como a Olivinha. Já a pergunta 4 busca mostrar o porquê da resposta dada. A maioria das crianças, 79,42%, selecionaram a opção sim, ou seja, afirmaram que gostariam de ser como o Recrutinha ou a Olivinha e somente 20,58% responderam que não queriam ser como os personagens do gibi Recrutinha. Ao analisar o gráfico 4, observamos que houve uma grande quantidade de respostas sobre a possibilidade de gostar ou não gostar dos personagens. Podemos citar que quase a metade, 48,55%, destacou que gostaria de ser como eles, por serem “Maneiros/legais”, 14,29% queriam participar de “Aventuras”, dentre outras respostas. Com relação aos que optaram por respostas negativas na questão 4, 11,43% não gostariam de ser como eles, por exercerem um “Trabalho perigoso e que machuca”. Outros respondentes escolheram as opções “Quero ser médica”, “Quero fazer outro trabalho” e “Chato”, cada um com 2,86%. Percebe-se que apenas a alternativa “Chato” pode ser realmente considerada negativa. Até mesmo as crianças que consideram as atividades dos personagens perigosas ou que machucam podem vir a ter uma imagem positiva deles ou tomá-los como exemplos.

GRAFICO 5

No gráfico 5, havia quatro opções a marcar: “Professora”, “Médico”, “Soldado” e “Bombeiro”. A criança ainda poderia escrever livremente o que quer ser quando crescer. Verificamos que ser “Soldado”, com 23,54%, seguido por ser “Médico” e “Jogador de futebol”, com 17,65% cada, foram as escolhas de 1/4 das crianças, mostrando que o contato com as HQs do Recrutinha podem ter mudado a percepção dos entrevistados em relação ao que querem ser quando forem grandes.

Após análise das respostas, verificamos que as crianças internalizaram os personagens e que a continuidade da leitura do gibi Recrutinha permitirá que essa modalidade de comunicação institucional forme opiniões positivas acerca do papel do Exército na sociedade, modificando a configuração mental e afetiva.

Pelo breve estudo acima exposto, é possível estabelecer a relação entre história em quadrinhos institucional e agregação de valor à imagem do Exército Brasileiro, além de compreender que a comunicação institucional, abordada nesse trabalho por intermédio do gibi Recrutinha, pode formar opiniões favoráveis à Força, fortalecendo a imagem do Exército perante o público infantil.

Após a análise da pesquisa, concluímos que as crianças gostaram muito do gibi, o que facilitou a absorção da mensagem institucional transmitida; que gostariam de ser como os personagens das histórias, refletindo os atributos do Exército e criando uma identidade com os militares; e que querem ser soldados quando crescer, mostrando que o contato com as HQs do Recrutinha influenciou a percepção dos entrevistados em relação ao que querem ser quando forem adultos.

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