Ética e Moral - um breve estudo

Ética é uma palavra de origem grega, que pode ter dois entendimentos: o primeiro origina-se da palavra "éthos", pronunciada com o "e" curto (pronúncia fechada), traduzida para o latim com o significado de "costume"; a segunda, com grafia igual, "éthos", mas falada com o "e" longo (pronúncia aberta), significa "propriedade de caráter". O primeiro entendimento deu origem à palavra "Moral" e o segundo orienta a utilização da palavra "Ética".

A Ética, também chamada de "filosofia da moral", faz o estudo geral, nos campos econômico, político, psicossocial, científico-tecnológico e militar, sobre o que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado. O estudo ético justifica, ou não, as regras propostas pela Moral e pelo Direito. Entretanto, é diferente de ambos, porque não cria novas regras. O que caracteriza a Ética é, basicamente, a reflexão sobre as ações humanas, no que concerne aos fundamentos da vida moral, em todos os campos acima mencionados.

Por sua vez, a Moral pode ser definida como um conjunto de regras ou normas, que já passaram por um processo ético de depuração e que determinam o comportamento do indivíduo em uma dada sociedade. Estas normas – externas - geralmente antecedem o indivíduo. Este, ao nascer ou ao ingressar em uma instituição, já se encontra limitado por um conjunto de regras de comportamento que a sociedade espera que sejam respeitadas.

A Moral diz respeito aos costumes, princípios, códigos e normas que tentam regulamentar a maneira de agir das pessoas sob o ponto de vista do que é bom ou mau. Portanto, a questão básica da moralidade é saber diferenciar o bem do mal. A Moral responde à pergunta: o que posso e o que não posso fazer?

Cinco aspectos devem ser observados:

- As regras estabelecidas pela Moral podem variar no tempo e nas sociedades. Exemplos: a escravidão, aceita até um determinado momento da civilização ocidental, hoje, é considerada abominável; e a poligamia, permitida no islamismo, é reprovada no cristianismo. Entretanto, como a humanidade não pode, a cada geração, reinventar a roda, pois, se assim fosse, não haveria progresso, do mesmo modo, se a todo momento for necessário discutir e refazer normas já consagradas, o ser humano nunca conseguiria elevar seu nível moral e estaríamos regredindo a cada minuto, até voltarmos aos padrões dos homens das cavernas.

- A Moral não é um simples catálogo de proibições, porque não é negativista, mas construtiva, uma vez que orienta o homem, que tem livre arbítrio na escolha de seu próprio destino.

- A norma moral tem caráter coletivo e expressa o que está enraizado na tradição ou foi recentemente estabelecido pela sociedade, mas só tem valor real se for aceita em termos pessoais, isto é, se for internalizada e praticada pelo indivíduo. Portanto, quando se educa a juventude, não basta pregar uma relação de normas para o bom convívio social. É preciso que o educador explique, acredite e pratique o que fala, tornando-se exemplo vivo daquilo que prega. O ato moral é complexo. O ideal é que seja livre, consciente e intencional, porque diz respeito à responsabilidade do indivíduo com a sociedade.

- Para ser respeitado, aquele que exerce função de comando, chefia ou direção, em qualquer nível, terá que pautar sua vida por padrões morais aceitos pelo grupo no qual está integrado, cabendo a ele transmitir aos subordinados os princípios morais da instituição ou do grupo social a que pertence. De outro modo, não obterá a confiança do grupo, não terá credibilidade e, muito menos, virá a liderá-lo.

- É difícil estabelecer, a priori, um código de conduta para todas as situações da vida. Por isto, estando na dúvida sobre o que fazer (dúvida ética), é conveniente lembrar a Regra de Ouro - também chamada de Princípio da Reciprocidade -, que pode ser expressa da seguinte forma:

"Trate os outros como você gostaria de ser tratado e só faça aquilo que você gostaria de ver os outros fazerem."

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