O Sistema de Assessoramento Parlamentar do Exército

Daqui a poucos dias serão realizadas novas eleições no Brasil. Na esfera federal, dois terços do Senado Federal e toda a Câmara dos Deputados estarão em disputa por uma nova legislatura. Além da importância desse significativo evento do regime democrático, o pleito eleitoral se diferencia pela oportunidade de incrementar a agenda de Defesa no Congresso Nacional.

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O que o Exército me ensinou sobre liderança: o desenvolvimento de líderes subordinados

O Exército Brasileiro é uma Instituição baseada em dois pilares muito sólidos: hierarquia e disciplina. A hierarquia impõe um ordenamento da autoridade legal, que é outorgada a todos os integrantes da Força em posição de comando. A disciplina, livremente aceita quando do ingresso na profissão das armas, impõe a obediência àquele ordenamento hierárquico.

Por outro lado, a organização do Exército é, essencialmente, ternária, o que significa o seguinte: o grupo básico, denominado "grupo de combate", reúne dez militares, comandados por um sargento. Três grupos de combate formam um "pelotão", comandado por um tenente. Três pelotões formam uma "companhia", comandada por um capitão. Três companhias formam um batalhão e assim sucessivamente, escalando os diversos comandos até o mais alto nível, aquele que comporta vários milhares de soldados, comandados por um general de exército.

Logicamente, a esquematização  acima é uma simplificação, que objetiva, apenas, chamar atenção para o fato de que o Exército é uma organização que exige a presença de líderes em todos os níveis de sua cadeia hierárquica. Isso quer dizer que o desenvolvimento das lideranças subordinadas deve ser prioridade dos comandantes em todos os níveis. Um elo fraco fará romper toda a corrente. E, para ter sucesso, o comandante depende, fundamentalmente, do sucesso de seus subordinados.

O ensino formal da Liderança, em todas as escolas de formação, aperfeiçoamento e altos estudos do Exército, responde pelo embasamento técnico e teórico sobre o assunto, que por si só não basta. É no corpo de tropa que o desenvolvimento das lideranças ocorre efetivamente.

Antes de tudo, tal desenvolvimento ocorre pelo exemplo, mas não somente. Uma prática importante é o cuidado que os chefes mais antigos devem ter em evitar o microgerenciamento. Evitar chamar para si a responsabilidade pela execução das tarefas que deveriam ser feitas por seus líderes subordinados. O comandante "centralizador", que exige ser sua a palavra final sobre tudo, inibe seus comandados, impedindo-os de se desenvolverem e de ganharem experiência e autoconfiança.

Outra ferramenta importante é a atribuição da missão pela finalidade, ou seja, o comandante diz ao líder subordinado qual é o objetivo a ser cumprido, quais os parâmetros a ser atingidos, quais são as condicionantes impostas. Desse modo, estabelece o "que" fazer. O "como" fazer deve ser decidido pelo líder subordinado. Isso lhe permite tomar decisões na sua esfera de atribuições, de acordo com o desenrolar dos acontecimentos e em razão de fatos novos e imprevistos. Esse exercício torna o líder mais capaz de tomar decisões e não um mero cumpridor de tarefas impostas rigidamente.

A orientação leal e franca, com o reconhecimento por parte dos superiores da atuação meritória dos líderes subordinados, bem como a correção, a supervisão e a direção próxima, quando a situação assim exigir, são muito importantes e constituem outra prática fundamental para o desenvolvimento dos atributos necessários ao bom desempenho dos comandantes, de todos os níveis. Assim, o Exército continua a desenvolver seus quadros com o firme propósito de contar com líderes que conduzam a Instituição ao cumprimento de todas as missões impostas pela sociedade brasileira.


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O que o Exército me ensinou sobre liderança: a liderança nos diferentes níveis

Um questionamento bastante frequente quando se está tratando do assunto Liderança é se ela ocorre do mesmo modo, em todos os níveis. Um jovem tenente, comandante de um pelotão formado por cerca de trinta homens, lidera da mesma forma que um general, que comanda alguns milhares?

A resposta não é tão simples como pode parecer. Para tentar esclarecer o assunto, precisamos tratar dos conceitos de Liderança Direta e Liderança Indireta. A primeira é aquela exercida pelos comandantes diretamente sobre seus subordinados. É a liderança do "olho no olho", em que o líder estabelece vínculos diretos com seus liderados. É nela que o exemplo se manifesta de modo mais intenso. A última é aquela exercida pelos comandantes de nível mais elevado, por intermédio de seus líderes subordinados, sem o contato direto, utilizando-se de uma cadeia de comando.  

Assim, parece claro que, enquanto os líderes nos primeiros níveis de uma cadeia de comando, como os tenentes, exercem basicamente a Liderança Direta, aqueles que estão nos últimos níveis exercem, em muito maior proporção, a Liderança Indireta. Enquanto os primeiros lideram times, os últimos comandam "times de times".

Se as crenças e os valores que forjam o caráter do líder permanecem imutáveis ao longo de todos os níveis da organização, as competências, certamente, não são as mesmas. A Liderança Direta exige ação para o atingimento de objetivos definidos. A Liderança Indireta exige a capacidade de inspirar líderes subordinados à ação para o atingimento de vários objetivos, diferentes e complementares, que, em conjunto, levarão a organização como um todo a alcançar suas metas.

Se, na Liderança Direta, as competências técnicas são fundamentais, na Indireta as habilidades político-estratégicas ganham destaque. Um tenente conhece todos os modernos sistemas de armas utilizados por seu pelotão. Um general cria visão de futuro, impulsiona as mudanças em direção dessa visão e alinha estratégias para que se chegue até lá.

Neste ponto, podemos retornar à pergunta do primeiro parágrafo. Líderes de diferentes níveis lideram da mesma forma? A resposta a essa pergunta é dada ao se verificar que tipo de liderança está sendo exercida naquele momento: direta ou indireta? Meditar sobre isso nos auxilia a entender melhor o fenômeno da Liderança.

(Colaboração de aluno da ECEME)

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O que o Exército me ensinou sobre Liderança - A importância da Empatia

"Cadete! Ides comandar, aprendei a obedecer". A frase, imortalizada nas paredes do Pátio Tenente Moura, na Academia Militar das Agulhas Negras, acompanha os quatro anos de formação de todos os oficiais combatentes do Exército Brasileiro. Impossível deixar de lê-la todos os dias, nas formaturas matinais e nas idas para o refeitório.

Em uma interpretação descuidada, um leitor desatento talvez imaginasse que se trata de um estímulo à obediência pura e simples, cega e desprovida de espírito crítico. Tal conclusão não poderia ser mais afastada da realidade.

O que a frase lembra aos futuros líderes do Exército é que eles devem aprender a cumprir ordens como aquelas que eles passarão a emitir após formados. Deverão prestar atenção às consequências das ordens emanadas. Precisam obedecer para compreender, na plenitude, os sentimentos daqueles que, por imposição legal, passarão a lhes obedecer em muito pouco tempo.

Estamos abordando algo muito discutido em Liderança. Trata-se da Empatia, que é a capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas, entendendo suas reações emocionais. É, em outras palavras e para simplificar, a capacidade de se colocar no lugar dos outros.

Ora, somente obedecendo, ou seja, vivenciando as experiências de ser um liderado, que os futuros oficiais da Força terão a possibilidade de compreender os impactos de suas ordens sobre seus comandados.

Daniel Goleman classifica a Empatia como uma das dimensões da inteligência emocional. O famoso autor afirma que a Empatia faz com que o líder tome as decisões levando em conta os sentimentos dos liderados.

A vida militar oferece situações inéditas, em que o risco e a tensão estarão presentes com grande intensidade. Somente quem já passou pela experiência de realizar uma atividade de risco pode compreender os sentimentos que isso traz. Tal afirmação é válida para inúmeras situações, das mais simples às mais complexas, das rotineiras às excepcionais.

"Cadete! Ides comandar, aprendei a obedecer". Esta é uma exortação que clama aos futuros comandantes:

Compreendam seus subordinados! Preocupem-se com eles! Somente assim vocês estarão aptos para decidir com acerto, tendo condições de estabelecer vínculos afetivos capazes de tornar os comandados verdadeiros líderes!



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O QUE É O AMAZONLOG17?

Exercício de logística conjunta, multinacional, interagências e humanitária - vetor de suporte ao enfrentamento dos desafios amazônicos.


Ao ser convidado pelo Comandante Logístico para planejar e coordenar o Exercício AMAZONLOG17, percebi que o desafio seria grande, porém, motivante, e que me traria a oportunidade de trabalhar com antigos companheiros, com os quais compartilhei diversas lides da caserna, como as de instrutor de Logística na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), no Rio de Janeiro (RJ); instrutor convidado no Western Hemispheric Institute for Security and Cooperation (WHINSEC), nos EUA; Comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, em Tefé (AM); e Chefe da Representação do Brasil na Junta Interamericana de Defesa (JID).

Uma vez apresentado à logística e ciente da importância deste sistema, constatei, mais à frente, o quanto os militares norte-americanos a valorizam e a reconhecem como fator determinante para a viabilidade e, mais que isso, para o sucesso ou o insucesso de uma operação. Já servindo na Amazônia, pude entender a observação de certo empresário em um simpósio, quando disse ser "mais fácil encontrar um elefante caminhando num shopping no Sudeste do Brasil do que um iogurte na prateleira de um supermercado em algumas cidades da Amazônia". Na JID, percebi a grande lacuna que é, hoje, a integração entre as Forças Armadas dos países americanos, vasto campo a ser explorado.

A essa altura, o leitor pergunta-se: mas, afinal, o que é o AMAZONLOG17? Respondo em poucas linhas.

É um Exercício Combinado de Logística Humanitária na Região Amazônica, amparado em nossas leis internas e em acordos de cooperação com países amigos. Além disso, é direcionado para a consecução dos objetivos estratégicos do Exército Brasileiro e das demais Forças, bem como é focado na cooperação e na busca da interoperabilidade entre as Forças Armadas e as Agências brasileiras e de países amigos. Cabe destacar que foram convidados todos os países que integram a JID, como também o foram as nações amigas que têm adidos militares acreditados no Brasil.

O AMAZONLOG17 é baseado no "negócio" do Comando Logístico do Exército (COLOG) e tem como principal objetivo melhor cumprir seu papel, respeitando o dos demais atores. Ainda nesse contexto, registra-se a aproximação de nossas Forças coirmãs com as de outros países e com as agências, que participam direta ou indiretamente do Exercício. São mais de duas dezenas de países e outras tantas agências com presença confirmada.

Apenas Brasil, Colômbia e Peru, condôminos de uma fronteira comum, tem tropa no terreno. Todo o efetivo está concentrado em Tabatinga (AM), porém, atuando sempre no respectivo território. As ações são planejadas por um Estado-Maior Combinado Interagências e o Comando Combinado é figurado pela direção do Exercício.

Como novidade doutrinária, o apoio logístico ocorre a partir de uma Base Multinacional, composta por Unidades Logísticas Multinacionais Integradas (ULMIs). Estas são constituídas de meios e de pessoal do Brasil e de diversos países amigos. Alguns produtos de defesa são utilizados de forma prática nessas ULMIs, abrindo espaço para a divulgação de nossa indústria, atividade que conta com a presença de autoridades nacionais e estrangeiras.

Assim, a iniciativa do Comandante Logístico, aprovada pelo Comandante do Exército e pelo Ministro da Defesa, mostra-se, a meu ver, além de pertinente e atual, extremamente corajosa. Pertinente, porque, de fato, a logística é o maior desafio na Amazônia, não obstante o trabalho messiânico de nossos soldados. Atual, posto que o conceito de Base Logística Multinacional, composta por ULMIs, vem sendo adotado por países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não só com o objetivo de integrar esforços, mas também e, sobretudo, como forma de otimizar a utilização de preciosos recursos. Corajosa, uma vez que ideias novas, via de regra, enfrentam a barreira da quebra de paradigmas.

Pela primeira vez, o COLOG organiza e conduz um exercício. Mas, trata-se de um Exercício Logístico, que vai ao encontro dos objetivos estratégicos do Exército, levando meios ao terreno; testando novos eixos de suprimento que possam conectar o Sul e o Sudeste à Amazônia; incentivando e abrindo espaço para a indústria de defesa nacional; e compartilhando experiências com países amigos, que enfrentam desafios comuns na tríplice fronteira Brasil – Peru – Colômbia.

Já realizamos duas conferências internacionais de planejamento em Brasília (DF); um evento-teste (Exercício de Mesa) em Manaus (AM); e o Simpósio de Logística Humanitária, com exposição de produtos de defesa, também em Manaus. De 6 a 13 de novembro de 2017, ocorre o Exercício propriamente dito, em Tabatinga, sendo o dia 11, sábado, destinado a visitas e demonstrações.

A fim de entender a dimensão do esforço, convém lembrar que o primeiro comboio partiu ainda em julho, do Sudeste em direção à Amazônia, para poder cobrir uma distância de cerca de 6.500 km, sendo os últimos 2.680 km, de Porto Velho (RO) a Tabatinga (AM), por rio. Ainda em relação a números, cito mais alguns, que refletem a participação multinacional e interagências, e que impressionam pela magnitude: cerca de 1.800 pessoas diretamente envolvidas; 22 agências do governo brasileiro; 13 helicópteros; 11 aeronaves de asa fixa e 29 empresas.

Nossa impulsão já permite visualizar que o AMAZONLOG17 é um jogo em que ganharão todos os participantes do Brasil e das Nações Amigas, a nossa doutrina de operações combinadas, as sofridas populações da área, as instituições e todas as esferas de governo, consoante a estratégia de fazer-se presente. Acreditando no axioma "Treinamento difícil, combate fácil" – estamos nos adestrando para cumprir nossa principal missão constitucional: a Defesa da Pátria e, em particular, de nossa brasileira Amazônia.

Selva!



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