1º Sgt Luiz Gustavo da Silva Siston Auxiliar da Aditância do Exército nos Estados Unidos

Comandantes e adjuntos de comando: uma relação baseada na lealdade

A estrutura dos cargos e das funções no Exército permite que oficiais e sargentos executem atribuições de forma conjunta. A constituição das pequenas frações é um excelente exemplo, pois constituem as unidades em que aqueles militares, no início de carreira, exercem funções de comando, de acordo com níveis de responsabilidade, e trabalham em equipe para a conquista dos objetivos comuns do grupo.

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O Adjunto de Comando no Exército Brasileiro

O novo cenário mundial - globalizado e tecnológico - requer que as instituições estejam em constante aprimoramento. Desse modo, é imprescindível que seus integrantes trabalhem motivados, coesos e comprometidos com os valores e as diretrizes institucionais. Tais aspectos, fortalecidos nos recursos humanos, trarão benefícios importantes ao ambiente corporativo, permitindo que as missões sejam cumpridas com melhor aproveitamento e bom êxito.

Nesse contexto, o Exército Brasileiro criou o cargo de Adjunto de Comando, que se insere no escopo de cumprir o objetivo estratégico de fortalecer a dimensão humana e de seguir a diretriz do Comandante do Exército de valorizar as praças da Força. A concepção do cargo baseia-se em aproveitar o ponto de vista e a experiência do graduado no aperfeiçoamento contínuo dos processos relacionados à gestão e à operacionalidade das organizações militares (OM). Além disso, a atuação do adjunto de comando visa aumentar a coesão, o espírito de corpo e a motivação da tropa, bem como reforçar a ética e os valores militares entre as praças mais jovens.

Desde as escolas de formação até o desempenho das funções de comando de pequenas frações, de adjunto de pelotão e de sargenteante de subunidade, o sargento executa as missões com entusiasmo, competência e disciplina. Ele também assessora o comando enquadrante, nos diferentes assuntos relacionados à sua fração, tanto de ordem profissional, quanto pessoal. O convívio diário e aproximado do sargento com os subordinados permite o assessoramento oportuno, sendo valiosa ferramenta para a tomada de decisão dos comandantes.

O emprego da praça na função de adjunto de comando não é diferente. Sua atuação reveste-se das mesmas características desempenhadas pelo graduado, porém, o assessoramento é realizado em proveito do Comando da OM. Além disso, pela liderança e profissionalismo, o adjunto de comando coopera para fortalecer a ética, os valores institucionais e os preceitos da hierarquia e disciplina, aumentando a coesão e o espírito de corpo.

Por tratar-se de um novo cargo, que expressa inovação no emprego do graduado, é relevante que haja mudança cultural, com o objetivo de tornar o nosso Exército cada vez mais operativo, coeso e pronto para o cumprimento das diversas missões. Com o passar do tempo, essa mudança será consolidada naturalmente, mas, nessa fase inicial, é importante que se façam algumas observações.

Em primeiro lugar, devido às diferenças de cultura, da carreira e da doutrina, o cargo de adjunto de comando no Exército Brasileiro não deve ser comparado ao de alguns exércitos de nações amigas. A similaridade ocorre no aproveitamento da experiência e da capacidade do graduado em prol de maior operacionalidade.

Outra importante perspectiva é de que o adjunto de comando, no exercício de suas funções, visa ao reforço da autoridade do comandante em todos os níveis. Essa atuação é pautada sempre pelas normas e regulamentos e, principalmente, balizada pelos preceitos da hierarquia e da disciplina, pilares fundamentais da nossa Força.

Nesse sentido, com o objetivo de avaliar o cargo, o Estado-Maior do Exército realizou pesquisa junto aos comandantes das OM pioneiras na implantação, sendo a avaliação geral considerada muito boa. A análise abordou diversos aspectos positivos, dentre os quais se destacam a liderança junto às praças e o relacionamento com os oficiais. A pesquisa demonstrou, ainda, que o adjunto de comando contribuiu para o aumento do espírito de corpo das organizações militares.


Apesar de recente, o cargo tem demonstrado ótimos resultados no aspecto do relacionamento, bem como nas atividades operacionais e de instrução. O necessário tempo de maturação, aliado à expertise, ao comprometimento e à dedicação do sargento brasileiro, fará com que o cargo de adjunto de comando se consolide ainda mais ao longo do tempo, possibilitando aos comandantes disporem de mais uma ferramenta de apoio na tomada de decisão, seja na área operacional, seja na estratégica. Tudo isso traz aos nossos quadros a motivação e a harmonia necessárias, para que o Exército possa cumprir as missões com excelência cada vez maior perante a Nação brasileira.


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As Relações Interpessoais e as Novas Tecnologias

​Nos últimos anos, houve um extraordinário avanço no desenvolvimento das novas tecnologias, principalmente, nos dispositivos móveis de comunicação, que, atualmente, dispõem de inúmeros recursos, os quais extrapolam a principal função para o qual foram criados: a telefonia propriamente dita. Há dez anos, quem poderia imaginar enviar um vídeo, uma foto ou um documento, instantaneamente, para alguém que se encontra em outro país ou escolher a melhor rota, em um deslocamento motorizado, utilizando o aparelho celular?

Sem dúvida, essa tecnologia de última geração traz inúmeros recursos, que facilitam o dia a dia, porém, quem já parou para observar como estão as relações interpessoais no aspecto da comunicação, quando as pessoas estão juntas fisicamente? Com certeza, percebe-se que houve mudança nesse aspecto.

Não é incomum ver um grupo que, embora compartilhe o mesmo ambiente, seus integrantes não conversam entre si, por estarem teclando no mundo digital. Até mesmo no espaço familiar, essa prática está se tornando cada vez mais usual. A divisão da atenção entre alguém com quem conversamos e o nosso smartphone está aumentando gradativamente. Muitas vezes, conversamos e, ao mesmo tempo, navegamos nas redes sociais para verificar uma "curtida". Em alguns momentos, prestamos mais atenção no sinal de recebimento de mensagens do nosso aparelho do que na fala do interlocutor.

Hoje, as conversas não são como em outros tempos. Elas se tornaram rápidas e superficiais, o que nos tira a possibilidade de ter uma interação mais profunda e sadia, com a troca de experiências e o contato mais próximo com familiares e companheiros de trabalho.

No ambiente profissional, convivemos com essa nova realidade, contudo, nós, militares, devemos atentar para não priorizarmos a comunicação digital em detrimento da relação interpessoal. Para um sargento, por exemplo, que é comandante de grupo, poder exercer a liderança na plenitude, é de extrema importância que ele conheça bem os soldados sob seu comando. Para tanto, esse militar deve conhecer a personalidade, os hábitos, a composição familiar, as aflições, as pretensões pessoais e profissionais de cada um de seus subordinados. Isto só é possível por meio da conversa diária, do diálogo "olho no olho", única situação capaz de fazer com que sinta o estado de espírito daqueles com quem lida diariamente.

A conversa pelo mundo virtual é fria. Por isso, os emoticons nunca substituirão as expressões faciais humanas, as quais demonstram, verdadeiramente, o que o outro está sentindo.

É inevitável que as novas gerações, já nascidas nesse mundo digital, utilizem, cada vez mais, essas novas tecnologias. Todavia, o uso deve acontecer com sabedoria. Certamente, toda essa inovação é muito útil, porém, não devemos nos esquecer de que, por sermos humanos, necessitamos de um contato interpessoal de qualidade, para uma eficiente transmissão de valores e conhecimentos.

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